O Eneágono
I
Conto estrelas, ao todo, vejo nove
Mesmo assim o céu está escuro
Hoje a lua não reflete no muro
Fecho os olhos, percebo tudo que se move
Concentro-me neste ponto avermelhado
Que aponta lá pro alto, pro céu estrelado
Eis ali a benção de Jove!
Abrem-se os astros, um caminho bonito
Um caminho de estrelas, um caminho infinito
II
A máquina o fez igual ao irmão
Pois logo na primeira estrela ele chorou
Por ter de livrar o irmão que tanto amou
Fui questionado, mas não quis dar razão
Quis seguir o meu caminho
E assim, continuei, na reta, sozinho
E acabei longe, em amarga solidão
Porém Jove, devendo-me escusas
Aponta-me o caminho até as minhas musas
III
Amargo, porém, fê-lo sorrir
Com um belo adorno de diamante
Vi a alegria da minha amante
Eis: uma felicidade eterna está por vir!
Pois desta estrela, fiz de meu feitio,
Meu lar, em paz, às margens do rio
Ao passo que acordo, repleto de devir
Descubro que caí na armadilha de Jove
E agora me encontro no mais puro caos!
IV
Meu grito furioso foi ouvido
Por toda extensão celeste estelar planetária
Que compadecendo de mim, armaram-me com uma lança
Jove fugindo de mim eternamente.
Covarde que é, não me mostra a sua face
Mas já na quinta estrela eu o alcanço
Ataco, destruo e deformo, de olhos fechados
E como foi emasculado, Jove perde a razão
Revelando-se, então, como o Diabo em pessoa
V
Ouvi a súplica e também uma tal de
Onde está a vossa compaixão, perdoe-me senhor
A verdade é que, no fundo, quis perdoá-lo
E assim eu fiz, portanto, comecei a ouvir
Preste bem atenção, pois se o enganei, não fiz por mal
A destreza do Inimigo fez-me rir
Qualé a graça?, expliquei que Eunucos filósofos
são coisa do passado, dê-me os selos de Salomão, pois hei de partir!
A estrela iluminava, aérea, enfim, o planeta Saturno em preto e branco!
VI
Quarta sessão, paciente continua delirando.
Medidas contentivas: Cinco gramas de dopamina, dez de telepatina,
camisas de força e abuso sodomita.
Tratar à pão e água.
À estrela saturnina, evoco minha colônia!
Que façam milagres, ergam a Babilônia
Neste lar eterno, vivam o sonho, apesar da insônia
Eu sei que o sigilo na capa deste caderno (que escrevo para passar o tempo)
Me deixará sem a memória de hoje.
VII
Levanto-me num átimo, e carrego comigo
A intenção de punir aqueles que me reduziram
À condição de andarilho oblíquo e indigesto.
Vou lembrar a hora que peguei a caneta,
Tomei coragem e pus-me a anotar o
Semblante imemorial dos
portões da sétima estrela?
Não. Quis ser arrogante e guardei-o na
memória.
VIII
Vede, ó estrela pulsante
Encare, pois, este meu olhar delirante
Antes que deixes de existir
Na ponta da lança, embebedo este meu veneno
Sangue podre e pestilento, capaz de matar até
Essa última estrela
O caminho que me fora prometido
Era nada mais que uma armadilha de sensações
Que fez-me parar de sonhar
IX
E o sonho criou as estrelas
As estrelas criaram Saturno
E Saturno criou o caminho
Se o caminho revelasse vosso nome sagrado
Nenhum peregrino haveria de caminhar
Sobre tão perigoso terreno
Então, desperto, por fim, lhes digo:
Assim o mundo foi criado
Tudo conforme o caminho, tudo conforme o sonho.
Conto estrelas, ao todo, vejo nove
Mesmo assim o céu está escuro
Hoje a lua não reflete no muro
Fecho os olhos, percebo tudo que se move
Concentro-me neste ponto avermelhado
Que aponta lá pro alto, pro céu estrelado
Eis ali a benção de Jove!
Abrem-se os astros, um caminho bonito
Um caminho de estrelas, um caminho infinito
II
A máquina o fez igual ao irmão
Pois logo na primeira estrela ele chorou
Por ter de livrar o irmão que tanto amou
Fui questionado, mas não quis dar razão
Quis seguir o meu caminho
E assim, continuei, na reta, sozinho
E acabei longe, em amarga solidão
Porém Jove, devendo-me escusas
Aponta-me o caminho até as minhas musas
III
Amargo, porém, fê-lo sorrir
Com um belo adorno de diamante
Vi a alegria da minha amante
Eis: uma felicidade eterna está por vir!
Pois desta estrela, fiz de meu feitio,
Meu lar, em paz, às margens do rio
Ao passo que acordo, repleto de devir
Descubro que caí na armadilha de Jove
E agora me encontro no mais puro caos!
IV
Meu grito furioso foi ouvido
Por toda extensão celeste estelar planetária
Que compadecendo de mim, armaram-me com uma lança
Jove fugindo de mim eternamente.
Covarde que é, não me mostra a sua face
Mas já na quinta estrela eu o alcanço
Ataco, destruo e deformo, de olhos fechados
E como foi emasculado, Jove perde a razão
Revelando-se, então, como o Diabo em pessoa
V
Ouvi a súplica e também uma tal de
Onde está a vossa compaixão, perdoe-me senhor
A verdade é que, no fundo, quis perdoá-lo
E assim eu fiz, portanto, comecei a ouvir
Preste bem atenção, pois se o enganei, não fiz por mal
A destreza do Inimigo fez-me rir
Qualé a graça?, expliquei que Eunucos filósofos
são coisa do passado, dê-me os selos de Salomão, pois hei de partir!
A estrela iluminava, aérea, enfim, o planeta Saturno em preto e branco!
VI
Quarta sessão, paciente continua delirando.
Medidas contentivas: Cinco gramas de dopamina, dez de telepatina,
camisas de força e abuso sodomita.
Tratar à pão e água.
À estrela saturnina, evoco minha colônia!
Que façam milagres, ergam a Babilônia
Neste lar eterno, vivam o sonho, apesar da insônia
Eu sei que o sigilo na capa deste caderno (que escrevo para passar o tempo)
Me deixará sem a memória de hoje.
VII
Levanto-me num átimo, e carrego comigo
A intenção de punir aqueles que me reduziram
À condição de andarilho oblíquo e indigesto.
Vou lembrar a hora que peguei a caneta,
Tomei coragem e pus-me a anotar o
Semblante imemorial dos
portões da sétima estrela?
Não. Quis ser arrogante e guardei-o na
memória.
VIII
Vede, ó estrela pulsante
Encare, pois, este meu olhar delirante
Antes que deixes de existir
Na ponta da lança, embebedo este meu veneno
Sangue podre e pestilento, capaz de matar até
Essa última estrela
O caminho que me fora prometido
Era nada mais que uma armadilha de sensações
Que fez-me parar de sonhar
IX
E o sonho criou as estrelas
As estrelas criaram Saturno
E Saturno criou o caminho
Se o caminho revelasse vosso nome sagrado
Nenhum peregrino haveria de caminhar
Sobre tão perigoso terreno
Então, desperto, por fim, lhes digo:
Assim o mundo foi criado
Tudo conforme o caminho, tudo conforme o sonho.
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