Escritas

poema inútil

yuri petrilli
Nada vale o calendário
Quando passado o dia
Outro vem e o repete.

Tampouco vale o relógio
Quando às seis da tarde
Sinto as três da madrugada.

Quando as valias se fecham
No píncaro das tintas opacas,
Que é da suposta realidade?

Que é deste leque fechado
Que, pela moldura da janela,
Me infiltra o pensamento?

Que é de tudo e de todos?
Que é de nada, e de mim?
Que importa o quê? Importará jamais?

De nada valho – eu, figura
Dum vitral que me pintei,
Estacionado e sem gesto.

A fumaça do cigarro sobe...
E, junto a ela, sobem os meus sonhos,
Fitando, do alto, a cidade vazia.
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