Lista de Poemas
A Mariposa
És a mariposa
solitária da noite,
invadindo casas
e buscando abrigo
no contorno delicado
de uma lâmpada fluorescente.
Venha, mariposa
que invade minha noite,
bata suas asas
e fuja do perigo
no sonho acorrentado
pelos lapsos da mente.
Seja livre, mariposa
inquieta da noite,
pois as vidas rasas
andarão contigo
e, com os olhos calados,
não entenderão os seus anseios.
Voe, mariposa
que abre a noite,
há luas maiores
e maiores motivos
além dos moldados
pelos desígnios alheios.
solitária da noite,
invadindo casas
e buscando abrigo
no contorno delicado
de uma lâmpada fluorescente.
Venha, mariposa
que invade minha noite,
bata suas asas
e fuja do perigo
no sonho acorrentado
pelos lapsos da mente.
Seja livre, mariposa
inquieta da noite,
pois as vidas rasas
andarão contigo
e, com os olhos calados,
não entenderão os seus anseios.
Voe, mariposa
que abre a noite,
há luas maiores
e maiores motivos
além dos moldados
pelos desígnios alheios.
👁️ 174
Íris e Pupila
Nunca gostei do meu corpo
e eu entendo bem o porquê,
mas eu tolero os meus olhos
quando refletem você.
e eu entendo bem o porquê,
mas eu tolero os meus olhos
quando refletem você.
👁️ 169
Mente Encaixada
O que escondes nessa caixa
Guardada com tanto zelo?
Um mistério que se encaixa
Em nenhum outro modelo?
Seja a caixa de pandora
Que ocultas, apreensiva,
Ou o retrato de uma aurora
Quando mostras a gengiva;
Não importa, apenas não deixe
Esse universo teimoso
Se apagar em triste feixe
No espaço escuro e penoso.
Pois a caixa é um tesouro
De valor excepcional:
O brilho mais duradouro
Da sua alma original.
Guardada com tanto zelo?
Um mistério que se encaixa
Em nenhum outro modelo?
Seja a caixa de pandora
Que ocultas, apreensiva,
Ou o retrato de uma aurora
Quando mostras a gengiva;
Não importa, apenas não deixe
Esse universo teimoso
Se apagar em triste feixe
No espaço escuro e penoso.
Pois a caixa é um tesouro
De valor excepcional:
O brilho mais duradouro
Da sua alma original.
👁️ 153
Tempo e Tempo
Hoje não há sol
que ilumine as avenidas,
muito menos luz
que surja entre os postes;
hoje o verso não é poesia
e a rima vive pela própria sorte.
Hoje é o amanhã
e o amanhã é sempre a morte
seguindo o renascimento,
dissipando o vento forte,
pela bruma inquieta
transitando entre cortes.
Amanhã será refeito
com o mesmo ar de hoje:
uma angustia sobre o peito
da humanidade que explode.
que ilumine as avenidas,
muito menos luz
que surja entre os postes;
hoje o verso não é poesia
e a rima vive pela própria sorte.
Hoje é o amanhã
e o amanhã é sempre a morte
seguindo o renascimento,
dissipando o vento forte,
pela bruma inquieta
transitando entre cortes.
Amanhã será refeito
com o mesmo ar de hoje:
uma angustia sobre o peito
da humanidade que explode.
👁️ 131
Amético
Eu amo você,
não essa sensação escrachada
de pertencimento e adoração,
não essa certeza frágil
de saber que alguém lhe preza,
mas sim a substância
e o produto que transforma matéria
bruta em figuras sinérgicas
(das quais todas se equilibram
de uma maneira que, de outra forma,
não seriam aquilo que são).
É isso que amo,
sem mais nem menos.
não essa sensação escrachada
de pertencimento e adoração,
não essa certeza frágil
de saber que alguém lhe preza,
mas sim a substância
e o produto que transforma matéria
bruta em figuras sinérgicas
(das quais todas se equilibram
de uma maneira que, de outra forma,
não seriam aquilo que são).
É isso que amo,
sem mais nem menos.
👁️ 204
Orvalho
Um arrepio súbito
Cobre-me os sentidos
E quebra meu disfarce
Entre os alaridos
De um impulso em decúbito,
Rasgando os tecidos,
Tentando se levantar.
E falta ar e verdade
Na realidade
Que permeia o covarde
E o ator convencido
Contracenando, ileso,
Tornando coeso
O sorriso fingido.
Um espelho quebrado
É outro advogado
Destas causas perdidas,
Reflexo contrário
Da lágrima contida,
Que só sai escondida,
Dos olhares do mundo.
Cobre-me os sentidos
E quebra meu disfarce
Entre os alaridos
De um impulso em decúbito,
Rasgando os tecidos,
Tentando se levantar.
E falta ar e verdade
Na realidade
Que permeia o covarde
E o ator convencido
Contracenando, ileso,
Tornando coeso
O sorriso fingido.
Um espelho quebrado
É outro advogado
Destas causas perdidas,
Reflexo contrário
Da lágrima contida,
Que só sai escondida,
Dos olhares do mundo.
👁️ 311
(Às) Quatro Paredes
O atrito do tecido
E o encontro de dois lábios
Queimando no contato,
Entreabrindo em gemidos,
Suaves como o toque
Da flecha endereçada
Pelo arco do cupido.
O compasso ofegante
De um amor tão dolorido
Curando suas mágoas
Na fonte do proibido,
Na curva inebriante
E no ensejo decidido
Pelos olhos predatórios.
O braço que circunda
Uma tempestade aflita
E conduz os espasmos
De volúpia irrestrita
Pelos cantos do corpo
Até que as chamas se tornem
Enormes labaredas.
Macia como a seda,
Ainda que incandescente,
Deslizando pela pele
Em um ritmo crescente
Até que as mãos se encontrem
E se agarrem, silentes,
Para que todo o prazer
Se condense em um som
No quarto e na mente.
E o encontro de dois lábios
Queimando no contato,
Entreabrindo em gemidos,
Suaves como o toque
Da flecha endereçada
Pelo arco do cupido.
O compasso ofegante
De um amor tão dolorido
Curando suas mágoas
Na fonte do proibido,
Na curva inebriante
E no ensejo decidido
Pelos olhos predatórios.
O braço que circunda
Uma tempestade aflita
E conduz os espasmos
De volúpia irrestrita
Pelos cantos do corpo
Até que as chamas se tornem
Enormes labaredas.
Macia como a seda,
Ainda que incandescente,
Deslizando pela pele
Em um ritmo crescente
Até que as mãos se encontrem
E se agarrem, silentes,
Para que todo o prazer
Se condense em um som
No quarto e na mente.
👁️ 296
Mãos Vazias
Minhas mãos vazias
carregam o mundo
que é tão profundo
quanto as tardes frias.
Vivo o amor platônico,
pois preciso tê-lo,
não me importa vê-lo
sob o mar disfônico.
É inútil ler
e estudar matérias
que, se fossem sérias,
saberiam ser.
Um saber disforme
é o que armazeno
dentro de um terreno
inóspito e enorme.
Às vezes eu grito,
só para testar
minha voz, pelo ar
que tanto me ignora.
O tédio me adora
e a ele eu me agarro,
não há café ou cigarro,
o tédio me basta.
A afeição me afasta
e sei que mereço,
pois eu nunca cresço
e esqueço o espinho.
A flor mais bonita
não chora, não grita
e sofre calada,
vive de carinho.
Sou uma planta amassada
perdida na relva;
entre os dedos eu carrego
a essência do nada.
carregam o mundo
que é tão profundo
quanto as tardes frias.
Vivo o amor platônico,
pois preciso tê-lo,
não me importa vê-lo
sob o mar disfônico.
É inútil ler
e estudar matérias
que, se fossem sérias,
saberiam ser.
Um saber disforme
é o que armazeno
dentro de um terreno
inóspito e enorme.
Às vezes eu grito,
só para testar
minha voz, pelo ar
que tanto me ignora.
O tédio me adora
e a ele eu me agarro,
não há café ou cigarro,
o tédio me basta.
A afeição me afasta
e sei que mereço,
pois eu nunca cresço
e esqueço o espinho.
A flor mais bonita
não chora, não grita
e sofre calada,
vive de carinho.
Sou uma planta amassada
perdida na relva;
entre os dedos eu carrego
a essência do nada.
👁️ 329
Reflexos Entre Pupilas
Vejo cada abalo
No seu continente
E, por fim, me igualo
Ao nosso estado
De horror covalente.
Eu queria ser outra
pessoa, mais alegre,
Para ter esperança
Sem que algo desintegre
Em meio à bonança.
Mas nós somos o que somos
E esperamos um ao outro
Com olhares espelhados,
Cavalgando qual um potro,
Buscando a imagem dos prados.
Somos melancólicos,
Ainda assim amorosos
Nos gestos simbólicos
E em dias penosos,
Sempre verdadeiros.
No seu continente
E, por fim, me igualo
Ao nosso estado
De horror covalente.
Eu queria ser outra
pessoa, mais alegre,
Para ter esperança
Sem que algo desintegre
Em meio à bonança.
Mas nós somos o que somos
E esperamos um ao outro
Com olhares espelhados,
Cavalgando qual um potro,
Buscando a imagem dos prados.
Somos melancólicos,
Ainda assim amorosos
Nos gestos simbólicos
E em dias penosos,
Sempre verdadeiros.
👁️ 313
Disritmia Notívaga
Na madrugada, versos e sangue
correm na mesma veia
dilatada pelo pensamento
(imagens antigas, explosões,
taquicardia, pressão, amor,
desejo, prazer e paixão).
Se acalmem! Sou um apenas
para tanto coração.
correm na mesma veia
dilatada pelo pensamento
(imagens antigas, explosões,
taquicardia, pressão, amor,
desejo, prazer e paixão).
Se acalmem! Sou um apenas
para tanto coração.
👁️ 348
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Reside em Curitiba, no Paraná. Apaixonado por música e poesia.
Escritor de diversos poemas e textos que focam na expressão do sentimento humano,
prioriza a sinceridade em cada verso, sendo um grande fã de Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe e Carlos Drummond de Andrade.
Interessando pela filosofia e pelas correntes de pensamento céticas, niilistas, existencialistas e clássicas (greco-romana e iluminista); entusiasta das crônicas e um realista que persegue o romantismo inalcançável, ainda que sublime.
Para mais conteúdos: https://www.wattpad.com/user/EduardoBecherBern
Escritor de diversos poemas e textos que focam na expressão do sentimento humano,
prioriza a sinceridade em cada verso, sendo um grande fã de Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe e Carlos Drummond de Andrade.
Interessando pela filosofia e pelas correntes de pensamento céticas, niilistas, existencialistas e clássicas (greco-romana e iluminista); entusiasta das crônicas e um realista que persegue o romantismo inalcançável, ainda que sublime.
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