Eu, morto de fome
João de Castro Sampaio
É de assaz importância
Ressaltar que,
No inverno do corrente ano,
Eu decidi morrer de fome.
Mas isso já foi colocado no papel
Mais de cinco vezes, mas eis
Aqui a sexta tentativa,
Pois este é um tempo que me tem
Negado até mesmo o direito de
Morrer como Homem.
Ademais, não sou melhor do que
Você: nunca fui melhor do que
Ninguém. Acabo sempre sendo o mais
Acomodado. Talvez não por minha culpa
Nunca por falta de esforço ou de vontade.
Sempre termina dessa forma.
Agora, os outros já vieram e passaram,
Mais uns outros estão por vir.
E se os primeiros me enterraram,
Os próximos pisarão em cima de mim.
Já não era tão útil, e ainda
Por cima, transformaram-me num cão
E me deixaram largado nesse frio chão.
E foi assim que eu morri:
Como os antigos poetas que eu conheci!
Ressaltar que,
No inverno do corrente ano,
Eu decidi morrer de fome.
Mas isso já foi colocado no papel
Mais de cinco vezes, mas eis
Aqui a sexta tentativa,
Pois este é um tempo que me tem
Negado até mesmo o direito de
Morrer como Homem.
Ademais, não sou melhor do que
Você: nunca fui melhor do que
Ninguém. Acabo sempre sendo o mais
Acomodado. Talvez não por minha culpa
Nunca por falta de esforço ou de vontade.
Sempre termina dessa forma.
Agora, os outros já vieram e passaram,
Mais uns outros estão por vir.
E se os primeiros me enterraram,
Os próximos pisarão em cima de mim.
Já não era tão útil, e ainda
Por cima, transformaram-me num cão
E me deixaram largado nesse frio chão.
E foi assim que eu morri:
Como os antigos poetas que eu conheci!
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