Lista de Poemas
Flor do deserto
Sou flor do deserto
Flor humana
Reservatório de água
Camelo da fauna
Sobrevivente
Abaixo dos céus limpos
Nuvens agressoras
Covardes sumiram
Flor em extinção
Propriedades raras
Caçada pelas forças policiais
Nos limites do agreste e do sertão
Como fruto de conde
Origem certeira e única
Mas não brinca de esconde-esconde
Resiste em praça pública
Vagando pela Chapada Diamantina
Deram como desaparecida
Recompensa pela cabeça
Pétalas sangram despedaçadas
Formas e cores reparáveis
Em termos grosseiros, exótica
Os olhos desejam, mas
Não dariam falta se estivesse morta.
Referência: MENDES, Lavínia. Poema Flor do deserto. Rascunhos de minh'alma. 1 Ed. São Paulo: Editora Feminas, 2021. Prêmio Dandaras de Literatura 2020/21.
Flor humana
Reservatório de água
Camelo da fauna
Sobrevivente
Abaixo dos céus limpos
Nuvens agressoras
Covardes sumiram
Flor em extinção
Propriedades raras
Caçada pelas forças policiais
Nos limites do agreste e do sertão
Como fruto de conde
Origem certeira e única
Mas não brinca de esconde-esconde
Resiste em praça pública
Vagando pela Chapada Diamantina
Deram como desaparecida
Recompensa pela cabeça
Pétalas sangram despedaçadas
Formas e cores reparáveis
Em termos grosseiros, exótica
Os olhos desejam, mas
Não dariam falta se estivesse morta.
Referência: MENDES, Lavínia. Poema Flor do deserto. Rascunhos de minh'alma. 1 Ed. São Paulo: Editora Feminas, 2021. Prêmio Dandaras de Literatura 2020/21.
👁️ 3 238
Dois risos-rios-sóis
Do meu rio escorre o teu ritmo
Ritmo da límpida água
Água que abriga tuas pedras
Esbarro na areia do teu fundo
Fundo sensivelmente molhado
Molhado graças ao meu sísmico rio
Nascente no nordestino sertão
Sertão que resolveu desembocar
Desembocar no teu cerrado
Primeiro poema do livro Riacho me chama de chão, publicado pela Editora Arpillera, em 2023.
Ritmo da límpida água
Água que abriga tuas pedras
Esbarro na areia do teu fundo
Fundo sensivelmente molhado
Molhado graças ao meu sísmico rio
Nascente no nordestino sertão
Sertão que resolveu desembocar
Desembocar no teu cerrado
Primeiro poema do livro Riacho me chama de chão, publicado pela Editora Arpillera, em 2023.
👁️ 3 603
Veias de vinhos
Referência: MENDES, Lavínia. Poema Veias de vinhos. Livro Sexualidade à flor da língua. ES: Pedregulho, 2022.
No encosto ouvi o pulsar
Batendo em meus ouvidos
No meu sino a sina do badalar
Encaixe como arte
Deitei no peito da poesia
Despi-me em disparate
Descompasso peço
À preta que me pega
Pago o preço
No passo apressado
Ameaço sair,
Mas me embaraço
Me amasso
Mordo
Me amarro
Morro
Naquele afago
Me afogo
Na lareira lascas
De lenha farpada
E as brasas reluziram
A própria poesia
Se tornou poetiza
Proteína do sentido
Poesia preta em largas passas
Traçando e trançando
Veias de vinhos velhos
Toda essencial
Inteira em transe
Tudo no meu corpo
Toda no meu todo.
No encosto ouvi o pulsar
Batendo em meus ouvidos
No meu sino a sina do badalar
Encaixe como arte
Deitei no peito da poesia
Despi-me em disparate
Descompasso peço
À preta que me pega
Pago o preço
No passo apressado
Ameaço sair,
Mas me embaraço
Me amasso
Mordo
Me amarro
Morro
Naquele afago
Me afogo
Na lareira lascas
De lenha farpada
E as brasas reluziram
A própria poesia
Se tornou poetiza
Proteína do sentido
Poesia preta em largas passas
Traçando e trançando
Veias de vinhos velhos
Toda essencial
Inteira em transe
Tudo no meu corpo
Toda no meu todo.
👁️ 3 575
Azedamente madura
Da delícia de puxar a fruta
Direto do pé
Direcionei à boca
Efeito de feitiço
Mastiguei o cheiro da terra
Senti a frescura da casca
E engoli a vida com os olhos
Sensibilidade
Referência: MENDES, Lavínia. Livro Riacho me chama de chão, publicado pela Editora Arpillera (BA), em 2023.
Direto do pé
Direcionei à boca
Efeito de feitiço
Mastiguei o cheiro da terra
Senti a frescura da casca
E engoli a vida com os olhos
Sensibilidade
Referência: MENDES, Lavínia. Livro Riacho me chama de chão, publicado pela Editora Arpillera (BA), em 2023.
👁️ 3 236
Breathe
Today is The Day
I want to change now
We need to breathe.
- 2022
I want to change now
We need to breathe.
- 2022
👁️ 3 371
Elas em mim
Publicado no Caderno territorial (2020), no link: http://m.cadernoterritorial.com/news/elas-em-mim-lavinia-de-sousa-almeida-mendes/
Meu corpo moldável
Nas mãos dos olhos das mulheres
Em profundidade me alcançam
Deitam sobre a minha vida-pele
Todas com suas singularidades
Não acompanho cada dedo
Infinitos particulares
Em digitais desesperadas
Areia movediça de sangue
Beijam o piso de casa
Gritam nas esquinas
Escorre medo pelos esgotos
Por outro lado,
Chuviscos de prazer e gozo
Belezas e desafios múltiplos
Não determinadas pela natureza
Flutuando em raízes voláteis
Não as conheço
Mas me entrego
Não as conheço
Mas elas estão em mim.
Meu corpo moldável
Nas mãos dos olhos das mulheres
Em profundidade me alcançam
Deitam sobre a minha vida-pele
Todas com suas singularidades
Não acompanho cada dedo
Infinitos particulares
Em digitais desesperadas
Areia movediça de sangue
Beijam o piso de casa
Gritam nas esquinas
Escorre medo pelos esgotos
Por outro lado,
Chuviscos de prazer e gozo
Belezas e desafios múltiplos
Não determinadas pela natureza
Flutuando em raízes voláteis
Não as conheço
Mas me entrego
Não as conheço
Mas elas estão em mim.
👁️ 3 388
Nosso filme
Assistir um filme
Até o final
Esse era nosso desafio
A narrativa se iniciava
E ficar quieta
Parecia inviável
Ela imóvel, de costas
E eu abraçando-a
Num encaixe quente
Sem que completasse 5 minutos
As lentes já se voltavam
Para o nosso show
O cenário era qualquer quarto
Seguro de possíveis violências
Longe de observação alheia
Referência: MENDES, Lavínia. Poema Nosso filme. Livro Sexualidade à flor da língua. ES: Pedregulho, 2022.
👁️ 143
Encontrei-me, movediça
MENDES, Lavínia. Livro Fruta mordida, perfume da mata. Editora Folheando, 2023
vem cá, cunhã
meu verde hortelã
é, puro afã
investigo, a fim
pescoço, perfume de alecrim
tempo chuvoso, nada ruim
um beijo, por fim
pinga aqui e lá fora
no pé de amora
que as mãos dela implora
sensibilidade aflora
mordeu a minha maçã.
vem cá, cunhã
meu verde hortelã
é, puro afã
investigo, a fim
pescoço, perfume de alecrim
tempo chuvoso, nada ruim
um beijo, por fim
pinga aqui e lá fora
no pé de amora
que as mãos dela implora
sensibilidade aflora
mordeu a minha maçã.
👁️ 1 894
Sozinha na cama
Entremeio dos seios
Despertador: seu cheiro
Do pescoço
Descendo
Até o meio das pernas
Meu lençol pede renovação
Do aroma de pele leve
Da marca doce espaçosa
Da fluidez de cachoeira
Água límpida.
Referência: MENDES, Lavínia. Livro Fruta mordida, perfume da mata. Poema Hippocampus reidi. Rio Branco - Belém: Editora Folheando, 2023.
Despertador: seu cheiro
Do pescoço
Descendo
Até o meio das pernas
Meu lençol pede renovação
Do aroma de pele leve
Da marca doce espaçosa
Da fluidez de cachoeira
Água límpida.
Referência: MENDES, Lavínia. Livro Fruta mordida, perfume da mata. Poema Hippocampus reidi. Rio Branco - Belém: Editora Folheando, 2023.
👁️ 1 701
Cordas
Autônomas
Nós somos
Desatando nós
Fazendo-nos
Nós
Talvez nuas
Estando-nus
Nos tornando mais nós.
Referência: Livro Fruta mordida, Perfume da mata. Belém: Editora Folheando, 2023. II Prêmio Variações LGBTQIA .
Nós somos
Desatando nós
Fazendo-nos
Nós
Talvez nuas
Estando-nus
Nos tornando mais nós.
Referência: Livro Fruta mordida, Perfume da mata. Belém: Editora Folheando, 2023. II Prêmio Variações LGBTQIA .
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Lavínia Mendes, nascida em Utinga-BA no ano de 1997, reside em Aparecida de Goiânia-GO, é mulher cisgênero, negra, lésbica e periférica.
Licenciou-se em História pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) e cursou especialização em Uso Educacional da Internet pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Compõe Conselho Fiscal da Colettiva Preta, Pretas de Angola e coordena Cria Gueto Cria (iniciativa voltada para divulgar literatura produzida por escritoras negras).
Atua como escritora, artista, revisora e educadora.
Publicou os livros poéticos:
-> “Rascunhos de minh’alma” (Editora Feminas, 2021), vencedor do Prêmio Dandaras de Literatura;
-> “Sexualidade à flor da língua” (Editora Pedregulho, 2022);
-> “Riacho me chama de chão” (Editora Arpillera, 2023);
-> “Fruta mordida, perfume da mata” (2023), vencedor do II Prêmio Variações LGBTQIA.
Escrita é respiro.
Contatos: IG @myliveblack, linkedin Lavínia Mendes e e-mail lavmendes23@gmail.com
Licenciou-se em História pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) e cursou especialização em Uso Educacional da Internet pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Compõe Conselho Fiscal da Colettiva Preta, Pretas de Angola e coordena Cria Gueto Cria (iniciativa voltada para divulgar literatura produzida por escritoras negras).
Atua como escritora, artista, revisora e educadora.
Publicou os livros poéticos:
-> “Rascunhos de minh’alma” (Editora Feminas, 2021), vencedor do Prêmio Dandaras de Literatura;
-> “Sexualidade à flor da língua” (Editora Pedregulho, 2022);
-> “Riacho me chama de chão” (Editora Arpillera, 2023);
-> “Fruta mordida, perfume da mata” (2023), vencedor do II Prêmio Variações LGBTQIA.
Escrita é respiro.
Contatos: IG @myliveblack, linkedin Lavínia Mendes e e-mail lavmendes23@gmail.com
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