noute
yuri petrilli
Sinto um coração pulsante em cada canto do corpo.
Hirto, fito o teto,
Enquanto boio na penumbra entre a consciência de que existo
E a inconsciência induzida pelo incômodo de existir.
Até que de repente, sinto a noite...
Sim, sinto a noite.
Sinto-a sem saber como sinto,
Sentindo-a com a nitidez com que a sente
A mais incônscia vivalma que acompanha a progressão do poente.
Sinto a noite, absolutamente...
Noite...
Noite que recebo, e que me recebe, noite órfã de um dia
Para o qual não nasci...
Noite, que de não ter mãos
Dedos
E cólera,
Dilui-se em minhas próprias mãos
Dedos
E cólera,
E torna-me parte de si...
Noite que, quando penso que me vai sufocar,
Acaricia-me a face,
Acalma-me os corações,
E enlaça-me num sono além do mar morto
Onde ficou a minha alma à deriva...
Noite, novo fôlego calmo
Ao país dos sonhos,
À serenidade do alheamento dormente,
A um sonho lúdico para além do quarto escuro que me oprime...
Sim, sinto a noite.
E outra vez eu adormeço, sem que tenha despertado, primeiramente...
Ah, noite de minhas horas irremediavelmente destruídas...
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