Lalla Romano

Lalla Romano

1906–2001 · viveu 94 anos IT IT

Lalla Romano foi uma proeminente escritora e pintora italiana, conhecida pelas suas obras de ficção e poesia que exploravam a introspeção e a complexidade das relações humanas. A sua escrita é marcada por uma profunda sensibilidade, estilo lírico e uma atenção particular aos detalhes da vida quotidiana e às paisagens da memória. Explorou frequentemente a condição feminina e a dinâmica familiar, criando narrativas que ressoam pela sua autenticidade emocional e pela sua exploração da identidade.

n. 1906-11-11, Demonte · m. 2001-06-26, Milão

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Como uma flor o céu

Como uma flor o céu
debruado de vermelho posa
de leve sobre a terra escura

Como a flor caída
lentamente emurchece
e a sua cor serena
pouco a pouco escurece

Pende no céu profundo
estame de ouro, a lua


:


Simile a un fiore il cielo
dagli orli vermigli posa
lieve sulla terra oscura

Come il fiore caduto
lentamente appassisce
il suo sereno colore
a poco a poco imbruna

Pende nel cielo profondo
stame d'oro la luna



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Poemas

13

Como uma flor o céu

Como uma flor o céu
debruado de vermelho posa
de leve sobre a terra escura

Como a flor caída
lentamente emurchece
e a sua cor serena
pouco a pouco escurece

Pende no céu profundo
estame de ouro, a lua


:


Simile a un fiore il cielo
dagli orli vermigli posa
lieve sulla terra oscura

Come il fiore caduto
lentamente appassisce
il suo sereno colore
a poco a poco imbruna

Pende nel cielo profondo
stame d'oro la luna



899

O amado odor do corpo

O sono das manhãs
me encadeia os joelhos
me cinge a fronte
com suas vendas de seda

Então sem que eu te chame
penetras nos meus sonhos
e, eu vencida, me afagas
com mãos violadoras

Em plena luz do dia
a vertigem me cega
e na escuridão do sonho
trêmula me transporta


:


Il caro odore del corpo


Il sonno nei mattini
mi lega le ginocchia
e la mia fronte cinge
con le morbide bende

Allor non invocato
tu entri nei miei sogni
e vinta mi accarezzi
con mani violatrici

In mezzo al chiaro giorno
vertigine mi acceca
e nell'oscuro sogno
tremante mi sospinge



885

Já que um mesmo inimigo

Já que um mesmo inimigo
nos golpeia no escuro
e numa mesma armadilha
tenteamos perdidos
unamos as nossas noites
como os destroços dispersos
de um exército vencido

Será vitória o silêncio:
não requer som o diálogo
se em vez de dois somos um

:

Poichè uno stesso nemico
ci colpisce nel buio
e tra le stesse insidie
brancoliamo smarriti
uniamo le nostre notti
come gli sparsi tronconi
di un exercito in rotta

Sarà vittoria il silenzio:
il colloquio non ha suono
se non siamo due ma uno



740

Caminhávamos tranquilos

Caminhávamos tranqüilos
uma noite de verão
no frescor de um jardim?
aflorei tua mão
ou foi uma folha?
beijei tua boca
ou uma fruta úmida e doce?
não sei se bebi o silêncio
da folhagem noturna
ou teu amoroso silêncio

Tua mão me acenou por entre as folhas
mas era a foice da lua
que longe se escondia

:

Noi andavamo leggeri
una notte d'estate
per un fresco giardino?
la tua mano
ho sfiorato o una foglia?
la tua bocca ho baciato
o un frutto umido e dolce?
non so se ho bevuto il silenzio
delle piante notturne
o il tuo amoroso silenzio

La tua mano mi salutò tra le piante
ma era falce di luna
che tramontava lontano


851

Se em meu sonho comprimes

Se em meu sonho comprimes
a mão sobre o meu peito
uma orgulhosa égua
se empina
quer estradas livres
pastagens sem fim

:

Se hai premuto nel sogno
la mano contro il mio petto
una orgogliosa cavalla
s'impenna
vuole libere strade
e sterminate pasture



844

Estou em ti

Estou em ti
como o amado odor do corpo
como o humor do olho
e a doce saliva

Estou dentro de ti
no modo misterioso
como a vida se dissolve no sangue
e se mescla ao respiro

:


Io sono in te
come il caro odore del corpo
come l'umore dell'occhio
e la dolce saliva

Io sono dentro di te
nel misterioso modo
che la vita è disciolta nel sangue
e mescolata al respiro



865

Até o ar está morto

Até o ar está morto
o céu é como uma pedra
Os pássaros não sabem mais voar
atiram-se como cegos
dos beirais dos tetos
:
Anche l'aria è morta
il cielo è come una pietra
Gli uccelli non sanno più volare
si buttano come ciechi
giù dall'orlo dei tetti
751

Tua voz distante

Tua voz distante
é solidão
mais do que ausência

Assim vêem o céu
os sepultados
céu branco dos prisioneiros
céu interdito dos cegos
recusado à memória


:


La tua voce lontana
è solitudine
più che l'assenza

Così vedono il cielo
i sepolti
cielo bianco delle prigioni
cielo vietato dei ciechi
negato alla memoria



897

Como o cego se aferra

Como o cego se aferra
ao braço que o conduz
e a criança faminta
busca o seio da ama
cada um sobre a terra
a outro pede o seu bem

Pobre em si mesmo cada um
é para o outro rico

Cada um é a tempo mãe
e filho:
nutre e sacia-se

:

Come il cieco si afferra
al braccio che lo conduce
e il bambino che ha fame
cerca il seno di donna
ognuno sulla terra
chiede all'altro il suo bene

Ognuno povero in sé
è ricco per l'altro

Ognuno a un tempo è madre
e figlio:
nutre e si sfama



914

Quero converter-te

Quero converter-te
a uma doce fé
menino que a chuva encharca
tremendo ao frio insidioso
como se treme de medo

Eu te esquentarei
esquentarei a pedra
as pálidas veias da relva
o sangue frio dos peixes
o antigo silêncio
das serpentes de gélidas escamas

:


Vorrei persuaderti
a una dolce fede
bambino bagnato dalla pioggia
tremante per l'insidioso freddo
che è simile alla paura

Io ti riscalderò
riscalderò la pietra
le pallide vene dell'erba
il freddo sangue dei pesci
l'antico silenzio
dei serpi dalle gelide squame



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