Melancolia

Ronda-me, povoando a mente,
Invade o peito melancolia,
Sem proposito presente,
Faz morada, com sinistra agonia.

De visão turva em desalinho,
Tonteia, deriva, oscila,
Atinge os pensamentos,  como um torvelinho,
E na consciência se asila.

Melancolia te observo,
Continuo observando,
E observando me preservo,
E aos poucos me acalmando.

Melancolia, porque me rondas?
Não tens porque , nem como,
Na frieza, se fecundas,
Densa sufocante, como bromo.

Porque? Azarás minha sorte,
Se divertindo, com minha agonia,
Nem nesta vida e nem na morte,
Ti pertencerei, melancolia.
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