DO ÚTERO AO TÚMULO
Júbilos, êxtase juntam-se aos úteros.
Náufragos ouvem-se inéditos, únicos.
Fórcipe tétrico fere-me as têmporas.
Lépidos âmagos, límpidos hálitos.
Vítima, oponho-me à víbora pérfida.
Mácula acusa-me e mostra-se cúmplice.
Faltam-me os álibis, forjam-se os hábitos.
Zeram-se as dádivas, êxitos, débitos?
Décadas movem-se às dúvidas máximas,
Século zanga-se em sórdidas épocas.
Foram-se as vésperas fúlgidas, vívidas.
Finam-se os mártires, furta-se o mérito.
Pássaros calam-se: espera-se o cântico.
Secam-se as últimas sólidas árvores.
Murcham-se pétalas; mancham-se espíritos.
Fende-se, abala-se efêmero bólide.
Tépidas lágrimas tornam-se lâmpadas
Turva-se a pálpebra túmida e púrpura.
Formam-se o séquito fúnebre e súplicas.
Súdito e príncipe sentem-se próximos.
Máquinas roubam-lhe os músculos rígidos.
Findam-se e somem-se fôlego e cérebro.
Parte-se a mórbida, pútrida, amálgama!
Coube-lhe o número incômodo, anônimo.
Fecha-se invólucro: féretro válido.
Cava-se o túmulo: cárcere estúpido.
Lavra-se o mármore: lápide mísera.
Célebre epígrafe: "Súbito e péssimo".
Lanço-me ao círculo ilógico, insólito:
Levo-me trôpego, lânguido, trêmulo;
Trago-me atônito ao trágico término;
Julgo-me pálido, gélido, apático.
Varam-me as úlceras vísceras ácidas:
Ferve-se e verte-se o fétido vômito.
Dando-me a lástima idêntica às lâminas,
Vencem-me frêmito e vórtice frígidos.
Dizem-me: "Tira-me a dívida altíssima:
Vínhamos úmidos, víscidos, ótimos;
Tínhamos ânimo, estímulos, ímpetos;
Púnhamos máscaras públicas, médicas!"
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 30/06/2020)
Náufragos ouvem-se inéditos, únicos.
Fórcipe tétrico fere-me as têmporas.
Lépidos âmagos, límpidos hálitos.
Vítima, oponho-me à víbora pérfida.
Mácula acusa-me e mostra-se cúmplice.
Faltam-me os álibis, forjam-se os hábitos.
Zeram-se as dádivas, êxitos, débitos?
Décadas movem-se às dúvidas máximas,
Século zanga-se em sórdidas épocas.
Foram-se as vésperas fúlgidas, vívidas.
Finam-se os mártires, furta-se o mérito.
Pássaros calam-se: espera-se o cântico.
Secam-se as últimas sólidas árvores.
Murcham-se pétalas; mancham-se espíritos.
Fende-se, abala-se efêmero bólide.
Tépidas lágrimas tornam-se lâmpadas
Turva-se a pálpebra túmida e púrpura.
Formam-se o séquito fúnebre e súplicas.
Súdito e príncipe sentem-se próximos.
Máquinas roubam-lhe os músculos rígidos.
Findam-se e somem-se fôlego e cérebro.
Parte-se a mórbida, pútrida, amálgama!
Coube-lhe o número incômodo, anônimo.
Fecha-se invólucro: féretro válido.
Cava-se o túmulo: cárcere estúpido.
Lavra-se o mármore: lápide mísera.
Célebre epígrafe: "Súbito e péssimo".
Lanço-me ao círculo ilógico, insólito:
Levo-me trôpego, lânguido, trêmulo;
Trago-me atônito ao trágico término;
Julgo-me pálido, gélido, apático.
Varam-me as úlceras vísceras ácidas:
Ferve-se e verte-se o fétido vômito.
Dando-me a lástima idêntica às lâminas,
Vencem-me frêmito e vórtice frígidos.
Dizem-me: "Tira-me a dívida altíssima:
Vínhamos úmidos, víscidos, ótimos;
Tínhamos ânimo, estímulos, ímpetos;
Púnhamos máscaras públicas, médicas!"
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 30/06/2020)
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