Lista de Poemas
Farmácia
do mal de que padeço
e todavia confesso
o que me aflige
Sinto dores fortes
quando vejo o azul
a beleza me fere
espanta e fascina
o passar do tempo
me dá vertigem
e me prende
em suas teias irreversíveis
os pássaros me deixam
intranquilo no ocaso
e quando vejo seu rosto
meu coração dispara
Preciso de um remédio
para curar-me do mal de ter nascido.
Ubi es, Vita
o verbo de Clarice
e a sombra de Cioran
Vida vida
eis o botim
dos que reclamam vida
Orquídeas
resplandecem
no quintal
a geometria
de fogo
de suas pétalas
e a forma
do silêncio
em que se apóiam
trago
o coração perdido
e os olhos tersos
da breve epifania
toda flor
desponta
no seio do silêncio
e ao seio
do silêncio
acorre e se dissolve
lembro
de Hardy
indo ao
fundo
silêncio
dos gregos
teoremas
cheios
do frescor e da beleza
de quando foram descobertos
dois mil anos
e sequer
uma ruga
em seu puro semblante
(Euclides
e a infinidade
dos números primos
Pitágoras
e a raiz quadrada
irracional de dois)
os desenhos
do matemático
e do poeta devem
ser belos
flores
teoremas
desmaiam
em súbitos
jardins
orquídeas
e bromélias
florescem
em crepúsculos
fugazes
- a beleza é a primeira prova
da matemática
Como dizer Villaça
os medos
que devastavam teu coração?
o mosteiro errante
ao qual pertencias
e para o qual não sabias voltar
monge sem mosteiro
saltimbanco de um
circo místico
o perene abandono
de deus
e dos homens
sob cuja
sombra inquieto
te guardavas
esse crepúsculo de amores
não vividos
e tua anfíbia
condição de céu
e terra pecado
e salvação
essa memória
impenitente
era teu inefável luminoso labirinto
a luz
de que surgiam
os mortos
para tomar café
todas as tardes
na praia do flamengo
teu coração
feroz
e compassivo
e os mortos devastados
redivivos pelo deus cruel
e solitário da memória
das sentenças
de Abelardo aos livros
de Gilberto Amado
das cartas de Alceu
aos poemas
de Drummond
um deus que não sabia
nada de si mesmo
preso às teias de um fatal esquecimento
a tirania sagrada
que impuseste para esconder
as formas frágeis de teu rosto
tuas palavras tendiam
ao silêncio transformadas
de há muito em estrelas
e um anjo precisaria
arrancá-las de teus olhos
antes que se dissolvessem
na luz
das coisas
fundas que alcançavas
mas ele não veio
e te salvaste apenas
das atrocidades do mundo
não do abismo
de tua vasta
mortal delicada inocência
Marco lucchesi
é o nome
de uma nuvem
árdua pluriforme
ligeira
e imperscrutável
que se desmancha
na medida
em que se mostra
tão maleável
como
um serafim
tão
orgulhoso
como um paquiderme
um poço
estranho
mudo
e longilíneo
o medo para
fora e o grito
para dentro
marco lucchesi
nuvem
paquiderme
fera abismo
sem fundo
anjo da terra
monstro de
cega e cabal
contradição
Autopoema
é o nome
de uma nuvem
árdua pluriforme
ligeira
e imperscrutável
que se desmancha
na medida
em que se mostra
Tão maleável
como
um serafim
tão
orgulhoso
como um paquiderme
Um poço
estranho
mudo
e longilíneo
O medo para
fora e o grito
para dentro
Marco lucchesi
nuvem
paquiderme
fera abismo
sem fundo
anjo da terra
Monstro de
cega e fatal
contradição
Vestígios de mar
na cerração do hospital
vejo as costas de Benin e
Moçambique
sou um navio
desapossado
preso a liames
e cordoalhas
içam
da garganta
a âncora
que baixaram de madrugada
a voz
do médico
ao longe
você sabe
onde está?
claro que sim
estou
em mar português
e o Patriarca de Lisboa
manda lembranças
ao Samorim
para Marcos Mendonça
Santa Cruz
seu vestido era verde
como as pedras
de Itacoatiara
trazia nos olhos
um canarinho
um buquê de flores
e os seios de minha mãe
soprou em meus pulmões
como quem salva um
afogado
nas terras ínvias do coração
inundadas
de pranto e algaravia
deitou ali todas as flores
como se fosse o Éden
num céu terrivelmente
azul
(havemos
todos de ressuscitar
um dia sob esse mesmo
azul )
o vento de meus pulmões
canta e silencia
recua e avança
não escondo minhas lágrimas
Jesus também chorou
no Jardim das Oliveiras
a vida é um arquipélago
de amor atormentado
uma Roma
que se debate em delírios
enquanto espera
a chegada dos bárbaros
ou a vinda
fulminante do Messias
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Em sua ampla produção, contemplada por diversos prêmios, destacam-se: Sphera, Meridiano Celeste &Bestiário, Domínios da Insônia: novos poemas reunidos, Clio (poesia); O Dom do Crime, O Bibliotecário do Imperador e Adeus, Pirandello (romances); Saudades do Paraíso e Os Olhos do Deserto (memória); A Memória de Ulisses, Ficções de um gabinete ocidental; O Carteiro Imaterial (ensaios). Traduziu diversos autores, dentre os quais, publicados em livro, dois romances de Umberto Eco, a Ciência Nova, de Vico, os poemas do romance Doutor Jivago, obras de Guillevic, Primo Levi, Rumi, Hölderlin, Khliebnikov, Trakl, Juan de la Cruz, Francisco Quevedo, Angelus Silesius, Ion Barbu, Mohammed Iqbãl. Seus livros foram traduzidos para o árabe, romeno, italiano, inglês, francês, alemão, espanhol, persa, russo, turco, polonês, hindi, sueco, húngaro, urdu, bangla e latim. É autor de uma língua artificial, denominada “laputar”.
Professor titular de Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Formou-se em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Recebeu os títulos de Mestre e Doutor em Ciência da Literatura, pela UFRJ, com pós-doutoramento em Filosofia da Renascença pela Universidade de Colônia, na Alemanha. Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi professor-visitante da Fiocruz, das universidades de Roma II, Tor Vergata, de Craiova, na Romênia, de Concepción no Chile. Em 2016, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Tibiscus, de Timisoara, e, em 2020, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Aurel Vlaicu de Arad. Deu palestras pelo Brasil e em diversas universidades no mundo: Sorbonne-Paris III, Orientale di Napoli, Universidade de Salamanca, La Sapienza (Roma), Universidade Jagelônica de Cracóvia, Universidade de Colônia, PUC de Santiago, Universidade da Malásia, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Buenos Aires, Universidade de Los Andes (Mérida, Venezuela), Tuffs (Tóquio), Universidade Islâmica de Delhi, além de um sem-número de seminários, feiras de livro e encontros literários, na Bolívia, Paraguai, Sérvia, México, Peru, Colômbia, Itália, Suécia, Líbano, Arábia Saudita, Índia e Oman.
Editor das revistas Poesia Sempre, Tempo Brasileiro (de 2007 a 2015 – vol. 171 a 203) e Mosaico Italiano (de 2005 a 2008 – ed. 21 a 52). Entre 2012 e 2017 foi diretor da fase VIII da Revista Brasileira da ABL, tendo coordenado a publicação dos números 70 a 93. É membro do conselho da Editora da UFRJ (2016-2020), assim como de várias revistas científicas e literárias no Brasil, na América Latina e na Europa. Realiza consultorias e preparou originais para as editoras Record, Nova Fronteira, Nova Aguilar, José Olympio, Civilização Brasileira e Bem-Te-Vi. Notabilizou-se também dentro do setor de Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração da Biblioteca Nacional, responsável pela edição de catálogos e fac-símiles no período entre 2006 e 2011. Foi membro do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura (2015-2017). Editor das coleções “Espelho do Mundo” e “Memórias do Futuro”, pela editora Rocco. Colunista do Jornal de Letras de Lisboa, da revista Humanitas (mensal), da Off The Record e do jornal Comunità italiana. Colunista, durante anos, da revista Filosofia, Ciência e Vida, e assinou uma coluna mensal no periódico O Globo, entre 2010 e 2018, além de contribuir para outros periódicos no Brasil e no exterior. Foi dramaturgista em montagens teatrais cariocas e organizou seminários para o Centro Cultural Banco do Brasil e Funarte. Assinou, também, a curadoria de exposições na Biblioteca Nacional, Câmara dos Deputados e Museu Vale do Rio Doce. Desde 2021 integra o comitê de honra da Associação Mundial de Esperanto.
Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2011. Sétimo ocupante da cadeira nº 15, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila. Recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Eleito presidente da ABL de 2018 a 2021.
Seu conjunto de obras tem sido objeto de pesquisas extensivas no Brasil e no exterior (destaque-se um grupo de pesquisadores específico, CNPq, cujo objeto é Marco Lucchesi: Práticas das transformações silenciosas). Assim como tem sido central em seminários, cursos de extensão em diversas universidades e em redes públicas de ensino municipal, estadual e federal – para formação de professores – e até disciplinas em programas de pós-graduação stricto sensu.
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