Lista de Poemas
Quanto Deus me deu
Quanto Deus me deu,
Olhar para te olhar,
O teu gesto tão singular
Que me tem cativa;
Entre pérolas e esmeraldas,
Entre sorriso e olhos cansados,
Entre ti, meu bem, minha alma,
Entre lágrimas e soluços agoniados;
Face pálida e deleitosa,
Lábios rosados tão belos
Que me perco de tão formosa;
Senhor leva a minha dor sofrida,
Só te peço que não leves os meus olhos
Para contemplar a minha inimiga.
Dia mais cinzento
Dia mais cinzento que este,
Não via desde o início da primavera,
Tão piedosamente melancólico,
Assim como Deus quisera;
Corri aos tropeços para a varanda,
Não dando ouvidos à mãe a chamar,
Desta vez não para ver o meu amor,
Fui assistir o céu desabar;
Sinto-me inquieta, um reboliço em mim,
Olho o vizinho, as árvores agitadas no jardim,
Miro as senhoras apressarem o passo,
Apoquentadas, com os ninos no regaço;
Logo, um clarão estranho aqui se apodera,
Sem ver de quê, um último chilrear,
A mãe pisa a madeira velha, fugosamente,
Resmungando o cabelo que não chegou a entrançar;
Ouço começar a chuva de fininho,
O coração errar uma batida desenfreada,
Dou por mim a pensar nesta desgraça:
Como faço para deixar de amar,
Como estou sofregamente apaixonada.
Oh destino!
Oh destino!
Por quê tu tão desafortunado,
Não vivo eu depois das águas
Para não ver o meu bem adorado;
Amor esse que não é meu,
Sólo a mis pensamientos pertence,
Porém, mais meu que teu,
Que o meu fado, aqui, perece;
Assisto o sorrir mesquinho,
Coisa pouca, quase forçado,
Beleza é sinónimo de ti, meu bem,
Que é quase um pecado;
Olhos tão opacos cheios de vida
Que preenchem o teu ser,
E que me iludem nos teus encantos,
Ai, que farei eu senão te querer?
Meus olhos queimam
Meus olhos queimam
Para ver os teus,
Anseiam a tua chegada,
Anseiam por encantos meus;
Perdida estou eu,
Em meio a meus devaneios,
Pensando em como a ti chegar,
Roubar-te de amores alheios;
Deleito-me no leito deste rio,
A brisa corta a minha face,
Levando de mim o meu assobio;
Choro a vida que não tive,
Ajoelhada em prantos,
Choro lágrimas que jamais contive.
Predileta Musa
Minha predileta Musa,
D'olhos cor de esmeralda,
Que para mim é já incansável
Degustar de tão bela alma;
Na leda madrugada que rendeu,
Ouvir-te-ia cantando
Sob o peitoril da janela,
Tecendo a alma que já morreu;
Alma minha, talvez dela,
Essa que vai subindo ao céu,
Tão fria, quase congela,
Tamanha é a mágoa, tão singela;
Minha celeste criatura
Que me quebra o coração,
Sabe ela que não há fortuna melhor
Que me ter por rendição.
Comentários (0)
NoComments
Português
English
Español