Lista de Poemas
Ciranda de Mariposas
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são jóias, são brincos de ouro.
Ai! poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.
Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.
Publicado no livro O Menino Poeta (1943).
In: LISBOA, Henriqueta. O menino poeta. Ed. esp. ampl. Introd. Alaíde Lisboa de Oliveira. Il. Odila Fontes. Belo Horizonte: Impr. Oficial, 1975. p.129
É estranho que, após o pranto
De súbito cessou a vida
Foram simples palavras breves.
Tudo continuou como estava.
O mesmo teto, o mesmo vento,
o mesmo espaço, os mesmos gestos,
Porém como que eternizados.
Unção, calor, surpresa, risos
tudo eram chapas fotográficas
há muito tempo reveladas.
Todas as cousas tinham sido
e se mantinham sem reserva
numa sucessão automática.
Passos caminhavam no assoalho,
talheres batiam nos dentes,
janelas se abriam, fechavam.
Vinham noites e vinham luas,
madrugadas com sino e chuva.
Sapatos iam na enxurrada.
Meninas chegavam gritando.
Nasciam flores de esmeralda
no asfalto! mas sem esperança.
Jornais prometiam com zelo
em grandes tópicos vermelhos
o fim de uma guerra. Guerra?
Os que não sabiam falavam.
Quem não sentia tinha o pranto.
(O pranto era ainda o recurso
de velhas cousas coniventes.)
Nem o menor sinal de vida.
Tão-só no fundo espelho a face
lívida, a face lívida.
de A face lívida (1945)
Denúncia
— ó vendaval —
voam velozes e ferozes
à caça de carne humana.
Olhos de abutre
fisgam de rua em rua
alguma oferta de acaso.
Rindo brancura de dentes
mil poderes aceleram
rumo à vítima entrevista.
O mundo que lhes pertence
tomam ao revés — de assalto.
Sangram
despedaçam
matam
E ombros erguidos prosseguem
vitoriosos pressurosos
para os aplausos da seita.
de Pousada do ser (1982)
Não a face dos mortos
Nem a face
dos que não coram
aos açoites
da vida.
Porém a face
lívida
dos que resistem
pelo espanto.
Não a face da madrugada
na exaustão
dos soluços.
Mas a face do lago
sem reflexos
quando as águas
entranha.
Não a face da estátua
fria de lua e zéfiro.
Mas a face do círio
que se consome
lívida
no ardor.
de A face lívida (1945)
Séquito
por toda parte
antes que a coroa
lhe caia
de Reverberações (1976)
Frutescência
Calendário
fictícia
caindo da árvore
dos dias
de Reverberações (1976)
Sofrimento
uma pedra de sal.
Ficou o espírito, mais livre
que o corpo.
A música, muito além
do instrumento.
Da alavanca,
sua razão de ser: o impulso,
Ficou o selo, o remate
da obra.
A luz que sobrevive à estrela
e é sua coroa.
O maravilhoso. O imortal.
O que se perdeu foi pouco.
Mas era o que eu mais amava.
de Flor da morte (1949)
Assim é o Medo
cinza
Verde.
Olhos de lince.
Voz sem timbre
Torvo e morno
Melindre.
Da sombra espreita
à espera de algo
que o alente.
Não age: tenta
porém recua
a qualquer bulha.
No campo assiste
junto ao títere
à cruz que esparze
vivo gazeio
de nervosismo
com vidro moído
grácil granizo
de pássaros.
E que rascante
violino brusco
não arrepia
ao longo o azul
dos meus veludos
se, a noite em meio
cá no fundo
quarto escuro,
a lua arrisca
numa oblíqua
o olhar morteiro.
Dentro da jaula
(mundo inapto)
do domador
em fúria à fera
subsinuosa-
mente resvala.
Aos frios reptos
do ziguezague
em choque, súbito
relampagueio,
as duas forças
se opõem dúbias
se atraem foscas
para a luta
pelo avesso:
despiste e fuga
ouro e vermelho
desde a entranha.
As duas forças
antagônicas:
qual delas ganha
acaso
ou perde
o medo
frente a
frente ao
medo?
Publicado no livro Além da Imagem (1963).
In: LISBOA, Henriqueta. Obras completas I: poesia geral, 1929/1983. Pref. Fábio Lucas. São Paulo: Duas Cidades, 198
Comentários (0)
NoComments
HENRIQUETA LISBOA em 5 minutos| +Literatura
Sofrimento | Poema de Henriqueta Lisboa com narração de Mundo Dos Poemas
Henriqueta Lisboa por Abujamra
Henriqueta Lisboa: Obra completa - Comentário de Reinaldo Marques
Letra em Cena - A poesia de Henriqueta Lisboa
O Menino Poeta - Henriqueta Lisboa
Minha História Romântica | Poema de Henriqueta Lisboa com narração de Mundo Dos Poemas
Resenha do livro "Literatura oral para a infância..." (Henriqueta Lisboa) | Super Libris
Henriqueta Lisboa - Segredo | Poesia na Penumbra
HENRIQUETA LISBOA - Olhos tristes (poema recitado)
Elcy Lourdes e sua patrona Henriqueta Lisboa
HENRIQUETA LISBOA poema A MENINA SELVAGEM | RECITAÇÃO COM GEGLIANE SANTOS.
Poema SEGREDO de Henriqueta Lisboa, no Canal da Tia Lau
Os quatro ventos, de Henriqueta Lisboa (poema musicado) - teste para projeto futuro
Solange Maria e Coral Infantil - Segredo (Henriqueta Lisboa) / O Menino Poeta, Canções E Poemas
Henriqueta Lisboa - Curta
HENRIQUETA LISBOA poema NOTURNO | RECITAÇÃO COM GEGLIANE SANTOS.
Henriqueta Lisboa - Poema A Infância | Poesia Declamada | Melhores Poetisas do Brasil | @Euiancoski
"O Palhaço" (Affonsinho/Henriqueta Lisboa)
Luiza recitando "O menino poeta" - Henriqueta Lisboa
Henriqueta Lisboa - Espírito- TESOUROS e outros / Arael Magnus -canal
Convite à POESIA de HENRIQUETA LISBOA: história e poemas
A Menina Selvagem - Henriqueta Lisboa
HENRIQUETA Lisboa
Paulinyi + Henriqueta Lisboa: Canção "o tempo é um fio" 17 outubro 2019, UnB, com Bochmann
Mirinha - O Menino Poeta (Henriqueta Lisboa) / O Menino Poeta, Canções E Poemas, 1985
cmei Henriqueta Lisboa, um abraço pela paz
De súbito cessou a vida | Henriqueta Lisboa
Poesia infantil:Tempestade 🌧🌬 Henriqueta Lisboa
Os Lírios (Henriqueta Lisboa)
Tempestade - Henriqueta Lisboa
Dia da Poesia - "Segredo", de Henriqueta Lisboa - Jordana Teixeira
Palavra de Poeta I Henriqueta Lisboa
Aqui morou Henriqueta Lisboa
ORGULINA, de Henriqueta Lisboa
Henriqueta Lisboa ✦ Infância
O tempo é um fio - Henriqueta Lisboa
Henriqueta Lisboa "Modelagem-Mulher"- por Rita Barbosa
O mistério da mulher Henriqueta Lisboa por Abujamra
A MENINA E O QUIBUNGO, de Henriqueta Lisboa
Henriqueta Lisboa ( Palavras )
Denúncia (Poema), de Henriqueta Lisboa
Projeto Recita Criança - Castigo, de Henriqueta Lisboa
Henriqueta Lisboa - Noturno - Leitor da noite
Poesia "Segredo" de Henriqueta Lisboa #poesiacurta #poesia #passeiopelapoesia
a cratera da henriqueta lisboa
Programa Provocações - O Mistério da Mulher - Henriqueta Lisboa
Restauradora (Henriqueta Lisboa)
172 - Olhos tristes - Henriqueta Lisboa
Video de apresentação
Português
English
Español