Lista de Poemas
quando começam as pontadas
fico paralisada de medo
raio x dos meus devaneios
motivos de sobra pra doer
a febre aumenta a cada emoção
as batidas aceleram ao ouvir teu sono
sei que dormes enquanto agonizo
eu te odeio na escuridão
eu sei
é impossível sofrer a dois
de nada adiantaria tua preocupação
minha hora chega lentamente
e eu não pretendo te acordar
pra não te ver branco e sem voz
a me dizer adeus
eu não durmo, aterrorizada
porque a danada vem me buscar esta noite
eu espero, lingerie e lágrima
convulsão e testa suada
cabelos molhados, encharcados, pavor
são 4:20 da madrugada escolhida
hoje ela vem, hoje eu sei que vou
mas sem despertá-lo para o pesadelo
em que estou
é hora agora
o arrepio chega mansinho, meu corpo
esparrama
e na cama
me vem a definitiva surdez.
.
.
quinze pras oito da manhã
ainda não foi dessa vez
tango ensaiado
boca pintada
só de danada
lasco um decote
profundo
rosa vermelha
batom maravilha
só de rasteira
lasco um pingente
na orelha
don’t cry for me
segunda-feira
o término da nossa relação
foi pra mim um choque térmico
não senti mais teu calor
nunca te vi tão frio
não devia te contar
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar
não devia te amar
mas se você guardar meu medo
eu revelo este segredo
que não sei contar
a gente é meio on the road
só que muito mais moderno
adoro estar com ele e esse amor é único
e insiste
sobrevive em nós um sonho torto
a gente se permite cafonices
e se finge de casal
mata o tempo na tevê e quando vê somos
lençóis
morremos de saudade que não dói
ele dança na minha frente
e me atrai essa falta de jeito pra me amar
quando beija a boca me enlouquece
não posso recusar tanta meiguice
superfino bagaceiro engraçadíssimo
máximo de luxo me cobre de promessas
champanhe em Mônaco banho nus
Mediterrâneo
instantâneo ele me pede em casamento
e eu aceito
me viu
te vi
corei
gostei
olhei
cheguei
teus olhos
teu sorriso
senta
garçom!
amor
pra dois
quero morar
no teu lugar comum
fazer previsões
improvisadas
crises pré-datadas
e ser dois em um
bem clichê
batom no copo
lingerie e Sinatra
bem eu e você
kitch por uma noite
adoraria
minh’alma portuguesa
pois pois
não tem nada de Portugal
sou Inglaterra descarada
seca e civilizada
performance o dia inteiro
no peito
um coração underground
minha cidade
ontem mesmo eu a vi
tem castelos, rainhas e sapos
paetês e farrapos
bares luares quintanas
tem poeta aos milhares
mulheres mundanas
pontes piratas patrões
serestas, violões
tem casas, sobrados, chalés
mansões, chaminés
tem Zés, tem dessas manias
tchês, escocês, nacional
marias, meu deus, como tem
umidade, esta cidade
insiste em estar dentro da lei
mas ela mesma se entrega
ontem mesmo eu a vi
pegando a free-way
aquele poema em que saiu seu nome
não liga não é você
não vou te comprometer com a minha ilusão
foi erro de revisão
Comentários (7)
Olá Poetisa Martha Medeiros... lindo texto de se morrer lentamente... eu por exemplo tentei várias coisas e não alcancei o que procurava. até chegar-me a poesia , que me faz admira-la em seus belos versos. felicidades e muita luz para ti. grande abraço . e agora aos 73 anos sou mais humano.
Muito bom, pena que vai na net como se fosse de Neruda, nós temos poesia sim!
Amei o texto!!!
Parece verídico ;D
No silencio poeta encontra a sua alma que permeia os meios de sempre sonhar.
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Bela Poema! Amei o que li! Parabéns QuEm Morre!
Wauw, that's it!!!!!!! I love it