quimera
yuri petrilli
Toda a memória é uma quimera vaga:
A cauda, incerta, ora alegre ora triste;
O corpo, saudade; e a cabeça inexiste,
E então, é a nossa a que emprestamos à praga.
E a quimera de incerteza, saudade,
E nós mesmos, a tudo observa e pasma,
Distorcendo o tempo como um fantasma,
E roendo a si mesma com ferocidade.
Mas como amansar tal monstro distinto,
Se a ela damos a cabeça – a razão –,
E ela, impiedosa e ingênua, persiste?
Ora! Basta não alimentar-lhe o instinto,
E a ela dar não a mente – mas emoção,
No mais cauteloso afeto que existe...
A cauda, incerta, ora alegre ora triste;
O corpo, saudade; e a cabeça inexiste,
E então, é a nossa a que emprestamos à praga.
E a quimera de incerteza, saudade,
E nós mesmos, a tudo observa e pasma,
Distorcendo o tempo como um fantasma,
E roendo a si mesma com ferocidade.
Mas como amansar tal monstro distinto,
Se a ela damos a cabeça – a razão –,
E ela, impiedosa e ingênua, persiste?
Ora! Basta não alimentar-lhe o instinto,
E a ela dar não a mente – mas emoção,
No mais cauteloso afeto que existe...
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