Dama do Vento
Grégor Carlos Marcondes
DAMA DO VENTO
Foste um rabisco de eternidade,
Oculta dentro da finitude de todas as coisas,
Um corpo de luz,
Viajando pelo oceano do mundo,
A delicadeza de sua presença,
Enchia meu frêmito coração,
Com todas as cores que se pode pintar o paraíso,
E no desenho de suas curvas,
Deixei ficar o naufrago de minhas preces,
Era meu encontro e,
Ao mesmo tempo,
Minha fuga,
O arroubo do frescor da vida,
O caos dentro da paz,
Confiei a ti todos os desejos,
Dissimulei o medo de sua partida,
Tentei tocar o imo de sua alma,
Deixei a ilusão ser nosso grande sabor,
Mas éramos a realidade que bate à porta,
Você é a dama do vento,
Ninguém a tem,
Escapa pelas frestas,
Foge pelo ar,
Se mistura com as nuvens,
Com o perfume das coisas,
És a primavera das flores,
A tempestade das ondas,
A liberdade das asas,
A libido da Afrodite,
És o dia dentro da noite,
A chama de seus olhos em fulgor,
Imersa em sonhos de delírio ardor,
Ainda incendeias a planície de meu coração,
Contudo, não sem menos amor,
deixo-te ir, indomada alma,
pois a você nem o tempo pode conter
Português
English
Español