Escritas

Lista de Poemas

Total de poemas: 13 Página 1 de 2

Como uma flor o céu

Como uma flor o céu
debruado de vermelho posa
de leve sobre a terra escura

Como a flor caída
lentamente emurchece
e a sua cor serena
pouco a pouco escurece

Pende no céu profundo
estame de ouro, a lua


:


Simile a un fiore il cielo
dagli orli vermigli posa
lieve sulla terra oscura

Come il fiore caduto
lentamente appassisce
il suo sereno colore
a poco a poco imbruna

Pende nel cielo profondo
stame d'oro la luna



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Tua voz distante

Tua voz distante
é solidão
mais do que ausência

Assim vêem o céu
os sepultados
céu branco dos prisioneiros
céu interdito dos cegos
recusado à memória


:


La tua voce lontana
è solitudine
più che l'assenza

Così vedono il cielo
i sepolti
cielo bianco delle prigioni
cielo vietato dei ciechi
negato alla memoria



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Quero converter-te

Quero converter-te
a uma doce fé
menino que a chuva encharca
tremendo ao frio insidioso
como se treme de medo

Eu te esquentarei
esquentarei a pedra
as pálidas veias da relva
o sangue frio dos peixes
o antigo silêncio
das serpentes de gélidas escamas

:


Vorrei persuaderti
a una dolce fede
bambino bagnato dalla pioggia
tremante per l'insidioso freddo
che è simile alla paura

Io ti riscalderò
riscalderò la pietra
le pallide vene dell'erba
il freddo sangue dei pesci
l'antico silenzio
dei serpi dalle gelide squame



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Até o ar está morto

Até o ar está morto
o céu é como uma pedra
Os pássaros não sabem mais voar
atiram-se como cegos
dos beirais dos tetos
:
Anche l'aria è morta
il cielo è come una pietra
Gli uccelli non sanno più volare
si buttano come ciechi
giù dall'orlo dei tetti
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O amado odor do corpo

O sono das manhãs
me encadeia os joelhos
me cinge a fronte
com suas vendas de seda

Então sem que eu te chame
penetras nos meus sonhos
e, eu vencida, me afagas
com mãos violadoras

Em plena luz do dia
a vertigem me cega
e na escuridão do sonho
trêmula me transporta


:


Il caro odore del corpo


Il sonno nei mattini
mi lega le ginocchia
e la mia fronte cinge
con le morbide bende

Allor non invocato
tu entri nei miei sogni
e vinta mi accarezzi
con mani violatrici

In mezzo al chiaro giorno
vertigine mi acceca
e nell'oscuro sogno
tremante mi sospinge



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Caminhávamos tranquilos

Caminhávamos tranqüilos
uma noite de verão
no frescor de um jardim?
aflorei tua mão
ou foi uma folha?
beijei tua boca
ou uma fruta úmida e doce?
não sei se bebi o silêncio
da folhagem noturna
ou teu amoroso silêncio

Tua mão me acenou por entre as folhas
mas era a foice da lua
que longe se escondia

:

Noi andavamo leggeri
una notte d'estate
per un fresco giardino?
la tua mano
ho sfiorato o una foglia?
la tua bocca ho baciato
o un frutto umido e dolce?
non so se ho bevuto il silenzio
delle piante notturne
o il tuo amoroso silenzio

La tua mano mi salutò tra le piante
ma era falce di luna
che tramontava lontano


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Estou em ti

Estou em ti
como o amado odor do corpo
como o humor do olho
e a doce saliva

Estou dentro de ti
no modo misterioso
como a vida se dissolve no sangue
e se mescla ao respiro

:


Io sono in te
come il caro odore del corpo
come l'umore dell'occhio
e la dolce saliva

Io sono dentro di te
nel misterioso modo
che la vita è disciolta nel sangue
e mescolata al respiro



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Como o cego se aferra

Como o cego se aferra
ao braço que o conduz
e a criança faminta
busca o seio da ama
cada um sobre a terra
a outro pede o seu bem

Pobre em si mesmo cada um
é para o outro rico

Cada um é a tempo mãe
e filho:
nutre e sacia-se

:

Come il cieco si afferra
al braccio che lo conduce
e il bambino che ha fame
cerca il seno di donna
ognuno sulla terra
chiede all'altro il suo bene

Ognuno povero in sé
è ricco per l'altro

Ognuno a un tempo è madre
e figlio:
nutre e si sfama



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Outrora o amor

Outrora o amor
me levava pela mão
era um menino feliz
queria brincar, gritar

Hoje como a um filho que espere
carrego-o no meu ventre
por isso caminho sem graça
e é pálida a minha face

:

Un tempo amore
mi conduceva per mano
era un bambino felice
voglioso di giochi, di gridi

Ma ora come un figlio non nato
nel mio grembo lo porto
perciò senza grazia cammino
e pallida è la mia faccia



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O outono é um rei que dá sua última festa

Desbotaram-se os tapizes e os brocados
se desfazem, lânguido é o lampejar
dos ouros
mas que importa?
pois que o rei a cada um já deu sua quota
distribuiu os frutos e as sementes

e desta riqueza é hora agora de gozar:
Nada será guardado
na solidão
do recolhimento e na pobreza deseja o rei
esperar a morte

:

L'autunno è un re che dà l'ultima festa

Sono stinti gli arazzi e ormai consunti
i bei broccati, languido è il brillìo
degli ori
ma che importa?
poichè già diede il re a ciascuno il suo
distribuì i frutti e le seminagioni

e di questa ricchezza ora si goda:
Nulla sarà riposto
in solitario
raccoglimento e in povertà la morte
vuole aspettare il re



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