Oásis
Oásis
Faço do meu amor um oásis
E ele faz dele um deserto
Ao seu lado, vivo como os beduínos
-- morta de sede
Eu sei
Eu sei
Toda mulher sabe os limites do seu amor
O meu é daqueles que parece não ter fim
Sobrevive a mares, tempestades, invernadas
e a longos períodos de estiagem
Toda mulher sabe os limites do seu amor
E o meu é daqueles que resiste à luz ou à escuridão,
à paz ou à guerra
Não é um amor resignado
É daqueles que a gente carrega anos e anos a fio e nem sente o fardo
Príncipe
Príncipe
Eu sou uma mulher moderna, mas que ainda acredita em príncipes
Não sou nenhuma princesa, mas tenho um príncipe
O meu gosta de bebidas amargas,
não tem cavalo branco, tem mais de meio século
e os meus olhos o enxergam na flor da idade
Ele gosta de vinho. Eu gosto do príncipe
e tudo nele vale o meu carinho
Meu príncipe é o homem menos moderno que eu conheço
Sua pressão é alta, sua alegria é contida,
mas ao lado dele eu me sinto solta
como quando soltos ficam os laços de fita
Ele não tem alma de artista
Veste a cara do Poder mais sizudo da República
mas é meigo como todo príncipe deve ser
e tem voz doce como todos devem ter
Vejo meu príncipe, assim, com os olhos da paixão
Dele sou tão dependente e carente
que, ao meu coração, até o seu silêncio é eloqüente
Um Dia
Um Dia
Eu pedi um dia
E um dia é tanto tempo que não da nem pra contar
Um dia pode demorar horas, meses, anos...
Custa a passar
Um dia, por si só, soa o distante, o quase inatingível
Um dia é tão indefinido que tanto pode estar muito perto
como pode estar muito longe
Demore ou não a chegar, não importa
Um dia é o fim da espera derradeira
E se é para esperar por esse beijo eu espero
a minha vida inteira
Cacto e Violeta
Cacto e Violeta
Ele se parece com as violetas, pela delicadeza
E eu com os cactos, mais pelos espinhos do que pela resistência
Não sabia que cactos pudessem amar tanto as violetas
Mas cacto, por amor, também muda a natureza
Aprende a podar seus espinhos
para encurtar o caminho entre ele e as violetas
Procuro
Procuro
Da janela eu procuro um ponto
Procuro sua direção e não vejo
Meus olhos atravessam os postes,
os muros, as ruas,
vazam as fibras, os vidros, os prédios
Mas minha vista não te alcança
Para que lado fica a minha vida?
As luzes de longe são pequeninas
e através delas nada de ti eu avisto
Elas não me apontam os campos
E os campos alheios que me habitam
são sempre os mais belos
Espelho
Espelho
Chegará o tempo
em que irão olhar e enxergar em mim o seu rosto
Chegará o tempo
em que eu não vou precisar dizer o meu nome:
o seu estará escrito em minha vida,
claro, exposto, legível
Dor
Dor
Se o grito aliviasse a minha dor,
o meu soaria inconsolável
Querer
Querer
Dê-me uma pista,
dê-me um sinal,
aponte-me o caminho
ou então me ensine
o que devo fazer
pra você me querer
Sóis
Sóis
São três estrelas, ímpares
Singulares
São lindas: de longe e de perto
Uma é por demais sedutora
Encanta, mas pouco oferece
A outra tem brilho certo
e virou meu livro aberto
A última tem senso de humor
e diz que ainda me tem amor
Gosto das três, desigualmente
Ímpares, singulares e lindas,
elas não são estrelas,
são sóis