Lista de Poemas

REGRESSO

Uma vez expelida, esta voz,
que frenética em mim se alojou,
parasita do meu pensar,
suga-me o meu cerne.

Atordoada, já não giro em torno de nada.
Sou dispersa, sou bocados de mim.
Arrancados pela sua força sobre-humana.
Que insiste em ser hospedeiro em dias soalheiros, em dias negros.

Meus olhos vêem paisagens ondulantes,
que me fazem perder o equilíbrio.
esgotada de mim própria,
Exposta pela materialização da minha essência.

Escorre meu suor pela minha pele, fria.
Minha boca balbucia réstias do que escrevi.
minhas mãos tremem,
e num arrepio, desfalece num último suspiro.

Num respirar nauseante,
volto ao solo que abandonei.
Como se mudasse a sensação de tempo,
perco-me nesse limbo sufocante.

Meu corpo jaz ao som de uma marcha fúnebre,
minha mente não resiste mais.
Rendo-me, fico sem voz,
Pálida, esvaio-me em paz.

Regresso.
👁️ 432

CARTA VI

Adeus.
Adeus.
Penso que não me volto mais a mim.
Nem a ti. Nem a nada.
Já morri.
Só não me consigo livrar deste corpo.
Imundo, inútil, partido, pútrido.
Sou pequenina.
Muito, muito pequenina.
Como pó, como o pó que sacodes dos livros.
Sou uma pedra num sapato vazio.
E o que resta de mim é o que até agora fui,
mas que nem sei dizer o quê.

Adeus.
Se me encontrarem pousada na rua,
deixem-me lá. Ou enterrem-me.
Ou como quiserem.
Porque eu não quero nada além.
De morrer.
Não me chorem, nem se pintem de preto,
nem tragam flores.
Essas não servem aos mortos,
Só aos vivos.

Adeus.
👁️ 271

CRIAÇÃO

Escrevo para expelir do meu âmago
a loucura artística.
Os olhos cegos para o mundo,
a mente lúcida na incansável percepção do ser.

Que a contemplação desmedida,

de gestos involuntários e de gritos cortantes,
nesta civilização fingida,
se materialize nesta folha de papel!

Quanto mais entro em mim,

mais livre sou, mais regurgito.
Sinto palpitar, dorida, a minha cabeça.
Minha inspiração febril faz-me transbordar.

Gelada.

Em momentos insanos.
Sou fora deste mundo,
sou um mundo em mim.

De essência! De sentido!
Consigo desmaterializar-me em pó de estrelas,

no começo de tudo.
Na ânsia do saber, da procura da verdade.

Que formigueiro é este que me percorre?

Que me faz arranhar meu corpo,

até sangrar,
até fazer minha alma quente escorrer pelo meu peito?

Sorvo-me e impludo,

numa emoção frenética,
numa criatividade convulsiva.
Epiléptica!

Arranco-me de mim,

compulsivamente.
Escrevo para que eu possa existir,
enquanto ser, único.

Que a arte expatrie a teoria, a técnica.
Seja ela a expressão límpida do nosso espírito,
desbotada de minuciosidades,
Rica de sentido uno.

Que se banem os academismos!

As correntes pesadas e ferrugentas,
que nos puxam para um precipício
do qual não se ouve o fundo.

A arte é refúgio da alma,

é a génese do ser e da explosão emocional.
Uma amálgama de sentir e pensar,
abalroada em cada fôlego.

Seja a compreensão do mundo,

esta fadiga que transpiro.
Ganhe vida, ela, e que colida com a tua,
provocando o parto de uma nova ideia.

Livre da jaula do preconceito,

não seja mais domada pelo formalismo do erudito
que de tanto que quer ver,
fica cego, imune à beleza da obra.

Que vive.


De um colorido espontâneo,

De uma paixão assolapada,
De uma força intrínseca,
De uma mão cheia de nada.
👁️ 338

BEIJA-FLOR

Há manhãs em que somos.

Beija-flor.


Os nossos braços fazem-se folhas,

e as nossas lágrimas.


Pétalas.
👁️ 303

PARTO

Sinto-me o vínculo,
entre divindades celestes,
e sua Terra esquecida.

Sou o ser desadormecido,
E que pacientemente aguarda
Suas coléricas vontades.

De mim usufruem,
deste meio coxo e frouxo,
submisso aos seus caprichos.

Nutrem-se de minhas energias,
que me escoam pelos dedos,
e que pintam esta poesia.

Com tintas de cor do mundo.
👁️ 418

DELEITE

Escrevo para expelir do meu âmago,
a loucura artística.
Os olhos cegos para o mundo,
a mente lúcida na incansável percepção do ser.

Que a contemplação desmedida,
de gestos involuntários e de gritos cortantes,
nesta civilização fingida,
se materialize nesta folha de papel.

Quanto mais entro em mim,
mais livre sou, mais regurgito.
Sinto palpitar, dorida, a minha cabeça.
Minha inspiração febril faz-me transbordar.

Gelada.
Em momentos insanos.
sou fora deste mundo,
Sou um mundo em mim.

De essência! De sentido!
Consigo desmaterializar-me em pó de estrelas,
no começo de tudo.
Na ânsia do saber, da procura da verdade.

Que formigueiro é este que me percorre?
Que me faz arranhar meu corpo.
Até sangrar.
Até fazer minha alma quente escorrer pelo meu peito.

Sorvo-me e impludo,
numa emoção frenética,
Numa criatividade convulsiva.
Epiléptica!

Arranco-me de mim,
compulsivamente.
Escrevo para que eu possa existir,
enquanto ser, único.

Que a arte expatrie a teoria, a técnica.
Seja ela a expressão límpida do nosso espírito,
Desbotada de minuciosidades,
rica de sentido uno.

Que se banem os academismos!
as correntes pesadas e ferrugentas,
Que nos puxam para um precipício
Do qual não se ouve o fundo.

A arte é refúgio da alma,
é a génese do ser e da explosão emocional.
Uma amálgama de sentir e pensar,
abalroada em cada fôlego.

Seja a compreensão do mundo,
esta fadiga que transpiro.
Ganhe vida, ela, que colida com a tua,
provocando o parto de uma nova ideia.

Livre da jaula do preconceito,
não seja mais domada pelo formalismo do erudito.
Que de tanto que quer ver,
fica cego, imune à beleza da obra.

De um colorido espontâneo,
de uma paixão assolapada,

de uma força intrínseca,
de uma mão cheia de nada.

"Na música não há teorias...basta escutar. A regra é o prazer!" Debussy
👁️ 400

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments