Lista de Poemas
O Infante
Ou l'aurore qui vous caresse
Rayonnait sur mon beau printemps."
V. Hugo
Sempre, sempre a sorrir! — Fogem-te os anos
Em céu de amores, devassando encantos;
Falando sonhas —
Aqui a linda flor te dá perfumes,
Ali a aurora te sorri nas nuvens,
Cantam as aves.
Tens no cristal do lago um liso espelho,
No firmamento azul a imagem tua,
No céu teu berço;
Co'a estrela um riso vais trocar à noite,
E no correr veloz a borboleta
Vences audaz;
Teu pensamento é brisa buliçosa,
Que mansa adeja, — meiga vai beijando
As flores todas —.
Do passado não tens uma lembrança,
Nem um cuidado no futuro ao menos,
Lindo o presente!
Ai! meus anos corridos não mais voltam!...
Dai-me um dia, meu Deus, da infância minha,
Um dia só! —
No ar a borboleta — a flor no prado,
No lago meu baixel — nos lábios riso,
Morrer depois!
Publicado no livro Rosas e Goivos (1848).
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. p.27-28. (Poesia, 5
Desejos
Que saudades tudo isto me traz!"
X. Cordeiro
Quem me dera ser criança
Reviver tempo de outrora,
Não ter males como agora,
Ver no futuro uma aurora,
E no presente a esperança! —
Quem me dera os doces beijos
Das virgens que me beijavam,
Abraços que me alegravam;
Quem me dera o que me davam
Os meus volúveis desejos! —
Quem me dera as travessuras
Da minha quadra passada,
E a carreira tresloucada,
E a vida tão esmaltada
De tanto amor e doçuras! —
Quem me dera os contozinhos,
Que minha mãe me contava,
As orações que eu rezava,
Que o velho pai me ensinava,
E seu afago e carinhos.
Oh! que delícia tivera!
— Não conhecer outra idade,
Não saber o que é maldade,
Gozar sempre a f'licidade...
Senhor! Senhor! — Quem me dera!
Publicado no livro Rosas e Goivos (1848).
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. p.41-42. (Poesia, 5
O Escultor-Poeta
Je meurs, mais tu vivras...
(Amour et foi)
(...)
VI
Sonha, sonha, meu bardo; os dias passam,
— Corre a vida na terra;
O teu sonhar ninguém entende; ó vate,
— O paraíso encerra.
Sonha, meu bardo, que teu sonho é vida,
E é cedo p'ra morrer:
Inda te resta de absíntio amargo
Uma gota a sorver.
Falaste ao mundo, desdenhou-te os cantos;
Deste-lhe um coração, não quis afetos;
Choraste e não valeram os teus prantos!
Que importa? — Tens o sonho que te embala,
O divino cinzel que talha o mármor,
Que pela voz de Deus na terra fala,
Que a fragrância do céu no mundo exala.
Não pares de sonhar, — sonha, meu bardo,
Sonha embora co'a morte:
No frio encosto um corpo, e além tua alma
Em férvido transporte.
(...)
Publicado no livro Rosas e Goivos (1848).
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. p.23-24. (Poesia, 5)
NOTA: M.A.A.A.: muito provavelmente, Manuel Antônio Álvares de Azevedo (segundo Alfredo Bosi e Nilo Scalzo); Poema composto de 8 parte
O Barão e Seu Cavalo
O DELÍRIO
Donde vens, Inacinho, a horas mortas,
No meio de tigelas e comportas,
Co'uma vela na mão, cheio de empolas
Montado numa réstia de cebolas?
Onde foste buscar a enorme gorra,
O chapéu com feitio de pichorra?
Tu sonhas... tu deliras... que venturas?!
Foste acaso no Brás comprar verduras?
Não, Inácio Pindoba, és grande e forte!
Comes confeitos, capataz da morte;
Morcego de fardão e berimbau,
És capaz de engolir carvão e pau!
Donde vens? Donde vens? Das terras sardas
Não pode ser que vens de calças pardas!
Ei-lo murmura triste com voz aflita:
Não me deixam comer banana frita.
Sem sapatos, de meias de canhamo
Traz na destra gentil um verde ramo,
É como Ulisses procurando a Itália
Sem ter ciência de que foi à Gália...
As crianças assustam-se nas ruas
Por ver o Guimarães de costas nuas,
E dele as rondas quase deram cabo,
Vendo um cão a latir de lata ao rabo.
Ei-lo que chega à porta da polícia,
E assentou-se no chão! A tribunícia,
Loquela ardente, magistral viveiro,
Quis soltar, mas caiu sobre o terreiro!
Deu um passo, ei-lo entrando o corredor...
Solta um grito infernal: que dor, que dor!!
Galga os degraus, as portas arrebenta,
Torce um pé, machuca a esquerda venta,
Espirra sem querer, procura um banco,
Pede pão com manteiga e vinho branco...
"Tragam, tragam-me já o meu cigarro,
Tragam depressa que senão escarro!"
E ao som do bandolim
Com harmonias suaves
Cantou sozinho um cântico sem fim...
Tinha perdido dos baús as chaves!
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. (Poesia, 5).
NOTA: Poema satírico, dirigido contra o presidente da Província de São Paulo, Barão de Itaúna (Candinho), publicado em O Ipiranga, out./nov. 1868. Inacinho = Dr. Inácio Guimarães, chefe de políci
A Camões
De fantasias mil a fantasia
Viveu, como sua alma desvivia
De seus fundos cuidados mal cuidada.
Em lembrança da pátria deslembrada
A glória sua e a glória dela erguia;
Escura noite lhe surgira um dia
Na viva luz da formosura amada.
Partido o coração, a alma partida
Naqueles sonhos, vasta imensidade,
Era-lhe a vida morte e a morte, vida!
Hoje renasce a imortal saudade:
Tem nos versos a pátria aos céus erguida,
E o seu amor num templo — a eternidade.
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. (Poesia, 5).
NOTA: Poema publicado na Revista Brasileira, 10 jun. 188
Adeus de Gonzaga
Vai-se gastando a vida, vai fugindo;
Estremece-me a voz, ei-la que morre,
Inda o teu doce nome repetindo.
Uma hora lá vem, outra decorre,
E eu vejo em pranto o teu rosto lindo!
Adeus, Marília, adeus! A sepultura
Abre-me agora um leito em terra escura.
Ai! como é feia a terra do desterro!
Aqui não sopra a minha pátria aragem;
Aqui lançou-me a liberdade — o erro
De prestar à inocência vassalagem;
Aqui no chão do exílio, onde me enterro
Inda plácida brilha-me tua imagem!
Luar das minhas noites, sol do dia,
O corpo aquece-me — eis a terra fria!
(...)
Ai! Marília, Marília! Que é da vida
Que em meus braços contigo então sonhava?!
A casa, o ribeirão, a luz sumida,
Detrás do monte... além... que desmaiava;
Da ovelha desgarrada a voz perdida,
O gado que sozinho ali pastava;
O chão, a relva, a fonte, as lindas flores,
Nosso céu, nossa luz, nossos amores?!
Nada, nada ficou!... neste deserto
O tênue sopro desta vida expira;
Mal bate o coração, já não aceito
Esses hinos de amor que a alma delira!
Eis lá na sepultura vejo ao perto
Murchas coroas e quebrada lira,
Trevas, silêncio... solidão... horror!
Nem um pranto... um gemido... uma só flor!
S. Paulo, 1848.
In: BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. (Poesia, 5).
NOTA: Poema publicado nas Harmonias Brasileiras, São Paulo, 185
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