O Jardim

Não amanheceu ainda.
Minha consciência levanta,
O corpo permanece deitado.
Visito meu jardim das expectativas,
Vejo lindas flores e árvores dentre tantas outras
Mortas ou secas.           
Aproveito o que posso: colho os frutos das árvores crescidas. Das secas, descarto todos.
Todas mortas pela mesma causa.
A realidade é a praga insuportável
Que espalha sua acidez e corrói
Uma expectativa de cada vez.
Pouco a pouco elas vão morrendo.
Me entrego em um passeio com a insegurança,
Que entrelaça seus dedos nos meus
E venda meus olhos.
A única flor que sobreviveu
Foi aquela rosa, a mais vermelha do Jardim.
Porém, ela sumiu.
Penso que o elfo a tenha roubado.
Mas está viva, crescendo e tomando o espaço de outras flores,
Dominando tudo gradualmente.
Suas flores e raízes são extremamente fortes,
Suas pétalas são tão delicadas quanto seda,
Seu perfume enfeitiça os alienados...
Cada passo que o elfo dá
Parece delicadamente coreografado.
Como não pude vê-lo
Com a Rosa?
De onde nascem essas raízes
Que prendem meus anseios no solo
Me amarrando nessa sensação
Que eu nem sei que nome leva?
Guardo as flores
Uso seu perfume,
Sua essência...
Tão doce que
Ainda ocupa o
Vazio do jardim.
O Jardim das Expectativas.

 

João Gnecco - 25/09/2019 

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