Escritas

Lista de Poemas

Jahu

Há quanto tempo escorro...
há pouco sou esgoto;
estorvo limboso.
Forma e Tempo
ao mesmo tempo.
Furando locas,
cavando curvas,
sou todo bosta
limando pedras.

👁️ 910

Em seu leito, finda a velha

Em seu leito, finda a velha.Ao seu lado, fito a cena.Num átimo, sou seus sentidos.Por olhos turvoslímpidas visões;nos flácidos braços,íntimos abraçosNo silencio dos ouvidossussurros de paixão;br>no mutismo dos lábios,murmurando, disse não.Sofre pelo não feito...o beijo negado e tanto querido;o bilhete escrito e logo rasgado;o abraço sonhado e nunca dado;a palavra não dita, e que a sós gritava;amores ocultos, noites insones;um pouco mais e seria feliz...

👁️ 683

Cana

É o começo da safra o corte na pernabote de jararacaguizo de cascavel.

É o frio da madrugadaa azia da tardecalor dos infernosa garapa gelada.

É o moer da moendaa pinga benditao ganho do donogavião de atalaia.

É a dor nas costasventania no rostorabeira de caminhãoo barranco da estrada.

É no fio do facão bagaço da canatouceira de socaaçúcar mascavo.

É a fumaça nos olhosfuligem no arum golpe de vento cheiro do restilo.

É a menina em casavelando a caçulaa doçura da canao travo da pinga.

É o suor escorrendoa vida vertendoa moenda moendoa cãibra da noite.

É o pouco sonocagando na moitao choro do filhoamando em silencio.

É a cachaça diária o tapa na filhao ranho do netopileque de domingo.

É uma curva de nívelestrepe na mãoum caco de dentepedaços de gente.

É um jeito de corpochuva de ventoo barro vermelho ruflar de lagarto.

É o bicho-de-péo coró da madeirapedra de fogochuva de estrelas.É o olho-dáguaum pé de ventoo fogo de encontro a coivara.

É uma manga de veza broca da canao berne na carneo sol no cangote

É a saudade, é a saudade da lida com porcodo ciscar da galinhada horta de couveda polenta em feta é a saudade, é a saudadeda panceta da porcada canga do boida pamonha na palhada canjica da tardeé a saudade, é a saudadedo leite de éguada curva do rioda prosa da noite do pé-de-molequeé a saudade, é a saudadedo fumo de corda pão de torresmo do borralho do fornoreza e catira.é a saudade , é a saudade.
👁️ 879

A ânsia de desfazer o nó górdio
desloca a pedra angular,
- sustento do amor e ódio -
e nos faz pletórica a jugular.

👁️ 835

Meu Pai

Algo mais lento,um tanto mais sábio,com setenta e setetalvez chegue ao cento. E se o fizer,quem saberia ao certo?Íntimo dos números,tímido, mas nem tanto;se algarismo fosse, pimo entre os primoscom certeza seria.Vagando entre fórmulas,curvas, retas e abcissas;deriva do sólido e perde a raiz.Pairando no ar, sonhacom ângulos, senos e co-senos.Se por vezes é distante,mesmo estando sempre presente;impassível,manda recadosvia sarça ardente.Sua verve é rara,um par de vezes, ímpar. Cáspite!Quantas virtudes,(-não aquelas nas lápides vulgarizadas-)tem meu pai!

👁️ 782

Lava

O Vulcão Arfa E Fede.
Da Lava
Ainda Nada.

👁️ 1 007

Biruta

Por vezes, dentro é tormento;
e fora,- ao relento de mim -,
por mais que tento, nada encanta.
Dentro, - na insônia -,
sem nenhum alento,
louca biruta ao sabor do vento.

👁️ 970

Espanha

Que quero eu do Sul da Espanha?
As neves eternas da Sierra Nevada.
As videiras das suas vertentes.
O balir de suas ovelhas.
O olíveo odor de seu azeite.
As águas de suas nascentes.
O olvidar do Hotel Ovídeo?

Que quero eu do Sul da Espanha?
O amor único de suas mulheres.
O justo orgulho de seus homens.
A fúria elegante de seus touros.
A luz do seu sol.
O azul do mar andaluz.

Que quero eu do Sul da Espanha?
A esperança transatlântica dos meus avós.
O sustento da miga em minha pança.
O descer do vinho por minha goela.
O desafiar moinhos de vento.
O ninar de minha abuela.

Que quero eu do Sul da Espanha?
Atávica fúria ibérica,
saudade avoenga
que me faz perder o norte
pelo Sul da Espanha!

👁️ 809

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment

NoComments