Maya Deren

Maya Deren

1917–1961 · viveu 44 anos US US

Maya Deren foi uma cineasta, escritora e teórica de cinema ucraniana-americana, pioneira no cinema experimental. A sua obra é profundamente marcada pela exploração do inconsciente, do sonho e da mitologia, utilizando uma linguagem visual única e inovadora. Deren deixou um legado duradouro na sétima arte, influenciando gerações de cineastas independentes com a sua abordagem vanguardista e visionária.

n. 1917-05-12, Kiev · m. 1961-10-13, Nova Iorque

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A F.M.

Eu esperei por você nos campos do entardecer
Olhos fechados, eu me deito sobre a grama
Ouvindo o som dos passos no balançar das árvores;
Esperando meus lábios sentirem lábios onde a brisa suave esteve;
Corpo tenso para sentir o calor das mãos onde o calor do sol brilhou.

Você não veio. Eu entrei
Queixando-me que o sol se pôs
E que o vento estava tão frio
E que as árvores faziam tanto barulho
Que era melhor tirar um cochilo dentro de casa.

:

To F.M.

I waited for you in the fields of afternoon’
Eyes closed, I lay upon the grass
Listening for the sound of steps in the swaying of the trees;
Waiting for my lips to feel lips where the soft breeze had been;
Body tense to feel the warmth of hands where warmth of sun had shone.

You did not come. I went inside
Complaining that the suns go down
And that the wind is far too chill
And that trees make so much noise
A person’d better take her nap indoors

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Biografia

Identificação e contexto básico

Maya Deren, nascida Eleonora Derenkowska, foi uma cineasta, escritora e teórica de cinema ucraniana-americana. É reconhecida como uma figura seminal no cinema experimental, tendo desenvolvido uma linguagem cinematográfica singular focada na exploração do inconsciente, do sonho e da mitologia.

Infância e formação

Nascida na Ucrânia, emigrou com a família para os Estados Unidos ainda criança. A sua formação incluiu estudos em literatura e ciência política, o que se refletiu na profundidade intelectual e cultural da sua obra cinematográfica. Absorveu influências de movimentos artísticos e filosóficos da vanguarda europeia.

Percurso literário

Embora mais conhecida pelo seu trabalho cinematográfico, Deren também escreveu prolificamente sobre cinema, teoria e mitologia. Os seus escritos exploravam a natureza do cinema, a sua relação com o ritual e a experiência humana, e as suas teorias sobre o cinema como arte tornaram-se fundamentais para o estudo do cinema experimental.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra cinematográfica de Maya Deren é caracterizada pela sua abordagem poética e psicológica. Filmes como "Meshes of the Afternoon", "Ritual in Transfigured Time" e "The Private Life of a Witch" são exemplos marcantes do seu estilo, que utiliza técnicas como a montagem não linear, o uso de simbolismo e a exploração de estados alterados de consciência. Os seus temas recorrentes incluem o tempo, a memória, a identidade e a busca espiritual. A sua linguagem visual é densa em imagens oníricas e rituais, com uma forte componente de exploração do subconsciente.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Deren emergiu no cenário artístico de Nova Iorque nas décadas de 1940 e 1950, um período fértil para a experimentação artística e o surgimento de movimentos de vanguarda. Ela dialogou com círculos intelectuais e artísticos, mas manteve uma forte independência criativa, o que lhe permitiu forjar um caminho único. A sua obra reflete um interesse pela mitologia e pelo misticismo, numa época em que estas temáticas ganhavam novo interesse no contexto cultural ocidental.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A sua vida pessoal foi intensa e marcada por viagens e pela sua dedicação à arte. As suas relações, incluindo o casamento com o cineasta Alexander Hammid, influenciaram o seu percurso artístico. Deren era conhecida pela sua paixão e pela sua visão intransigente sobre a arte cinematográfica.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora não tenha alcançado um reconhecimento mainstream em vida, Maya Deren tornou-se uma figura cultuada no cinema experimental. O seu trabalho foi redescoberto e amplamente estudado após a sua morte, consolidando a sua posição como uma das cineastas mais importantes do século XX. A sua influência é sentida em diversos realizadores contemporâneos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Deren foi influenciada por surrealismo, psicanálise e mitologia. O seu legado reside na fundação de uma estética para o cinema experimental, que valoriza a subjetividade, a exploração interior e a experimentação formal. Inspirou inúmeros artistas a explorar as potencialidades expressivas do cinema para além das narrativas convencionais.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Deren é frequentemente analisada sob a ótica da psicanálise, explorando os seus filmes como manifestações de estados de sonho e do inconsciente. As suas explorações sobre tempo e identidade são centrais para a compreensão da sua visão artística. Críticos destacam a sua capacidade de criar mundos visuais carregados de significado simbólico e emoção.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Antes de se dedicar ao cinema, Maya Deren estudou ballet e trabalhou como assistente de Martha Graham. A sua paixão pelo vodu e pelas culturas africanas levou-a a realizar extensas pesquisas e viagens, culminando no seu trabalho sobre a religião.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Maya Deren faleceu precocemente devido a uma hemorragia cerebral. A sua memória é celebrada através da preservação e divulgação da sua obra, e do contínuo estudo da sua contribuição para a arte cinematográfica.

Poemas

2

Deve Ser Feito com Espelhos

Deve ser feito com espelhos
minha cabeça que descansa sobre o nada em pleno ar.
Onde está meu corpo
Onde oh onde?
Eu consigo ver as pedras
escondidas nas mãos.
Oh traga meu corpo de volta para mim, para mim,
Oh milagre traga de volta
antes que os espelhos quebrem.
:
It Must Be Done with Mirrors
It must be done with mirrors
my head that rests on nothing in mid-air.
Where is my body
where oh where?
I can see the stones
hidden in the hands.
O bring back my body to me, to me,
O miracle bring it back
before the mirrors break.
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A F.M.

Eu esperei por você nos campos do entardecer
Olhos fechados, eu me deito sobre a grama
Ouvindo o som dos passos no balançar das árvores;
Esperando meus lábios sentirem lábios onde a brisa suave esteve;
Corpo tenso para sentir o calor das mãos onde o calor do sol brilhou.

Você não veio. Eu entrei
Queixando-me que o sol se pôs
E que o vento estava tão frio
E que as árvores faziam tanto barulho
Que era melhor tirar um cochilo dentro de casa.

:

To F.M.

I waited for you in the fields of afternoon’
Eyes closed, I lay upon the grass
Listening for the sound of steps in the swaying of the trees;
Waiting for my lips to feel lips where the soft breeze had been;
Body tense to feel the warmth of hands where warmth of sun had shone.

You did not come. I went inside
Complaining that the suns go down
And that the wind is far too chill
And that trees make so much noise
A person’d better take her nap indoors

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