cigarros emaranhados

Este momento,
Sim, este momento,
Em que o mundo
Afasta-se ao frágil
Gozo que, anestésico,
Esfuma o tempo
Em qualquer dimensão
Alheia ao quarto escuro.

Este momento
Em que esqueço
E que me aqueço.
Este momento em que
Me beijo em ti,
Pensando beijar-te em mim.
Este momento
De profunda solidão.

Não mais que um instante,
Este pobre momento,
Pensado monumento,
Mas em plena ruína jamais vista.
Este momento
Em que nos destruímos,
E nos afagamos em nossos
Próprios estilhaços, refletidos.

Esta ferida,
Esta idealização,
Esta suposta plenitude estúpida,
Esta convulsão patética e egoística,
Este ápice, grão de areia vazio, mas quente,
Bainha do flácido espólio subsequente
Que então queda nulo
Sobre o leito frio.

Este momento,
Esta lágrima adiada,
Um elo partido da corrente inexistente.
O póstumo momento em que te vejo
Sem cor nas faces,
Despida de mim, trajada em si,
E desprezo-me em ti
Sem nem poder sonhar.

Esta hora esvaída...
Esta inquietude serena...
Esta conspurcação breve
Que permanece,
Mesmo não sendo
Nada além
De uma ilusão...
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