Escritas

ENQUANTO SANGRAS FLORESCES

Isabel Morais Ribeiro Fonseca
Enquanto não sagrarem as pedras
O sal das lágrimas não secarão
A raiz deixará de sentir saudades
E os meus olhos não conseguirão fechar
Retratos da minha alma esquecida 
Macieira em flor, pomar de retalhos
No meio do nevoeiro em cinzentas águas
Solta a âncora para atracar nos abraços 
Que bailam nas palavras, ventania de triste vida
Para bater no fundo da esperança despida
E ao longe vejo-te como as flores desejam luz 
Tecendo o perfume dos dias que nada dizem
Nas pedras que sagram dos beijos já dados
Enquanto sangras floresces em sentimento 
Nas velhas primaveras das almas que lavras.