Oração a mim mesma

Oração a mim mesma


Vaguei pelos vales a orar na intenção da plenitude
Dos dias vazios em que a nossa mente parece querer se libertar de nós
Por que amei tanto e tanto me pus a mercê dos homens?
Por que cedi a minha carne à fome desoladora?
A que não alimenta, nem doa e que egoisticamente nos consome
Caminhei tão sozinha e tão sozinha me senti maior
E não me senti só
Não me lembro o sabor dos nomes, nem o aroma dos figos mais maduros
Vagarosamente falo sem as pressas ou os enganos da paixão
Ainda assim a minha alma me contradiz por quê?
Deseja ainda o paladar e cheiro? Provar as frutas contraditórias, as incoerentes dos galhos mais baixos?
A obsessiva busca do que não está em nós
Ouço as asas das aves que voam mais alto e o rastejar dos vermes da terra
Há tanto em mim de força e fraqueza
O tronco quer o céu e apelo à sabedoria, mas os galhos querem quebram e as raízes que sentem o desejo de experimentar a terra
Eu que nem creio em Deus, oro
A algo invisível e tocável, a algo maior, ou a mim que choro quando me conheço
Que se verga aos ventos e caminha estradas pedregosas,
oro e peço, que dos vales mais sombrios eu possa ver o horizonte
Que nos precipícios mais profundos eu possa cavar no chão alguma beleza,
Algum farol onde o mar não bata tanto
E que eu possa seguir uma vida, sem as tantas, a buscar a luz dos teus olhos


Charles Burck
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