Como antes

Como antes

Chegará o dia em que não haverá a realidade tão proxima
Quando eu me beliscarei e não sagrará a pele
E a alma não morrerá de tiro ou bala
E sem portões atravessarei os muros
e do lado de fora eu me diluirei como as àguas e serei da tua boca, a saliva
e do mar o sal
E me fragmentarei em milhões de grãos para saber-me como as areias dos desertos
e a túnica do benduino
Serei a palavra e o pão
Saciarei, a todos de poema e alimentarei os passaros e os bichos
do silêncio,
E não haverá os ritos da morte nem os festejos dos sem chão
mas não haverá o atalho, só o caminho direto,
cuja essencia alimentará tantas bocas
e te direi nos lábios o quanto fomos iguais,
a palavra explicita, como a de um beijo guardado,
ainda quente,
boca na boca
Como antes

Charles Burck
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