Lista de Poemas
a nuvem
não tem nome
é e é
e pronto
não mais
não vence
_____se enlata
_____ou adula vigilância sanitária
é
antes de ser
foi
antes de nunca
ser
: elefante
guarda-chuva
uma guerra dos mundos
(sob o mar de Copacabana)
se destila nela mesma
e nunca batizou
_______vermes
_______larvas
nem mesmo a ferida de Ícaro
que morreu nele mesmo
como nuvem
que sempre foi a mesma
e nunca também
e nunca mais
será
não num avião
que as rebaixam
a terra
a terra de ninguém
a meros pedaços
__________cortados
__________guardados
numa janela
numa foto de www
como terras são guardadas
em gavetas de cartório
e cabem todas
as nuvens também
que não tem nome
__________três-por-quatro
e
já não são
as sandálias ao canto
guardam teus passos
e não sabem pra diante
o horizonte
guardam caminhos
guardam distâncias
guardam a próxima esquina
guardam o fim do mundo
__________que nelas começa
a tudo basta
o ser
ou se por em fotografia
ou
nada seria?
a estante deslocou a sala
pro canto
tudo de importante
lá está
de canto
os outros três
existem
__________pra gente
__________por obrigação.
talvez
pra evitar intrigas com a física
ou mesmo só pra passeio
são só vistos
pela estante
que ali não pisou
na estante
um cristo redentor
que esteve no rio e lembrou-se d’alguém
se mistura à torre eiffel
que nem sabe de onde veio
um jarro desbotado
pintado de poeira
continua na mesma pose
e logo mais são paulo
em um flash na tv
se mistura também
no porta-retratos assistimos
mas não sabemos de nada
(nosso riso anda sem graça já)
dos outros cantos
sobram pra gente
a gente lá até vive
mas da estante é mais fácil lembrar
naquele tempo
a tia me disse que
na enciclopédia de tudo havia
— o mundo lá está.
o veria de perto
__________—
__________mas varjota lá não ‘tava
__________nem o açude
__________nem
__________o gol que fiz na rua
__________muito menos o pé-de-seriguela no quintal
__________ou seu antônio no balanço à calçada
a gente era tão longe
do mundo
já não sabia bem
por birra
na enciclopédia
o trouxe pra casa
e por cinco dias
na estante o guardei
no teatro tudo é presente
700 anos a 10 metros
e qual o quê velocidade da luz
piada. piada.
a cortina a guilhotinar o tempo
a vida toda a caber naquele oco de mundo
e nós
a 10 metros de tudo
por trás num bar
num quarto de apartamento
numa parada de ônibus
ou mesmo assistindo a gente
estamos
nem coubemos na vista
deve ser coxia
camarim
qualquer canto sem luz
qualquer canto sem nome
a vida ali toda cabe
não se sabe do tempo
(nem se vê, parece)
não se sabe muita coisa
poeminhas de amor
tu tão amanhã eu tão instante
conjugamos o tempo vivendo
II.
a gente tão longe
- 'tá bonita a lua hoje
- 'tá mesmo, 'tá linda
vartoja era tão perto
do mundo
soubemos
depois disso
tudo ficou mais fácil
das amizades distantes
que agora não lembro de cor
mas o li
outros também
e depois outros e outros e outros
e pararipararaparara
ficou famoso
saiu no jornal
fez pose de importante
e a vida voou voou
fiquei amigo dele
depois de o matarem
no século dezenove
crônica de um homem de fé
mas era crente nalguma coisa
na volta do trabalho
na barraca de cachorro-quente
um senhor discursava
preâmbulos do fim do mundo
o juízo final se aproxima
sentiu medo
ao chegar em casa
perguntou à mulher
como se rezava o pai-nosso
por causa do alvará de funcionamento
as ruas
cheiravam
fediam
apodreciam
tinham cheiro de feijão às quinze pro meio-dia
cheiro de cigarro às seis e tanto
gosto de sexo depois das dez
fediam ao uso
hoje
são estéreis
sovinam sussurros
se afogam em antidepressivos
se negam morrer
são hipócritas
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Tem história que parece inventada, mas não é. Como aquela do dentista que gostava de matemática e tinha alma de poeta.
Um nordestino tinhoso que, incapaz de desistir de um sonho e sem uma boa proposta das editoras, resolveu pagar do próprio bolso a impressão de 300 exemplares de um longo poema, escrito em vinte dias, sobre a vida nas cidades do interior cearense.
O resultado foi um livro bastante peculiar, pois talentoso, ele também ilustrou a capa, revisou e diagramou o texto. Se não bastasse, também assumiu as vendas, um trabalho boca à boca que começou com as pessoas próximas e pouco a pouco foi ganhando o mundo, indo parar até na última FLIP, em Paraty.
Foi dessa maneira que o inimaginável fez história. Isto é, em 8 de novembro de 2018, “À Cidade”, de Mailson Furtado Viana, recebeu dois Prêmios Jabutis. O livro além de vencer na categoria poesia, foi escolhido o melhor do ano, honraria máxima da nossa principal premiação literária.
Curiosamente, ele quase assistiu sua vitória pela televisão, só foi para São Paulo de última hora graças à insistência da família. Acreditava que a viagem era um gasto desnecessária, o poema já tinha ido longe demais e sua ausência não seria notada. Prova é que nem preparou discurso, mas sua emoção deu conta do recado.
Em linhas gerais, “À Cidade” é um poema visual de 60 páginas, ambientado em novembro e dividido em quatro partes. Na temática, recebeu a influência do estilo de João Cabral de Melo Neto e na forma, seguiu o padrão neoconcreto de Ferreira Gullar.
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