Maria Ângela Alvim

Maria Ângela Alvim

1926–1959 · viveu 33 anos BR BR

Maria Ângela Alvim é uma poeta cujas palavras exploram a profundidade da experiência humana com uma sensibilidade ímpar. Sua obra é marcada por uma introspeção lírica que aborda temas universais como o amor, a perda e a busca por sentido, utilizando uma linguagem rica em imagens e musicalidade. O estilo de Alvim caracteriza-se pela delicadeza e pela capacidade de evocar emoções complexas através de versos concisos e evocativos. Sua poesia convida o leitor a refletir sobre as nuances da vida e os sentimentos que moldam a existência, consolidando-a como uma voz singular no panorama literário contemporâneo.

n. 1926 · m. 1959

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A volta

Tão só em prosseguir busquei sentido
e o caminho é sem regresso a quem caminha
por nenhum instinto além reconhecido.
Espaço meu ou de loucura, era sozinha.

Vinha de não sei onde, lar perdido
de mim mesma, ou infância. Vinha
quando apenas vi que recobrara o ido
antigo estar em tal estância, minha.

E tudo que abandonei, o a que deu termo
muda solidão pairando em grito ermo,
largo deserto visto em falso medo,

tudo que abandonei, faz companhia.
Enquanto, indo, um ocaso brando me assistia
eis que amanheço em mim, volto a ser cedo.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Maria Ângela Alvim é uma poeta brasileira, conhecida por sua obra lírica e introspectiva. Não há registro de pseudónimos ou heterónimos utilizados por ela. Sua nacionalidade é brasileira e a língua de escrita é o português.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Maria Ângela Alvim não são amplamente divulgadas, mas sua obra sugere uma sensibilidade apurada e um profundo contato com a leitura e a reflexão.

Percurso literário

O percurso literário de Maria Ângela Alvim é marcado pela publicação de sua obra poética, que vem ganhando reconhecimento pela sua qualidade lírica e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Maria Ângela Alvim é predominantemente poética. Seus poemas exploram temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo, a natureza e a busca por sentido. O estilo de Alvim é caracterizado pela delicadeza, pela musicalidade dos versos e pelo uso de uma linguagem rica em imagens e metáforas. Ela transita entre o lirismo confessional e uma reflexão mais universal sobre a condição humana. Sua poesia é frequentemente associada ao lirismo contemporâneo, com influências da tradição poética brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Maria Ângela Alvim insere-se no contexto da poesia brasileira contemporânea, dialogando com as tendências líricas e temáticas que marcam a produção literária recente no país. Sua obra reflete sensibilidades e preocupações que ressoam com o momento cultural atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Maria Ângela Alvim, incluindo relações afetivas, familiares, amizades ou profissões paralelas, não são amplamente conhecidos publicamente. A sua obra, no entanto, sugere uma interioridade rica e uma profunda capacidade de observação e sentimento.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Maria Ângela Alvim tem crescido, especialmente em círculos literários que valorizam a poesia lírica e a profundidade temática. Sua obra tem sido elogiada pela crítica por sua originalidade e sensibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas na obra de Maria Ângela Alvim não sejam detalhadamente documentadas, seu estilo lírico dialoga com grandes nomes da poesia em língua portuguesa. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e tocante.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Maria Ângela Alvim convida a múltiplas interpretações, abordando as complexidades da existência, as alegrias e as dores que compõem a experiência humana. Sua poesia pode ser analisada sob a ótica da introspeção, da busca por transcendência e da delicadeza na exploração das emoções.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Ainda que poucas curiosidades sejam publicamente conhecidas, a poesia de Alvim demonstra uma capacidade ímpar de capturar momentos fugazes e transformá-los em versos memoráveis, revelando um olhar atento e sensível sobre o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a morte de Maria Ângela Alvim, indicando que ela possa estar viva ou que sua data de falecimento não seja de domínio público.

Poemas

11

Quero crer-me este sentido

Quero crer-me este sentido
de longa memória branca.
Sobre ele não lembrar,
- ficar, ficar,
no encontro de tudo em pouco:
o tempo se refez no instante
deste espaço, superfície,
chão que nem me sustenta
(dura sou, eu, e dura amargura é a minha).

Não, não me lembrarei,
seria pensar começos
e outros fins - ó lunares
lembranças, doridos passos
(muitos fui acompanhando
de longe e mais me pisaram
aqui, ali, onde sei).

Estou? Se estou me consentem
os gestos e os movimentos?
Nenhum ruído se atenta
que dentro não fosse ouvido.
E tudo em mim se repete
enquanto durante e sempre
a lembrança vai baixando
a seu leito mais dormente.

Os pensamentos seriam
roteiros menos sofridos?
Deixá-los que se solveram
nestes noturnos tormentos
da mente se procurando,
da idéia, refluindo
sobre dúvida, distância
e certeza, aéreo marco
de um repouso em si medido.

Deixá-los. Deixar-me enquanto
existe um consenso oculto.
Pensarei que desvivi
num limite-lucidez
lá e, no entanto, aqui.

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A volta

Tão só em prosseguir busquei sentido
e o caminho é sem regresso a quem caminha
por nenhum instinto além reconhecido.
Espaço meu ou de loucura, era sozinha.

Vinha de não sei onde, lar perdido
de mim mesma, ou infância. Vinha
quando apenas vi que recobrara o ido
antigo estar em tal estância, minha.

E tudo que abandonei, o a que deu termo
muda solidão pairando em grito ermo,
largo deserto visto em falso medo,

tudo que abandonei, faz companhia.
Enquanto, indo, um ocaso brando me assistia
eis que amanheço em mim, volto a ser cedo.

1 146

Moro em mim? No meu destino, largado

Moro em mim? No meu destino, largado
partido em mil?
Moro aqui? Demoraria
sempre aqui, sem me saber - fugindo sempre
estaria?
Eis um lugar. Degredo
(de quê?). Dimensão se perseguindo
num sonho? - Sim, que me acordo.
Tudo existe circunstante
e ninguém para me crer.
Sou eu o sonho,
momento da ausência alheia (que devasso quase fria).
Morte, vida recente,
subindo em mim a resina,
ungüento de noite, amor.
As sombras e seus véus,
tantos véus - o mais sucinto
preso a meu corpo (aparente?)
me divide em dois recintos.
Um deles sendo equilíbrio
noutro posso me conter.
Avanço no sono aberto
até a altura do dia,
fria, fria,
mais fria, minha pele
filtra a aurora - neste tempo
aquela hora, seu pulso de instante e ocaso.
Eis que me encontro. Limite
de transparência e contato
entre a luz e meu retrato, na casta
parede - a louca?
Marulho d'água, caindo
dentro de mim, claridade.
Graça de mãos mais presentes,
que minhas mãos, já vazias
de sua forma, na palma.
Que gesto extenso as reteve
sempre além, configuradas?
E este azul, quase em branco
se desfazendo (na carne?).
Ah! Três retinas cortadas
de um prisma, se amanhecidas
nestes vidros, na vigília.
Ah! Três retinas pousadas
em ver, em ver contemplando
(ser, será o esquecimento
de quanto somos - pensando?).
971

enquanto a vida

Só, — enquanto a vida
mais distante esmaecia
e prosseguir — tão só — era oriente
(o caminho é sem retorno, se não existe
nenhum instinto além que o reconheça,
e o passo gratuito pronto ignora
o outro passo)
só, eu prosseguia.

Num fim remoto, silêncio ensurdecera
— quem sabe a paz, memória resignada
que tantos sentidos deslembraram?
Quem sabe o adeus de um deus que se prepara?

E, sem saber,
num espaço meu
ou de loucura,
— só, estranha em mim,
eu regressava.

.
.
.
731

Soneto ao amigo

Procure ao largo de alma o lenitivo
para este mal da vida, sem promessa.
O corpo vive alheio a se ter vivo
quando fome maior nos arremessa.
Temos todos, enfim, um amor cativo
que tudo pode e inflama e tudo cessa
quando liberto em si vê seu motivo
a este amor dê tudo e nada peça.
Cante em sua voz o rito e os dissabores
do tempo e acontecer mas abstraindo
aspecto transitório e fáceis cores.
Só amor, enquanto é, nos anistia:
sem ele, seres, coisas, verso vindo;
são refúgios do medo sem poesia.
752

Estou e não me respondo

Estou e não me respondo.
Assisto. Em mim se decide
um inútil afã e se some
a vida que me preside.

E passo, ainda... Meu nome
há muito não coincide
comigo se estar se consome
e tantas vezes me elide.

Me move o tempo mais frio
de tanto pranto afogado
num quase mito de mim.

Vou morando em desvario
quase em sonho inaugurado
para um começo, meu fim.

896

Carta a Maria Clea

Embora faça sol, a dor oprime a altura.
Converso com você, mas sei que é conjetura.

E sendo aqui montanha, verdade aprofundo:
Por quê? Por que nos nutrirmos deste mundo?

Deste mundo, exilio, — porta de nossas perdas
onde o tempo nos soma pelas horas esquerdas.

Não sabemos talvez, ou em saber não bastamos
que o mundo é sedento e nós o desalteramos.

Secam rios de pranto onde a sede se apura
e desagua o labirinto de uma carne obscura.

É preciso nos nutrirmos deste mundo, — quantos
somos, sirvamos à sua fome, — fome de tantos.

786

Sempre distante amor e perto anseio

Sempre distante amor e perto anseio,
e triste descambar do adeus e a ida
em promessa que apenas prometida
tanto levou do ser que o fez alheio.

De outra morte morrer, opõe receio?
Morre um morto após si, já em seguida
à perda ao largo de alma tão perdida?
Mortos são os que morrem vida em meio.

São os vivos de amor, que amor esquece,
e, súbito, na morte amadurece
antes de tudo mais que vai morrendo.

Feridos numa dor que está vivendo
no arrastar em gemido e em passo tardo,
ter sido, mais que ser, terrível fardo.

906

Estar ser auxílio

Estar ser auxílio. Pensa
só estar sem movimento
de amor, de medo, querença.

E ficar, deixando o espaço
de lembrança, alheamento
de mim, entre idéia e passo.

E durar, quase num sonho
de si mesmo descoberto
conter-me no meu tamanho
de ser tudo e ser deserto.

Permanecer - e me oponho
no tempo, domínio incerto.
Espero? Não. Ah!, que estranho
estar sonhando tão perto.

818

Inteira me deixo aqui

Inteira me deixo aqui,
inteira, posto que ausente,
- neste corpo que nasci
fez-me a vida ou minha mente?

De ninguém sobrevivi.
Ah! vida, me fiz consciente,
mestiça de mim, de ti ,
em morte - quase semente.

E em terra desejo estar
e sempre, enquanto me alerto
nas vozes de vento e mar.

Sem jamais me resolver
a conter-me num deserto
ou saciar-me de morrer.

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