Desabafo

Não há tempo para desespero.
Não há tempo, Sanchez.
Sem aflições para agora.
Tem coisas maiores esperando lá fora.
É necessário aprender a viver
Nessa sociedade contrária.
Revolta e ódio agora são ímpetos da luta.
A amargura da munição ainda é sentida no corpo de muitos.
Almas movidas, almas selecionadas.
A dor acompanha cada revólver engatilhado.
Temos causas nobres e corpos sujos.
Corpos sujos, mas alma lavada.
Quanto a eles, o que possuem?
Canetadas, cédulas, números?
De nada adianta tocar a mais valorizada das cédulas
Se as mãos estiverem embebedadas em sangue puro,
Sangue de gente inocente.
Sangue de gente varrida, como lixo,
Para baixo do tapete.
Buscamos almas puras, sonhadoras, utópicas.
Espíritos selvagens, inquietos.
Liberdade.
Não quero andar por caminhos imundos,
Pavimentados com ideias torpes, por gente igualmente torpe.
Se nossa convicção é loucura,
Quero dizer que não vejo problema em ser louco.
Digo ainda que montaremos nosso manicômio.
Cansei de especulações.
Quero esclarecimentos e indagações,
Simultaneamente.
Que fique claro: Não convertemos ninguém para coisa nenhuma.
Não é conversão, mas sim consciência.
Independência e ação.
Inevitavelmente, a insegurança acompanha.
Mas que não nos faça tropeçar.
Se necessário for, que o mundo vire de ponta cabeça!
Revolução e mudança são filhas da mesma mãe.
Não respondo pelo tempo, tudo é consequência da ação.
Há de haver serventia, Sanchez, há de haver...
Que explodam as injúrias e os difamadores!
A coisa é maior que qualquer substantivo que exista em qualquer língua.
Se a era é sombria, que sejamos luz,
Que façamos nossa própria chama.
Se o fardo é pesado, que carreguemos juntos.
O espírito clama por mudança.
Chega de gente mofada em celas enferrujadas na prisão do medo.

 

João Gnecco - 28/02/2020

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