Pergunta Súbita

Como posso atribuir valor
A todos estes poemas
Se eles parecessem estar mofados?

Como posso sentar ao seu lado
Para contar meus problemas
Se eu mesmo não sei quais são eles?

Como posso esperar que você chegue,
Se quando você vem, parece que eu vou?
E não me pergunte para onde,
Porque eu não sei responder.

Como posso acreditar
Que está tudo bem
Se você ainda chora
E não me diz? Por quê?

Como posso me convencer
Que escrevo para alguém
Se nem dedicatória
Esse poema tem?

Como posso ser maleável
Se a situação me exige rigidez?
Tão rígido quanto aço,
Tão rígido quanto barra de ferro.

Como posso ficar quieto
Se a todo instante
Meu estado de paz
Está sendo atordoado?

Como posso aceitar a situação
E simplesmente me calar, me adequando,
Fingindo constantemente ser aquele
Que você sempre vê?

Como posso negligenciar
O que está mais do que exposto
E esquecer as reclamações
A cada cigarro que acendo?

Como posso entrar em conflito comigo mesmo
E ser tão incompetente a ponto de não conseguir resolvê-lo,
Se fui eu mesmo que o criei?

Como posso continuar acreditando nos sentimentos
E nas amáveis histórias revolucionárias,
Se eu já perdi a crença
No meu próprio ser?

Como posso continuar cultivando essas amizades,
Se a cada dia que passa
Eu só as sufoco mais
Com minhas questões em aberto?

Como posso prosseguir
Insistindo no erro
Mesmo consciente
Do que estou fazendo?

Como posso parar de me questionar
Sobre coisas que não sei responder
Se quando eu tento,
A caneta ganha vida e expõe
Coisas que minha alma covarde
Sempre esconde?

 

João Gnecco - 14/06/2019

 

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