o verso que não cabe


ai são luis.

a ti dedicaria sonetos,

mas que importam os origamis verbais

para teu covil de solidão?

 

que importa são luís,

o lastro de minhas letras

sendo que eu só te acesso

pelo avesso de ti?

 

me digam,

qual é o meu problema

de me imaginar

amigo do verme que consome

todos os víveres aqui vivendo,

facultando o passamento

para olbivios terminais,

existindo:

e esquecendo atrás da porta que somos

o desejo de dizer eu te amo são luís...

 

eu te amo são luís,

mas é complicado amar-te

visto que não te amamos

nem tu nos ama.

mas somos um só,

um ponto energético

que elide nosso sangue

nos  nossos nomes

para sempre gravados

na tua pele e no teu veneno

de serpente circular

que nos conduz ao rebolado

de nossa essencia fractal -

ao propagar de um ilhado

ao florescimento das coisas mesmas.

 

são lúis,

teus casarões andam pelos bloquetes de perdão

os bloquetes andam pelos casarões.

carruagens andam por entre

as viaturas baculejantes.

o bonde, que não mais existe nesse recorte,

anda muito, muito mesmo,

sai lá da rua são pantaleão

como o rei do único trafego possível

entre azulejos

negros

tupinambás

caixeiros-viajantes

sorveteiros de bacuri

os engraxates, impávidos e agora inuteis

e o silêncio operacional de vida

que existe porque reside

em um solipsismo insular....

 

são luís,

uma mera crase ao eterno,

uma eterna revolta

que se incendeia de si,

fagulha de migalha

que nos atrai porque nos repele

que nos mostra porque se oculta

que fala porque cala

e calada,

trama nosso destino

nossa chancela de real

pela cicuta que nos alicia.

 

são luís, a ti e só a ti

escrevo o verso que aqui não cabe.
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