O CORPO SEM ÓRGÃOS

Embriagar-se com água pura
como a criança que desconhece
o fim e o início.

Não é mais perigoso
ou triste suportar os olhos para ver
como a pele maneja o chicote

e desfaz o medo
à espera da cicatriz perfeita,
dessa criança
que brinca com coisas mortas.

O ruído dos corpos
prestes a desaparecem
não acorda os animais,

não impede de estarmos aqui.

Retire cuidadosamente os órgãos,
criança.
Coloque a mão bem lá no fundo,
quebre o brinquedo
sem saber qual é.

A menor carícia pode ser tão forte
quanto um orgasmo.
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