Chuva II
ॐ Funesta era a manhã de hoje, milhares de Almas desoladas cometiam suicídio coletivo. Uma acinzentada nuvem ranzinza, carregada com os mais pretumes sentimentos e os mais lúgubres pensamentos, se estendia por milhas e milhas de distância no Céu. Tão densamente entristecida e tão severamente rancorosa era, que não permitia se quer que os gracejos calorosos de Apolo arrancassem-lhe um só sorriso matinal e atravessassem, por um só segundo, as suas toneladas existenciais de sua mortuária imensidão. Os murmúrios de teu íntimo, ocos e blasfêmicos, ecoavam impetuosos, intempestivamente fatais às Vidas dos mortais que abaixo residem, fazendo com que as estruturas na Terra vacilassem ao tremor do Medo que as assolava. Era mais que claro no consciente tempestuoso mundano, que ninguém ousava sair de suas casas quando o Colosso estava impassível, aflitos ficavam recolhidos embaixo de suas camas frias de madeira – estavam as famílias e os animais. De baixo das pontes os descrentes sem-tetos se escondiam do julgamento dos Céus, segundo o senso comum – mas a estes , o fim do dia nunca chegava após tais implacáveis tormentas, hirtos e gélidos padeciam sem Esperanças, apenas desejos utópicos, uns tinham fieis companheiros, cachorros ou gatos, unidos pela mesma miséria até a Morte. – Decido sair de meus devaneios racionais e torno meus soturnos olhares ao Infinito –. Tristosos saltavam das nuvens gélidas de concreto acinzentado os inconstantes orvalhos joviais, para o grand finale do espetáculo de horrores da Natureza, em seus últimos resquícios de existência antes de se transmutarem em milhares de partículas, expectativas e predições ao colidirem contra a minha embaçada janela de vidro. O Céu hoje está em Luto, meus sinceros sentimentos a cada Gota de Chuva que agora jaz na Terra em mais uma manhã amarga de Quarentena. ॐ
Um fragmento do projeto Chuva, o texto "Chuva II", por Niaxe Augusto ॐ
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