esboço de canção sobre a paixão ainda desconhecida
yuri petrilli
Quando os céus estão quietos
E as paisagens tal qual são
Não têm gestos de ninguém...
Quando os jardins são incompletos
Ao incompleto coração
Que reflete o que não tem...
Ah, calma vida agridoce
Algo falta, mas não pesa.
Como seria se fosse
Revirada, mas sem pressa?
Quando as ruas são vazias,
Como os passos de quem pensa
Preenchê-las de algo vão...
Quando os olhos passam dias
Pela hipótese suspensa
De vender-se a uma ilusão...
Quando o sonho é só um perfume
Breve aroma, eterna tarde,
E a vaga ideia do lume
Por distante é bela, e não arde.
Bela tranquilidade triste
Como um Sol que inda persiste
Num dia que inexiste.
E de repente, tudo se desfaz
Na figura de um vulto ocasional que passa
Pelas ruas que assiste o coração, por trás
Da própria janela, que agora embaça.
Ah, breve vulto de desassossego...
Ave livre que plana através da fome...
Tão cheia de luz incerta que torna cego
Mesmo o lúcido, chamando-o pelo nome.
Misterioso vulto encanto
De voz muda tal qual pranto
Partindo cada canto.
E quando se ouve o chamado
Como se num lusco-fusco
– Ténue desconhecimento –
Os céus são logo nublados
E os jardins outrora fuscos
Desabrocham sentimentos.
E eis que a tudo se ignora,
Pois que pouco importa agora
As tão tímidas raízes
Que no ventre do momento,
Tão volucres, como o vento,
Se instauram nos felizes.
...Mas a semente se fará,
Escondida no ermo fundo,
A desabrochar, quiçá,
Num gesto no céu profundo.
E as paisagens tal qual são
Não têm gestos de ninguém...
Quando os jardins são incompletos
Ao incompleto coração
Que reflete o que não tem...
Ah, calma vida agridoce
Algo falta, mas não pesa.
Como seria se fosse
Revirada, mas sem pressa?
Quando as ruas são vazias,
Como os passos de quem pensa
Preenchê-las de algo vão...
Quando os olhos passam dias
Pela hipótese suspensa
De vender-se a uma ilusão...
Quando o sonho é só um perfume
Breve aroma, eterna tarde,
E a vaga ideia do lume
Por distante é bela, e não arde.
Bela tranquilidade triste
Como um Sol que inda persiste
Num dia que inexiste.
E de repente, tudo se desfaz
Na figura de um vulto ocasional que passa
Pelas ruas que assiste o coração, por trás
Da própria janela, que agora embaça.
Ah, breve vulto de desassossego...
Ave livre que plana através da fome...
Tão cheia de luz incerta que torna cego
Mesmo o lúcido, chamando-o pelo nome.
Misterioso vulto encanto
De voz muda tal qual pranto
Partindo cada canto.
E quando se ouve o chamado
Como se num lusco-fusco
– Ténue desconhecimento –
Os céus são logo nublados
E os jardins outrora fuscos
Desabrocham sentimentos.
E eis que a tudo se ignora,
Pois que pouco importa agora
As tão tímidas raízes
Que no ventre do momento,
Tão volucres, como o vento,
Se instauram nos felizes.
...Mas a semente se fará,
Escondida no ermo fundo,
A desabrochar, quiçá,
Num gesto no céu profundo.
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