Escritas

Lista de Poemas

Nasci-te

No meu ventre de mulher cresceu teu feto

e foi a minha boca que te deu palavras

e silêncios para tu gritares

Dos meus braços multipliquei teus braços

e dei distâncias para tu voares

Dei-te tempos-de-nada

medidos de coragem

E foste. E és.
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Rebeldia

Soltem-me
as algemas

Quero
a minha alma livre
meu corpo livre
meu pensamento livre

Esbofetear o mundo
e cuspir
na vida.



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Mulher(em definição)

Mulher-Poesia
que deixa no meu corpo bocados de poema

Mulher-Criança
que desce à minha infância
e me traz adulta

Mulher-Inteira
repartida no meu ser

Mulher-Absoluta
Fonte da minha origem

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Teu corpo-meu espaço

Teu corpo é raiz
rasgando a terra nua
do meu sexo

Teu corpo é vertical
onde os meus dedos tocam as distâncias

Teu corpo é diálogo sem palavras
O grito em ressonância
no meu espaço



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No conjugar amor

Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe

Coisas diversas do saber comum.

A transfusão que existe no beijar
quando a ternura é líquida

E a transparência
opaca
do suor
quando o amor é feito

E o jeito que nos fica
de namorar o corpo

E o exagero em tudo que se diz
nas juras repetidas

Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
e que aprendemos juntas.

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Fatalismo

Amo o que em ti há de trágico. De mau.
De sublime. Amo o crime escondido no teu andar.
A tua forma de olhar. O teu riso fingido
e cristalino.

Amo o veneno dos teus beijos. O teu hálito pagão.
A tua mão insegura
na mentira dos teus gestos.
Amo o teu corpo de maçã madura.

Amo o silêncio perpendicular do teu contacto
A furia incontrolavel da maré
nas ondas vaginais do teu orgasmo.

E esta tua ausência
Este não-ser quem é.

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Posse intemporal

Fazer amor contigo
não é espelhar teu corpo nu
no vítreo do meu espaço
não é sentir-me possuída
ou possuir-te

É ir buscar-te
ao abismo de milénios de existência
e trazer-te livre.

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O espírito do sexo

Hoje acordei debaixo de mim

e senti o orgasmo do mundo
no corpo dos outros.

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De nós em limite

Na luta da posse
meu corpo guerreiro
batalha no teu
Meus beijos em seta
percorrem a meta
atingem loucura

No espaço liberto
da minha procura
tu és o limite



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Coreografia

No palco da noite bailado de corpos

Cenário de sombras
esculpidas em nu

Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez

Eu sou dimensão
que dança em teu espaço

Não temos cansaço

Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta

Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca

E danço contigo
E esqueço a memória

Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor

Nós somos a mesma
Mulher-Repetida.

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Comentários (2)

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logosfera
logosfera
2019-10-06

Gosto muito. Descobri agora esta poeta e estou curiosa para saber mais.

Júlio César Moubarak.
Júlio César Moubarak.
2018-01-23

Somos assim querida, graças à Deus não nos limitamos às mesmices!!!!!! Adorei seu poema!!!! Facebook: Júlio César Moubarak.