Horst Bienek

Horst Bienek

1930–1990 · viveu 60 anos DE DE

Horst Bienek foi um proeminente romancista, poeta e dramaturgo alemão, conhecido pelas suas obras que frequentemente exploravam as complexidades da identidade alemã e as memórias da Segunda Guerra Mundial e do período pós-guerra. A sua escrita é marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana, a culpa e a busca por redenção num mundo dividido. Bienek é especialmente lembrado pela sua tetralogia "A Terra e o Céu", que oferece um retrato multifacetado da vida na Alemanha Oriental e Ocidental. A sua poesia, embora menos conhecida que a sua prosa, partilha temas semelhantes de memória, perda e a fragilidade da existência.

n. 1930-05-07, Gliwice · m. 1990-12-07, Munique

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A época seguinte

I
Há uma época
........e a época seguinte
sobre qual época gostaríamos de conversar?
II
Quando o cervo pastou junto ao leão
quando amadureceu a maçã para aquele que adubara a macieira
quando àquele que pescou o peixe permitiu-se também comê-lo
era uma época
....................época paradisíaca
..........................sobre a qual nossos ouvidos
apreciavam o sermão
Quando nos apertamos de bruços em catres de madeira
quando a escuridão trancafiou nossos corpos em suor
quando a fome esmigalhou-nos os sonhos e o sono
era uma época
....................época tenebrosa
..........................que não desejávamos
aos nossos inimigos
Quando os vigias berravam no pátio para nossa contagem
quando cavamos da terra o carvão com ferramentas cegas
quando buscamos uma resposta nas petrificações negras
por que essa época
....................assim era
...........................sobre a qual preferiríamos
haver lido nos manuais escolares
Quando voltamos sem lembrança às cidades natais
quando – incógnitos – misturamo-nos entre os habitantes
quando arrombamos suas portas e deixamos voltar a desconfiança
era uma época
....................época dolorosa
...........................em que transbordamos
em nossa aflição
III
Nós estamos no caminho de uma época
para outra
..............................mas aonde nos encaminhamos
..............................não haveremos de chegar
..............................às vezes nossos joelhos partem-se
..............................e a chuva molha nossos rostos
nós cantamos
.............ninguém nos ouve
.............(pois o cansaço
.............cola-nos de suor os lábios)
nossos gestos são trémulos
.............ninguém os compreende
.............(pois o desespero
.............rebenta-nos os braços do tronco)
nós continuamos
no caminho que leva de uma época
...........................à época seguinte
IV
Por compaixão jogam-nos palavras no colo
:
Die Zeit danach:/ I / Es gibt eine Zeit / und die Zeit danach / von welcher Zeit wollen wir reden? // II / Als das Reh neben dem Löwen weidete / als der Apfel reifte für den der den Apfelbaum düngte / als wer den Fisch fing ihn auch essen durfte / das war eine Zeit / paradiesische Zeit / von der wir gerne / predigen hörten. // Als wir zusammengedrängt lagen auf hölzernen Pritschen / als die Dunkelheit unsere schwitzenden Leiber einsperrte / als uns der Hunger den Schlaf und den Traum zerspellte / das war eine Zeit / finstere Zeit / die wir unseren Feinden / nicht wünschten // Als der Schrei des Wachmanns uns auf den Appellplatz jagte / als wir mit stumpfen Geräaten die Kohle aus der Erde gruben / als wir in den schwarzen Versteinerungen eine Antwort suchten / warum diese Zeit / so war / von der wir lieber / in den Lesebüchern gelesen hätten // Als wir heimkehrten in die Städte ohne Erinnerung / als – unerkannt – wir uns unter ihre Bewohner mischten / als wir einbrachen in ihre Häuser und den Argwohn zurückliessen / das war eine Zeit / schmerzliche Zeit / die wir unserer Trauer / zuschütteten // III // Wir sind auf den Weg von der einen Zeit / in die andere / doch wohin wir auch gehen / wir kommen nicht an / machmal brechen wir in die Knie / und der Regen nässt unsre Gesichter / wir singen / man hört uns nicht / (denn die Müdigkeit / schweisst uns die Lippen zusammen) / unsere Gesten sind zaghaft / man begreift sie nicht / (denn die Verzweiflung / schlägt uns die Arme vom Rumpf) / wir gehen weiter / auf dem Weg von der einen Zeit / ind die Zeit danach // IV // Mitleidig wirft man uns Wörter in den Schoss
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Biografia

Identificação e contexto básico

Horst Bienek (25 de maio de 1930 - 18 de novembro de 1990) foi um romancista, poeta, dramaturgo e jornalista alemão. É uma figura importante na literatura alemã do pós-guerra, conhecido pelas suas reflexões sobre a identidade alemã, as consequências da guerra e a vida na Alemanha dividida.

Infância e formação

Bienek nasceu em Gliwice (Gleiwitz), na Alta Silésia, uma região que após a Segunda Guerra Mundial se tornou parte da Polónia. A sua infância foi marcada pelas convulsões da guerra e pela subsequente expulsão da sua família da sua terra natal. Essas experiências traumáticas de deslocamento e perda de identidade moldaram profundamente a sua visão de mundo e a sua obra literária. Estudou literatura e jornalismo, e foi aluno de Bertolt Brecht.

Percurso literário

O percurso literário de Bienek começou com a poesia e o teatro. A sua experiência de vida na Alemanha Oriental, onde foi preso e perseguido pelo regime comunista, tornou-se uma fonte central para a sua escrita. Após deixar a Alemanha Oriental, estabeleceu-se na Alemanha Ocidental, onde desenvolveu o seu trabalho como romancista e jornalista. A sua obra mais célebre é a tetralogia "A Terra e o Céu", que o consagrou como um dos principais cronistas da história alemã.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Bienek é caracterizada por um estilo lírico e introspectivo, frequentemente tingido de melancolia e pessimismo, mas também de uma profunda humanidade. Os seus temas centrais incluem a memória, a culpa, a perda, o exílio, a busca por identidade e a crítica aos regimes totalitários. A sua prosa é detalhada e evocativa, capaz de recriar atmosferas densas e personagens complexas. Na sua poesia, explora a fragilidade da existência e a beleza encontrada na dor. Principais obras incluem a tetralogia "A Terra e o Céu": "A Noite dos Corvos" (1960), "A Ponte dos Suspiros" (1961), "O Primeiro Horário" (1962) e "O Caminho para o Campo" (1965).

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Bienek viveu e escreveu num período crucial da história alemã, testemunhando a ascensão do nazismo, a Segunda Guerra Mundial, a divisão da Alemanha e a Guerra Fria. As suas obras refletem diretamente o trauma coletivo e as divisões políticas que assolaram o país. Foi um crítico vocal dos regimes totalitários, tanto nazis quanto comunistas, e a sua vida pessoal foi marcada pela perseguição política.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida de Bienek foi profundamente afetada pelas turbulências políticas e históricas do seu tempo. A perda da sua terra natal na infância, a perseguição na Alemanha Oriental e o seu eventual exílio na Alemanha Ocidental deixaram marcas indeléveis. Essas experiências pessoais não apenas informaram a sua escrita, mas também moldaram a sua perspetiva sobre a condição humana e a busca por um lar e por significado.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Horst Bienek recebeu vários prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o prémio Agnes Miegel e o prémio cultural da Associação de Editores e Livreiros Alemães. A sua obra, especialmente a tetralogia "A Terra e o Céu", foi aclamada pela crítica e traduzida para várias línguas, garantindo-lhe um lugar de destaque na literatura alemã.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As suas principais influências literárias incluíram autores como Bertolt Brecht, Thomas Mann e Franz Kafka. O legado de Bienek reside na sua capacidade de explorar as profundezas da experiência alemã no século XX, oferecendo um testemunho poderoso sobre a memória, a culpa e a resiliência humana. A sua obra continua a ser estudada e apreciada pela sua relevância histórica e pela sua profundidade literária.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Bienek é frequentemente analisada sob a ótica da "literatura da culpa" e da "literatura do exílio". As suas narrativas exploram as complexidades da identidade alemã num mundo pós-guerra, a dificuldade de lidar com o passado e a busca por reconciliação consigo mesmo e com a história. A sua poesia oferece uma perspetiva mais íntima sobre a angústia existencial.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto pouco conhecido da sua vida é a sua atividade como jornalista investigativo, onde utilizou as suas habilidades literárias para expor injustiças. Bienek também mantinha um diário detalhado que, após a sua morte, revelou ainda mais sobre os seus pensamentos e sentimentos.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Horst Bienek faleceu em Munique, Alemanha, em 1990, após uma longa doença. A sua obra continua a ser publicada e estudada, assegurando a sua memória como um dos vozes mais importantes da literatura alemã do pós-guerra.

Poemas

1

A época seguinte

I
Há uma época
........e a época seguinte
sobre qual época gostaríamos de conversar?
II
Quando o cervo pastou junto ao leão
quando amadureceu a maçã para aquele que adubara a macieira
quando àquele que pescou o peixe permitiu-se também comê-lo
era uma época
....................época paradisíaca
..........................sobre a qual nossos ouvidos
apreciavam o sermão
Quando nos apertamos de bruços em catres de madeira
quando a escuridão trancafiou nossos corpos em suor
quando a fome esmigalhou-nos os sonhos e o sono
era uma época
....................época tenebrosa
..........................que não desejávamos
aos nossos inimigos
Quando os vigias berravam no pátio para nossa contagem
quando cavamos da terra o carvão com ferramentas cegas
quando buscamos uma resposta nas petrificações negras
por que essa época
....................assim era
...........................sobre a qual preferiríamos
haver lido nos manuais escolares
Quando voltamos sem lembrança às cidades natais
quando – incógnitos – misturamo-nos entre os habitantes
quando arrombamos suas portas e deixamos voltar a desconfiança
era uma época
....................época dolorosa
...........................em que transbordamos
em nossa aflição
III
Nós estamos no caminho de uma época
para outra
..............................mas aonde nos encaminhamos
..............................não haveremos de chegar
..............................às vezes nossos joelhos partem-se
..............................e a chuva molha nossos rostos
nós cantamos
.............ninguém nos ouve
.............(pois o cansaço
.............cola-nos de suor os lábios)
nossos gestos são trémulos
.............ninguém os compreende
.............(pois o desespero
.............rebenta-nos os braços do tronco)
nós continuamos
no caminho que leva de uma época
...........................à época seguinte
IV
Por compaixão jogam-nos palavras no colo
:
Die Zeit danach:/ I / Es gibt eine Zeit / und die Zeit danach / von welcher Zeit wollen wir reden? // II / Als das Reh neben dem Löwen weidete / als der Apfel reifte für den der den Apfelbaum düngte / als wer den Fisch fing ihn auch essen durfte / das war eine Zeit / paradiesische Zeit / von der wir gerne / predigen hörten. // Als wir zusammengedrängt lagen auf hölzernen Pritschen / als die Dunkelheit unsere schwitzenden Leiber einsperrte / als uns der Hunger den Schlaf und den Traum zerspellte / das war eine Zeit / finstere Zeit / die wir unseren Feinden / nicht wünschten // Als der Schrei des Wachmanns uns auf den Appellplatz jagte / als wir mit stumpfen Geräaten die Kohle aus der Erde gruben / als wir in den schwarzen Versteinerungen eine Antwort suchten / warum diese Zeit / so war / von der wir lieber / in den Lesebüchern gelesen hätten // Als wir heimkehrten in die Städte ohne Erinnerung / als – unerkannt – wir uns unter ihre Bewohner mischten / als wir einbrachen in ihre Häuser und den Argwohn zurückliessen / das war eine Zeit / schmerzliche Zeit / die wir unserer Trauer / zuschütteten // III // Wir sind auf den Weg von der einen Zeit / in die andere / doch wohin wir auch gehen / wir kommen nicht an / machmal brechen wir in die Knie / und der Regen nässt unsre Gesichter / wir singen / man hört uns nicht / (denn die Müdigkeit / schweisst uns die Lippen zusammen) / unsere Gesten sind zaghaft / man begreift sie nicht / (denn die Verzweiflung / schlägt uns die Arme vom Rumpf) / wir gehen weiter / auf dem Weg von der einen Zeit / ind die Zeit danach // IV // Mitleidig wirft man uns Wörter in den Schoss
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