Lista de Poemas
sou uma mulher esguia
pareço chinesa dobrando as esquinas
quando seguida
sumo na multidão
às vezes um pouco nervosa
não sei o que fazer com as mãos
levanto suspeitas no ar
carrego um revólver na bolsa
e um disparo no coração
nós que nós amávamos tanto
hoje estamos tão longe
sem rima, sem sono
nem lembro
de como eu te achava estranho
duas longas lindas
pernas no divã
convido pro cinema o analista
e resolvo este problema
amanhã
donzelas medievais
não existem mais
hoje só existe a mulher
castidade e magia
cambraia, cetim
hoje
vou fazer o retrato falado de mim
primeiro salto
oito e meio
vestido pérola
e qualquer coisa enrolada no pescoço
choque e contraste
segredos mal guardados
tramas de inverno
manhas bem cedo
naquela época
eu tinha uma saia acima do joelho
e manias
convém selecionar certas regalias
adoro que me imitem
postura fashion
e transparências
invisíveis à noite
impossíveis de dia
uma mulher são várias
e uma só
mantenho um certo ar psicodélico
só uso batom e cajal
preto quando estou de preto
azul quando estou de mal
levo pouca coisa na bolsa
e levo sustos
quando me olho no espelho
uma mulher é uma só
mas são tantas
faço tudo o que todo mundo faz
ultrachique
só mudo os horários
vario os personagens
me divirto demais
ninguém percebe
alguém me cobre de flores
e redescubro a criança que está por trás
leio em francês
mal penteio os cabelos
e pago caro por tudo
caso contrário
faria tudo o que todo mundo faz
uma mulher
é muito mais do que ela sabe ser
e o resto são fantoches
broches na camisa
um clima dark
temperatura amena<
quando fala
é felliniano
como tudo que não entendo
não sei se italiano
ou romeno
se outro idioma ou dublado
intraduzível
este homem sem legendas
todo conto de fada
faz de conta que não sabe
parece que foi ontem
que você me convidou para sumir
morar numa cabana e viver de amor
sem freezer, forno de micro-ondas,
videocassete, teatro
restaurantes, butiques, viagens, aeroportos,
microfones
toca-fitas, disco-laser, piscinas, boates,
camarões
hidromassagem, aeróbica, vernissages,
freeshop, rock’n’roll
parece que não fui
gosto do jeito de amar a cavalo
solto as rédeas e me entrego
não nego nada a um puro-sangue
o que uma guitarra faz
nenhum rapaz comigo já fez
me visto de vermelho
a raiva tem essa cor
uma lança na mão
uma mancha no lençol
São Jorge
um dragão
um sonho solto
estou pronta para enfrentar
meu inferno zodiacal
Comentários (7)
Olá Poetisa Martha Medeiros... lindo texto de se morrer lentamente... eu por exemplo tentei várias coisas e não alcancei o que procurava. até chegar-me a poesia , que me faz admira-la em seus belos versos. felicidades e muita luz para ti. grande abraço . e agora aos 73 anos sou mais humano.
Muito bom, pena que vai na net como se fosse de Neruda, nós temos poesia sim!
Amei o texto!!!
Parece verídico ;D
No silencio poeta encontra a sua alma que permeia os meios de sempre sonhar.
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Bela Poema! Amei o que li! Parabéns QuEm Morre!
Wauw, that's it!!!!!!! I love it