Lista de Poemas

Toada do Negro do Banzo

Negro —
quando cava, quando cansa,
quando pula, quando tomba,
quando grita, quando dança,
quando brinca, quando zomba
sente gana de chorá...

Negro —
quando nasce, quando cresce,
quando luta, quando corre,
quando sobe, quando desce,
quando véve, quando morre
negro pena sem pará...

Negro, aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!

Negra nua, nua —
ai Umbanda!
toma a bença à lua —
ai Umbanda!
samba nua... Oôu!

Xangô!
Meu céu secureceu.
Exú me despachou...
Calunga me prendeu...

Xangô! Xangô! Xangô!
Meu rancho se acabou...
Meu reino — mar levou...
Meu bem morêu... morreu.

Negro —
negro chora, negro samba
na macumba do quilombo,
com malafo pra moamba
dando bumba no ribombo!
do urucungo e do ganzá!

Negro —
cae no congo, cae no congo,
dos mirongas ao muganga,
todo o bando nesse jongo...
roda, negro — roda a tanga
chora banzo no gongá.

Negro aponta o ponto —
ai Umbanda!
ginga tonto, tonto —
ai Umbanda!
Negro aponta: Oôu!

Se Xangô chegasse...
ai Umbanda!
E me carregasse —
ai Umbanda!
Coisa boa... Oôu!

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Canção da Lua que Lava

Canzone Della Luna Lavandaia

tradução: Anton Angelo Chiocchio

Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para secar;

lua que lavas teus linhos
pelos valados maninhos,
na serra onde vai nevar;

oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!

lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros caiados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —

lua que lavas teus linhos
até nas praias do mar —

vem, lua, e lava minha alma!

Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.

O luna che fai il bucato,
luna, luna lavandaia
in una schiuma di nuvole
candida come liscivia
e stendi i panni là in cima
a candeggiare...

O luna che fai il bucato
pei fòssi incolti, pei monti
su cui sta per nevicare...

Luna che schizzi sul mondo
saponata da accecare...

O luna che fai il bucato
e lo risciacqui,
lo sciorini dappertutto,
su terrazzi lastricati,
vecchi muri intonacati,
aranceti, campi intrisi
di rugiada, a gocciolare...

O luna che fai il bucato
sin sulle spiagge del mare...

Luna, lava la mia anima!

Vieni, lavala di lagrime,
perchè Dio, sole dellanime,
poi la venga ad asciugare.

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