memória
yuri petrilli
Estive hoje escutando, no rádio,
Uma canção que há muito não escutava.
E enquanto a melodia rolava pelos ares,
Eu a sentia
E assistia, quase sem perceber,
De dentro da minha cabeça,
Uma algazarra de crianças
Brincando de bola em um pedaço de asfalto
Estranhamente familiar.
Uma algazarra familiarmente estranha.
De repente, compreendi.
Dentre as crianças, estava eu.
Tratava-se não de uma sensação feita vivência na imaginação,
Estas, saudosas, que por vezes sentimos por intermédio do desejo;
Tratava-se, sim,
De uma vivência longínqua feita imaginação na sensação.
E estava de tal forma empoeirada
Que se perdeu no tempo enquanto realidade passada,
Integrando-se à memória
Como nunca houvesse sido qualquer outra coisa.
Depois disso, quis ficar ouvindo rádio o dia inteiro
No anseio de desenterrar outras.
Sempre pasmo com essas coisas
Dos confins de não sei onde em mim,
Que ocasionalmente são resgatadas por músicas
Dos confins de dez anos atrás.
Estas pequeninas manifestações da alma...
Uma canção que há muito não escutava.
E enquanto a melodia rolava pelos ares,
Eu a sentia
E assistia, quase sem perceber,
De dentro da minha cabeça,
Uma algazarra de crianças
Brincando de bola em um pedaço de asfalto
Estranhamente familiar.
Uma algazarra familiarmente estranha.
De repente, compreendi.
Dentre as crianças, estava eu.
Tratava-se não de uma sensação feita vivência na imaginação,
Estas, saudosas, que por vezes sentimos por intermédio do desejo;
Tratava-se, sim,
De uma vivência longínqua feita imaginação na sensação.
E estava de tal forma empoeirada
Que se perdeu no tempo enquanto realidade passada,
Integrando-se à memória
Como nunca houvesse sido qualquer outra coisa.
Depois disso, quis ficar ouvindo rádio o dia inteiro
No anseio de desenterrar outras.
Sempre pasmo com essas coisas
Dos confins de não sei onde em mim,
Que ocasionalmente são resgatadas por músicas
Dos confins de dez anos atrás.
Estas pequeninas manifestações da alma...
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