Escritas

versos noturnos

yuri petrilli
A noite como flecha me atravessa
O pomo murcho da alma amargurada,
Que, partido, esparrama uma remessa
De sementes poéticas ao nada.

Mas onde medrará, árvore soturna,
Se no vácuo das horas me disperso,
Muito aquém da solidão noturna?
Talvez em vida? Ou na morte? Ou no verso?...

E quando a noite fria se desdobra
Em madrugada, jardim de desgosto,
Que grande lucidez, minha tristeza!

A flecha já varada me faz posto,
E percebo a vil raiz da minha obra
Parir-se no chão da minha incerteza.
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