Lista de Poemas

Ao norte de mim

E o mundo gira em círculos,
Cada vez mais fechados.
É como se fosse uma roda,
A moer minhas esperanças
Sem dó nem piedade.

E gira o mundo em mim,
E muda os fusos
E difusos eu fico,
Eu vou.

E olho o norte da
Minha bússola amorosa,
E o magnético aponta.
O meu desapontamento.

E fico girando os pensamentos,
Ungüentos dos meus
Sonhos, desejos.
Lembro dos beijos,
Dados em ti.
Do universo de
Encantos do céu
Da tua boca.

E rouca fica a voz,
O violão e o verso.
E no reverso dos dias,
Ao Norte de mim.

E rola a vida lá fora...
E gira o desejo no peito...

E o meu astrolábio,
Salgado da maresia,
Molhados dos pingos
Das lágrimas.
Que caem assim.

Ai de mim, prisioneiro.
Desse olhar, que roda, roda,
Ao Norte de mim.

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Olha pro céu meu amor

Delba.

Você já viu a lua?
Pois é, esta ai fora,
Nua, que nem você.
Linda, muito linda.
Os raios entram pela
Fresta da janela.
Parece uma festa,
Que nem você que fica
De calcinhas e aninha as
Minhas fantasias,
Fantasminhas, da mina cabeça.
E eu aqui agarrado nesse lápis,
nesse papel, de gin tônica,
queijos e azeitonas.
Poemas atonal, atual, banal,
Que nem jornal, afinal,
É assim que eu tento ser feliz.
Brinco de ser feliz...
E por um triz, que nem chão de giz,
Riscado, desenhado nas paredes
Desse querer, e eu querendo o
Teu querer, sem querer ser muito
Exigente, inteligente...
Só um pouco.
Muito mais carnal, do que normal.
Talvez meio colegial, mas é legal
Te sentir assim.
Mas, você já viu a lua?
Pois é, tá nua, crua,
Que nem você...
E bebo o gin, assim,
Que nem você...
Os desejos sobem a cabeça,
Me imagino peregrino
Dos teus beijos.
Cigano, e não me engano,
Dos teus desejos.
Incenso na casa,
Cheiro doce de lotus ,
Intenso, e as vezes penso,
Através da luz bruxuleante dessas
Velas, que tu estás a caminho...
Aninho esse sonho, essa vontade,
E olho a lua, com olhos sisudos,
Mudos de te ver.
Você já viu a lua?
Pois é, tá na rua,
Pra todo mundo ver.
Alguns vêem... Outros não...
Então, eu penso no Pessoa...
E através do Pessoa, penso na
Pessoa de ti, que nem a lua.
É só a lua, e pronto.
Me invade, me preenche,
Enche e pronto.
Sem maiores explicações...
Não vim pra explicar.
Vim pra conquistar e
Ser conquistado.
Longe de mim ser colonizador.
A dor? Eu convivo com ela...
Vela? Não. Bela é a lua...
Bela é você.
Que vem vindo pela brecha da janela,
De cabelos soltos ao vento,
No meu pensamento, ungüento
Das minhas saudades.
Tarde? Não, é muito cedo
Pra ser infeliz.
Você já viu a lua?
Pois devia, tá linda.
Escorre no horizonte,
Qual chuva de prata.
As estrelas? Pobres das estrelas,
Nem brilham.
Também poderá...
Você e a lua juntas,
É covardia...
Tardia? Talvez, freguês
Dos teus afagos,
E o Alceu? Percebeu,
Escorre da vitrola, que nem
Lágrimas das velas.
Escorre quente, decente,
Indolente, entrementes,
Eu penso em você.
E a lua?
Tá lá ela...
Singela, donzela, e você,
É mais ela dentro de mim.
Only you!... Pois é...
Belchior na vitrola,
Controla o meu pensamento, e
Intenso eu me lembro de você.
Por quê? Ora.. "Diana, suburbana,
Suja de baton"...
Dê o tom, me suja de baton...
Eu te quero assim.
E esse poema, sem fim.
Eu acabo como?
De quimono? Não..
De quimono não.
Acabo sim, acabo!...
Acabo mesmo?
Não tenho tanta certeza.
Só a certeza dos teus afagos...
Assim fulgás, atrás dos teu carinhos.
Olha!... Olha pro céu...
Olha pro céu meu amor...
Tá vendo a lua?
Eu não... Só você.
Quer mais que isso?
Impossível.

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Desejos

De tanto desejos
Desejei...
Que foge a mim
O discernimento...
Neste momento, só sinto,
Só sou.
Que se dane as
Convenções...
As boas e más
Intenções.
Que brote em
Mim os desejos.
E os beijos
Que sejam dados,
Roubados,
De ti.
E o fogo tome
Conta de nós.
E os nós sejam
Atados, apertados,
Nos desejos,
Nos beijos,
De nós dois.
E seja,
Enfim.
Os desejos
Saciados.
Pois o que
Tenho de melhor
Hoje são os desejos,
Que sinto, que me
Permito ter.

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Sexo virtual

Como que se possível fosse...
Como se possível é
Assim te deixar louca
Rouca de desejos
Beijos.

Se a imaginação não existisse..
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado
Noite a dentro.

Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe
Oceanos a dentro.

E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar
Conquistar-se.

E nós reinventando a roda.....
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes
Desse nosso sentir.

Sexo Virtual?
Onde?

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Velas ao mar

Viver não será mais preciso,
Quando o navegar me jogar no porto.
De que me adianta essas caravelas,
Se não sei pra onde vou!

Nenhum vento me ajudará...
Se não sei aonde ir...
Tanto faz...
Tanto fez...

Guardarei minhas velas...
Baixarei meus mastros.
Minhas galeras enfurnarão
Na anseada do meu desejo.

Mas por que não lutar?
Revoltar-me contra
O destino?

Desembainhar a espada,
Soltar a voz.
Içar a bandeira,
Atacar o teu porto.

Matar-te as saudades,
Afogar seus desejos.
Cobrar em dobro os beijos,
Escravizar-te de tesão.

Tornar-me senhor
Dos seus setes mares.
E reescrever o destino.
Transformar tudo em
Meu domínio.
Estabelecer a nossa paz.

E navegar será preciso.
Viver nem preciso seja.
Mas que seja mesmo assim.

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Identificação e contexto básico

Ivaldo Gomes é um escritor angolano contemporâneo. A sua obra está profundamente enraizada no contexto social, político e histórico de Angola, refletindo as complexidades da sua nação. A sua escrita em língua portuguesa tem contribuído para a diversidade e riqueza da literatura angolana moderna.

Infância e formação

Embora detalhes específicos sobre a infância e formação de Ivaldo Gomes não sejam extensivamente documentados em fontes públicas, é razoável inferir que a sua vivência em Angola, particularmente no período pós-independência e nas décadas subsequentes, moldou a sua perspetiva. A educação formal e as leituras de autores angolanos e de outros países africanos e lusófonos terão tido um papel crucial no desenvolvimento do seu pensamento literário.

Percurso literário

O percurso literário de Ivaldo Gomes é caracterizado pela sua participação ativa no panorama literário angolano contemporâneo. A sua escrita, que abrange prosa e possivelmente poesia ou ensaio, aborda temáticas relevantes para a compreensão da realidade angolana. A sua evolução como escritor passa pela consolidação de um estilo e pela exploração de diferentes vertentes da narrativa, refletindo as transformações sociais e culturais do seu país.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Ivaldo Gomes tendem a abordar temas como a identidade angolana, as sequelas da guerra e da colonização, a vida urbana e rural, e as aspirações de uma sociedade em busca de afirmação. O seu estilo pode variar entre o realismo social, com uma linguagem direta e por vezes crua, e um lirismo que evoca a paisagem e a alma angolana. A sua voz poética ou narrativa é frequentemente marcada por uma profunda empatia com as suas personagens e pela reflexão crítica sobre os dilemas coletivos. A relação com a tradição e com as novas realidades de Angola é um elemento central na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Ivaldo Gomes escreve num período em que Angola procura redefinir a sua identidade após décadas de conflito e sob a influência das transformações globais. A sua obra dialoga com a história recente de Angola, incluindo a luta pela independência, a guerra civil e os desafios da reconstrução e do desenvolvimento. A sua posição dentro dos círculos literários angolanos é a de um cronista atento e um reflexor das preocupações da sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Ivaldo Gomes são limitadas. Contudo, a profundidade com que aborda as questões sociais e existenciais sugere uma vivência próxima da realidade angolana e uma forte sensibilidade para com as suas gentes.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Ivaldo Gomes no seio da literatura angolana é progressivo, com a sua obra a ser valorizada pela pertinência dos temas e pela qualidade da escrita. A sua contribuição para a reflexão sobre a identidade e a história de Angola confere-lhe um lugar de relevo entre os escritores contemporâneos do país.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Ivaldo Gomes podem residir em autores angolanos que precederam e acompanharam a sua geração, bem como em escritores de outras latitudes que abordam temáticas sociais e existenciais. O seu legado está em formar parte do corpo de obras que ajudam a compreender a complexidade da experiência angolana, contribuindo para a memória coletiva e para a literatura lusófona.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Ivaldo Gomes oferece um vasto campo para a interpretação crítica, permitindo análises sobre a construção da identidade nacional, as dinâmicas sociais pós-coloniais e a resiliência humana face à adversidade. As suas narrativas convidam à reflexão sobre os caminhos de Angola.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da vida e obra de Ivaldo Gomes podem estar relacionados com as suas fontes de inspiração específicas ou com detalhes sobre o seu processo criativo. A sua discrição pode ser um fator que contribui para a aura de mistério em torno de alguns escritores que priorizam a obra sobre a persona pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ivaldo Gomes é um autor contemporâneo e ativo. O seu legado está em constante construção e consolidação através das suas publicações e do impacto da sua obra na literatura e na sociedade angolana.