Lista de Poemas
Absoluto e nada
Tenho uma certeza,
mas não é absoluta, nem chega perto de nada.
Minha certeza é como o sol ao dia,
como a morte das folhas.
Às vezes cresce, às vezes derrapa nas
madrugadas,
quando mais sinto a tristeza se hospedando.
Tenho uma certeza pobre, delicada e extinta,
voltando a casa com os pés cansados,
chutando as mágoas nas portas vizinhas.
Tenho quase certeza, quase esperança...
(e quase nada)
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POR DETRÁS DAS MONTANHAS
Às vezes eu paro para não me encontrar
e adivinho ruídos incertos e um porão de escombros.
Seu auditório, um pouco fora, se escuta em surdina.
Aproxima-se o vento com a sua face agitada.
Pelo alto, ascende ainda mais a vida, em prismas
Poliedros
da vida mesma.
São narizes aonde quer que elas cheirem a sua fuligem.
Tudo se espreme...
Até onde o espaço permite a densidade dos homens.
Intento respirar a ideia de não ser o único sem casa,
e não compreendo a bem-vinda dos discursos e seus vértices.
Há que ocupar-se para não morrer de tédio
e exigir liberdade para que tenha sentido.
Tudo aqui é um moribundo vale de vacas apertadas,
produzindo carne e soçobra.
A devoção de abster-se de razões.
Às vezes caminho para não me encontrar, e ali estou,
junto aos charcos, em algum canto de caracóis...
Assistindo aos meus umbrais.
e adivinho ruídos incertos e um porão de escombros.
Seu auditório, um pouco fora, se escuta em surdina.
Aproxima-se o vento com a sua face agitada.
Pelo alto, ascende ainda mais a vida, em prismas
Poliedros
da vida mesma.
São narizes aonde quer que elas cheirem a sua fuligem.
Tudo se espreme...
Até onde o espaço permite a densidade dos homens.
Intento respirar a ideia de não ser o único sem casa,
e não compreendo a bem-vinda dos discursos e seus vértices.
Há que ocupar-se para não morrer de tédio
e exigir liberdade para que tenha sentido.
Tudo aqui é um moribundo vale de vacas apertadas,
produzindo carne e soçobra.
A devoção de abster-se de razões.
Às vezes caminho para não me encontrar, e ali estou,
junto aos charcos, em algum canto de caracóis...
Assistindo aos meus umbrais.
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SUSTRATO
Puse mis ojos en ti,
errantes.
Orbitando tu existencia,
se hicieron planetas,
lunas de papel
almizcle.
Galaxias enteras,
nacieron.
Universos fundó tu
pensamiento,
algunos muertos, infecundos,
sin savia posible.
Otros repletos de brío,
agitados.
Unos pocos,
habitados por hombres y mujeres,
que no pueden ver,
aprenden a rezarte.
Temen tu ira,
saberse apagados por un doblez de mano.
Te aman más de lo
que pude.
Nunca a ciegas...
(Será certeza
absoluta)
dirán el nombre en
vano.
errantes.
Orbitando tu existencia,
se hicieron planetas,
lunas de papel
almizcle.
Galaxias enteras,
nacieron.
Universos fundó tu
pensamiento,
algunos muertos, infecundos,
sin savia posible.
Otros repletos de brío,
agitados.
Unos pocos,
habitados por hombres y mujeres,
que no pueden ver,
aprenden a rezarte.
Temen tu ira,
saberse apagados por un doblez de mano.
Te aman más de lo
que pude.
Nunca a ciegas...
(Será certeza
absoluta)
dirán el nombre en
vano.
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Escritor português, natural de Condeixa-a-Nova. Na Universidade de Coimbra, licenciou-se em Medicina, que exerceu, em Condeixa-a-Nova e nas regiões da Beira Baixa e Alentejo. O seu volume de estreia foi Relevos (1938), livro de poesia ligado ainda às tendências do grupo da Presença. Três anos mais tarde, Terra (também poesia) dava início à publicação do Novo Cancioneiro, órgão do neo-realismo, que então começava a afirmar-se. Entretando, publicara, também em 1938, o romance As Sete Partidas do Mundo (Prémio Almeida Garrett), que marcava já a viragem ao encontro do neo-realismo. A sua obra evoluiu, de uma forma geral, no sentido de um amadurecimento dos preceitos estéticos desta corrente, o que o levou a enveredar por um caminho mais pessoal. Não desdenhando a análise de problemas sociais, os seus textos foram sendo progressivamente marcados por aspectos de picaresco, por observações naturalistas e, até, por alguma ressonância do existencialismo. Fernando Namora foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se aliou uma linguagem de grande carga poética. Escreveu, para além de obras de poesia e romances, contos, memórias e impressões de viagem. Entre os títulos que publicou, encontram-se os volumes de prosa Fogo na Noite Escura (1943), Casa da Malta (1945), As Minas de S. Francisco (1946), Retalhos da Vida de Um Médico (1949 e 1963), A Noite e a Madrugada (1950), O Trigo e o Joio (1954), O Homem Disfarçado (1957), Cidade Solitária (1959), Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego), Os Clandestinos (1972) e Rio Triste (1982); e as obras de poesia Mar de Sargaços (1940) e Marketing (1969). Escreveu ainda volumes de textos de memórias, anotações de viagem e crítica como Diálogo em Setembro (1966), Um Sino na Montanha (1970), Os Adoradores do Sol (1972), Estamos no Vento (1974), A Nave de Pedra (1975), Cavalgada Cinzenta (1977) e Sentados na Relva (1986). A sua produção poética foi reunida, em 1959, no volume As Frias Madrugadas.
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