Breves Fragmentos
yuri petrilli
I
Quando me ardeu o estômago
E faltou-me a poesia,
Abandonei a página.
II
O sentido dessa vida
É forjado por quem vive.
E sem predestinação,
Pra forjá-lo é-se livre.
III
Que belo é poder ser nada!
Grande é não ser definido!
Se porventura eu fosse algo,
Sonhar não teria sentido!
IV
Chora a chuva, à tarde...
Na rua, o Sol gela.
Em mim, a chuva arde...
V
Tenho uma rotatória
– Mas sem sinalização –
Na rua da memória
Do bairro Meu Coração.
VI
Meus poemas são dispersos
No calor da tua calma...
Pudera tu ler-me os versos
Circunscritos à minha alma!
VII
Há sorrisos nas vitrinas
Dessas vidas editadas
E corações nas latrinas
De verdades ocultadas.
VIII
Faz frio nesta primavera
E o Sol dormiu no verão;
Do outono, nem lembro mais...
É inverno no coração.
IX
As luzes da cidade
Cintilam devagar
Como se cada poste
Fosse estrela a chorar...
X
Teus lábios são de cereja
Tua língua, pomo intimista...
Teus gestos são de morango
Teu beijo, salada mista.
XI
Sonhei, e pensei ter vivido.
Vivi, e pensei ter sonhado.
E quando me vi perdido,
Sorri, e pensei ter chorado.
XII
Sinto falta da praça
Sinto falta de casa
Sinto falta de mim?
Qual praça fiquei?
Qual casa parei?
Onde me esqueci?
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