noute


Sinto um coração pulsante em cada canto do corpo.
Hirto, fito o teto,
Enquanto boio na penumbra entre a consciência de que existo
E a inconsciência induzida pelo incômodo de existir.

Até que de repente, sinto a noite...
Sim, sinto a noite.
Sinto-a sem saber como sinto,
Sentindo-a com a nitidez com que a sente
A mais incônscia vivalma que acompanha a progressão do poente.
Sinto a noite, absolutamente...

Noite...
Noite que recebo, e que me recebe, noite órfã de um dia
Para o qual não nasci...

Noite, que de não ter mãos
Dedos
E cólera,
Dilui-se em minhas próprias mãos
Dedos
E cólera,
E torna-me parte de si...

Noite que, quando penso que me vai sufocar,
Acaricia-me a face,
Acalma-me os corações,
E enlaça-me num sono além do mar morto
Onde ficou a minha alma à deriva...

Noite, novo fôlego calmo
Ao país dos sonhos,
À serenidade do alheamento dormente,
A um sonho lúdico para além do quarto escuro que me oprime...

Sim, sinto a noite.
E outra vez eu adormeço, sem que tenha despertado, primeiramente...

Ah, noite de minhas horas irremediavelmente destruídas...
46 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.