Escritas

Lista de Poemas

Fazer Amor

fazer amor requer arte inconsciente
fazer amor transcende o feio e o bonito
fazer amor requer a alma despida
fazer amor transcende a sexualidade

fazer amor é ignorar todos os conceitos formais da humanidade
e se entregar como quem se doa a si mesmo
fazer amor não tem vínculo algum
com o lado físico dos seres
fazer amor é um divindade.
divindade que advém do mais nobre dom da vida : a própria vida.

fazer amor é enlouquecer a anatomia.
não importa a forma.
o que importa é não importar com coisa nenhuma.

fazer amor é fazer de inconcebíveis palavrões um lindo poema.
fazer amor é fazer do corpo um banquete de sonhos
e fazer da alma o berço do gozo...

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Opinião

opinião do poeta sem letras:

a poesia começa quando a sentimos e termina quando a escrevemos

opinião do poeta letrado:

a poesia começa quando a sentimos e se eterniza quando a escrevemos

opinião da poesia:

eu não começo, não termino e não eternizo.

sou apenas poesia...

opinião do leitor:

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Fim De Tarde

hoje a tarde chegou mais tarde
como se quisesse evitar a noite
ainda que tarde, clamo calado o teu nome
e, tristonho, ouço-te não me escutar

em vão são os meus versos
pois se tornam dispersos e sem cor
dor, é o que sinto nesta tarde
em que a saudade anoiteceu meu coração

antes nada tivesse acontecido
para que nesta tão fria tarde
eu não sentisse o ontem impossível
chamado saudade...

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Coadjuvante

não sou dono, tomo conta
não sou pai, sou referência
não sou filho sou produto
não sou estou
não tenho alugo
não choro me calo
não sorrio riem de mim...

não sofro, me agüento
não rezo, espero
não faço, obedeço
não crio, recrio
não durmo, adormeço
não quero, basta-me sonhar

não vejo, me mostram
não penso, dispenso
não falo, ouço
não vou, já estou de volta
não grito, silencio
não dou opiniões, observo

não tenho amigos, brinco com letras
não tenho motivos, faço poesias
não tenho razão, tenho coração
não tenho dinheiro, tenho inspiração

não construo, imagino
não canto, caetaneio
não escrevo, sinto
não minto, invento
não sou nada, sou eu
não tento, desisto
não vivo
existo...

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Psicograma

já estou morto de viver
basta-me ver a lua
não tem rua onde moro
nem motivo porque choro

existem espinhos demais
não quero mais
chega de poesia
bastam-me as estrelas

quando eu puder sorrir
a lua será cheia
a rua será alegre
motivo não terá motivo
e as estrelas
sorriram também

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Passou

desfiz todas as minhas ilusões
e as atirei no precipício profundo
da minha realidade

estraçalhei os teus olhos de diamante
devolvendo-te os teus olhos
de um ser humano qualquer

te despi de todos os áureos vestidos
que em sonho te dei
e te fiz novamente nua

apaguei toda poesia que derramei inutilmente
nos poemas feitos em tua homenagem
e quase chorei...
(ou será que chorei?)

abri os olhos para o mundo
e me deixei libertar
enfim, te esqueci...

hoje, vivendo o alívio de tão árduo tormento
ando pelos jardins da vida
colhendo as rosas da minha liberdade
sem temer os espinhos da tua existência

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Quem sou?

Meu nome é José Eustáquio da Silva (Taquinho), natural de Bela Vista de Minas-MG, pequena cidade da zona da mata mineira, situada a 100 Km da capital Belo Horizonte.
Há aproximadamente 15 anos me identifiquei com a literatura, e hoje a tenho como minha melhor companheira.
Minhas primeiras ( e únicas ) investidas no ramo das letras, deram-se em meados da década de 80, onde atrevi-me a inscrever meus incautos e pueris poemas em alguns concursos literários da escola na qual estudei (sou formado em Metalurgia ).
Também nesta época, atiçado por alguns amigos, andei musicalizando alguns poemas, fazendo-os participar de alguns (bons) festivais de música da minha cidade, chegando, inclusive, talvez mais por insistência do que competência, a ganhar alguns prêmios.
Hoje, prismando-me em uma cosmovisão bem diferente, talvez menos inteligente e menos inocente , daquela de alguns anos atrás, sigo observando tudo, como se fosse tudo tão estranho e buscando um novo significado para o que, para muitos, parece óbvio.

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Tive

vou assim sem rumo

chutando pedras pelo caminho

tenho lenço e documento

só não tenho pra onde ir

já tive ao menos um amor

que chutava pedras comigo

hoje me restam apenas as pedras

apenas as pedras...

frias pedras...

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Confidente

dedos à deriva
navegando entre cordas
nau sem direção
neste mar meu violão

toada dissonante
mar revolto intrigante
maremoto de saudade
avesso de realidade
desafino de coração

geme violão
confidente dos meus ais
não quero mais
navegar assim

geme violão
confidente dos meus ais
não quero mais
me afogar assim

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De Manhã

chora o poeta
no deslumbre da manhã
sol mal acordado
doira o lume dos teus olhos

olhos tão tristonhos
que se perdem na paisagem
e se lançam numa viajem
que só os poetas sabem ter

pedaços de saudades
que se esmeram em doer
razões irracionais
que até os animais
não ousam entender

loucuras de poeta
não tem palavra certa
e este amor tão complicado
tão certo e tão errado
desperta este poeta
na inocência da manhã...

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