Lista de Poemas

Nua

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...

2 416

Contrações

Abre e fecha
flechas de desejos
flashs instantâneos
quando penso em ti...
Pulsa o pulso
pulsa a flor que arde
curtas contrações
longos arrepios...
Abre e fecha
sangue bombeando
vida latejando
rega esse navio...
Pulsam bicos
seios bolinados
duros, retesados
querendo implodir...
Flor-de-cheiro
doce à la pom-pom
molha tua boca
sente quanto é bom...
Abre e fecha
pulsa e repuxa
flor-da-contração
arde de tesão
abre minhas coxas
rompe tuas forças
seca minhas poças
e deglutes
todas as flores roxas
que um dia
desabrochaste...

1 405

Moça ou Receita de sorvete de abacaxi com leite condensado

Lambo os dedos de Moça
um a um, gozo supremo
êxtase máximo que me chega
pelos dedos
Medos...
fiquem todos lá fora, acorrentados
pois agora meu corpo é Moça
é leite condensado
mamilos respingados em cremes...
E vem...
e gemes...
gemes na loucura melecada
gemes na aventura inventada
misturando gotas de suor
ao leite
Roças...
roças tua língua nessa moça
cheia de Moça
que se faz sorvete em tua boca
mesclando leites
deleites

E o ápice
tem cheiro de abacaxi...

1 310

Seios

O branco
todo alvo
realça na pele bronze

No alvo, círculo rosado
ao centro um olho
pedinte, esbugalhado

Todo ele na palma da mão
na tua mão encaixado
faminto se enrijece
sedento pede tua língua
afoito geme ao contato
feito coito alucinado

Os dois são felicidade
nas tuas mãos e cuidados
bichos presos, enjaulados
não querendo liberdade

1 097

Sugar

Me dá meu beijo
me suga feito redemoinho
para o centro da luz
que me espera

Sem pressa
e guloso ao mesmo tempo
sem tempo de esperar
como quem vai morrer amanhã

Deixa encravado na pele
o cheiro da manhã
a nos envolver
a enternecer tanta vida
que suspira
que reflete
em cada ato
em cada tato
em cada canto
do meu quarto

884

Alforria

Beba do meu leite
para o meu e seu
deleite

Ponha em tua boca
a minha força
mame como filho
desmamado
há quatro dias quatro noites
ávido
impávido
insano

Sugue a minha teta
enquanto as mãos
desbravam a terra
que já é sua
em completa escravidão

Faça a festa nesta teta
e a buceta
– doidivanas lacrimada –
se abre em festa
implorando o sol
do meio-dia

Chegue, menino-senhor,
em cantoria...

Beba da fonte
da alforria...

1 148

Primeiro suspiro

Arromba!
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido...

Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido...

Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca...

E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
por viver...

1 052

Diz

Sim... pode falar...
fale de paixão
fale de tesão
fale do teu jeito
que não é maldito
fale sussurrando tudo
ao meu ouvido
como um zumbido
de prazer...

Diga... diga que está apaixonado
diga que és o meu amado
desde outra vida
e que nada será violado
além da paixão
e que sempre haverá o cuidado
de nos pertencer...
... proteção...

Diz... diz que desejas o meu último sorriso
diz tudo aquilo que eu preciso
diga o que quer
e o que não quer
teu coração...
é tudo permitido
êxtase de emoção.

1 087

Secundário

No círculo
dos quatro cantos
no meio, nós
somos dois ou um?
Abrimos os corpos
as pernas, a vida
adentram os poros
a seiva
a cada subida
e cada entrega
rega
o suor de orgasmos
múltiplos
sem clímax...
O poder do toque
nas mãos
não qualquer um
mas aquele
não qualquer língua
mas a sua
não qualquer sexo
mas o tanto
possante que me adentra
saliva que alimenta
o gozo
extraordinário
que torna o auge
do ato
um ato
secundário

1 052

Bis

Da base ao topo
deslizantes areias
uma cama de teias
de aranhas
e manhas.
E a manhã escondida
por detrás da cortina
permitiu meia-luz
ante dois corpos nus.
Despidos do dia
entregues à euforia
de fazer chorar
Imersos em bocas
sussurros e roucas
palavras de amar
A língua percorre
o habitat natural
em doses perfeitas
de açúcar e sal
Adentra profundo
arromba as entranhas
teu sexo um mundo
fecundo...

Cravada em teu corpo
como em sonhos te quis
pensamento segreda:
- quero bis...

1 122

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Identificação e contexto básico

Isabel Machado é uma poeta portuguesa. A sua obra é escrita em língua portuguesa. A data e local de nascimento, bem como informações sobre a sua origem familiar e contexto cultural específico, não são amplamente divulgadas em fontes públicas.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Isabel Machado não estão disponíveis em fontes públicas. Presume-se que a sua formação tenha ocorrido no contexto educativo português, e que a sua absorção de movimentos literários e filosóficos seja inerente ao seu percurso como escritora e leitora.

Percurso literário

Isabel Machado iniciou o seu percurso literário no campo da poesia. A sua obra tem vindo a ser publicada em antologias e revistas literárias, consolidando a sua presença na cena poética contemporânea portuguesa. A evolução do seu estilo reflete uma procura contínua por novas formas de expressar a sua visão poética.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Embora uma lista exaustiva das suas obras não seja facilmente acessível, a poesia de Isabel Machado tende a abordar temas como a identidade, a memória, a passagem do tempo, a relação com o espaço urbano e a natureza. O seu estilo é frequentemente descrito como lírico, introspectivo e imagético. Ela explora recursos poéticos para criar uma atmosfera contemplativa, muitas vezes com um tom pessoal e confessional, mas que alcança uma ressonância universal. A linguagem utilizada tende a ser cuidada e a escolha de palavras procura evocar sensações e emoções específicas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Isabel Machado insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com tendências e temas relevantes para a sua geração e para o panorama literário atual. A sua obra reflete, de forma subtil, as preocupações e sensibilidades do mundo em que vive.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Isabel Machado não são publicamente divulgadas, o que é comum a muitos poetas contemporâneos que preferem manter o foco na sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A poesia de Isabel Machado tem sido reconhecida em círculos literários, com a sua inclusão em publicações e eventos poéticos. A receção crítica tende a valorizar a sua voz lírica e a profundidade dos seus temas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas de Isabel Machado são um aspeto que pode ser inferido através da leitura da sua obra, mas não são explicitamente declaradas em fontes públicas. O seu legado assenta na contribuição para a poesia portuguesa contemporânea com uma voz distinta e sensível.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Isabel Machado convida à reflexão sobre a condição humana, a busca por significado e a complexidade das relações humanas e com o ambiente. As suas obras permitem diversas leituras, explorando as nuances da experiência individual.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser uma figura mais reservada, muitos aspetos menos conhecidos da sua personalidade e processo criativo permanecem fora do escrutínio público, permitindo que a sua obra fale por si.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável, pois Isabel Machado é uma autora contemporânea ativa.