Lista de Poemas

Os computadores eliminaram o que o escritor tem de mais pessoal e enternecedor, seus erros de ortografia. O meu não se recusa a aceitar a palavra errada, mas a sublinha em vermelho, escandalizado, e tenho certeza de que precisa se controlar para não apitar ou fazer quá-quá-quá.

 

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Confortai-me com canapés, que desfaleço de banalidades.

 

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O maior patrimônio do turista, ao contrário do que se pensa, não são os cheques de viagem, o passaporte ou a passagem de volta — são os sapatos. (Cf. Turismo)

 

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Viver junto é ir descobrindo o que cada um tem por dentro, os dezessete outros de cada um, e aprendendo a viver com eles. A gente se adapta. Um dos meus dezessete pode não combinar com um dos dezessete dela, então a gente cuida para eles nunca se encontrarem.

 

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Não há onde estacionar um carro em Copacabana, por isso estaciona-se em toda parte e nunca falta lugar.

 

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Vivemos tentando conciliar duas exigências conflitantes, ser brasileiro e manter um mínimo de compostura.

 

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O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. (Cf. Automóveis)

 

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Como seria se os holandeses tivessem derrotado os portugueses e colonizado todo o Brasil? Para começar, nossos padrões de beleza seriam completamente outros. Em vez de morenas, nossas mulheres seriam loiras de cabelo escorrido, e a brasileira mais conhecida no mundo seria alguma longilínea do tipo nórdico, chamada Gisele ou coisa parecida.

 

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Vida não interessa: haverá comida e bebida depois da morte? (Cf. Gourmet)

 

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Partilhar da comida com o próximo tem sido um símbolo de concórdia desde as primeiras cavernas. Até hoje as conferências de paz se fazem em volta de mesas onde a comida, se não está presente, está implícita. (Cf. Apetite)

 

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Luís Fernando Veríssimo
Luís Fernando Veríssimo
2025-11-21

A velhinha de Taubaté