Escritas

SEXTO SENTIDO

LUIZ GONZAGA DE PAULA

 

SEXTO SENTIDO

De mim não sei mais da espera,

O que pondera o meu inconsciente.

Deixei o sol banhando a paisagem,

Segui apenas o meu sexto sentido.

 

Em cada ponta de centelha,

Ficou cravado o meu semblante,

O medo de voar sem deixar pista,

Completa a nossa fuga inconseqüente.

 

Sementes dos desejos sentimentos!

Momentos de nós dois a solidão.

Por mais que eu procure as estrelas,

Vou ter fincados os pés no chão.

 

Levanto de manhã ainda aflito,

E desafio o lume da decência.

Assim inconteste a sua fúria,

Resta-me ainda o afago do farol.

 

No colo raso dos deleites,

Inflama a sua terna cobiça.

Atiça a minha voz despudorada,

E deixa em meus beiços seu sabor.

 

Quando desperta vespertino na ribalda,

E nenhum outro ousa acreditas.

Esquece toda magoa e se ascende,

Estende pára quem tende o seu olhar.