Lista de Poemas
A revolta e o convite
I
Uma rosa e um punhal, na superfície plana
e o eterno convite, a solução de tudo.
Não pedi para vir. A vinda foi forçada.
II
Não pedi para vir. A vinda foi forçada.
Mas a quem reclamar? Há-de ficar-se mudo.
Foi uma imposição, de impossível recusa.
III
Foi uma imposição, de impossível recusa
o descer a este chão, desvestido e sozinho,
da Força Superior que me tirou do nada.
IV
Da Força Superior que me tirou do nada,
não houve ouro nem prata, e nem mesmo o cadinho,
sob o signo infeliz da natureza humana.
V
Sob o signo infeliz da natureza humana
restou o rastejar na sujeira e no barro,
o convite diário, a invitação da musa.
VI
O convite diário, a invitação da musa
para a fuga esperada, a cujo fim me agarro.
Uma rosa e um punhal na superfície plana.
COROA
Não pedi para vir. À vinda foi forçada.
Foi uma imposição, de impossível recusa,
da Força Superior que me tirou do nada.
Sob o signo infeliz da natureza humana,
o convite diário, a invitação da musa,
uma rosa e um punhal na superfície plana.
Sextina das aspirações
a noite com seu dia,
o rio sem a cheia,
nossa mente vazia,
a face e as suas cores,
a planta e as suas flores.
Que tudo fossem flores
na complicada teia.
O verão só de cores,
o sol no claro dia,
a mão nunca vazia
e a taça sempre cheia
de vinho. Sempre cheia.
Vasos sempre com flores,
nunca a mesa vazia.
Tecida sempre a teia
do dia antes do dia,
sem sombras, só de cores.
Maravilhosas cores
- no céu de lua cheia
da noite após o dia -
tecidas só de flores
como invisível teia
dos aranhóis. Vazia
como a roupa vazia,
no universo das cores,
das traições da teia,
a vida sempre cheia
de frutos e de flores
no dia após o dia.
Assim, em cada dia
desta casa vazia
- numa ausência de flores,
na carência das cores -
que seja a vida cheia,
fio de plena teia.
Vazia nunca, cheia
de cores e de flores,
do dia à enorme teia.
Teia nunca vazia.
De flores e de cores
cheia. À vida do dia.
Sextina do grande nada
que é simples porção do nada?
Por que esse universo surdo
que menos diz do que cala?
Por que se existe e se pensa?
- Qual a razão da existência?
De um sopro fez-se a existência
o grande vácuo que é tudo.
A balança infiel e pensa
(a que pesa o Ser e o Nada)
espanta o ser que se cala
quando soa o som do surdo.
Que bom ter nascido surdo
e mudo (pela existência
da surdez). A voz que cala
sabe a ciência de tudo.
Que é todo o saber do nada
não dizer-se o que se pensa.
Quem sofre a dor e quem pensa
a ferida, (o ouvido surdo,
a essência do grande nada,
o vazio da existência,
o saber que o nunca é tudo),
sabe o inútil, e se cala.
Feliz de quem ouve e cala,
inspira o nada e não pensa
e se realiza de um tudo!
Desse silêncio é que eu surdo
no surdir para a existência
do Mar Não, onde se nada.
Na Terra do Não, o Nada
é embarcação que não cala
a quilha, e sua existência
é de barca também pensa,
se o marcador bate o surdo
e os remos não podem tudo.
Aquele que pensa e cala
e à existência faz-se surdo
conquistou o Nada e o Tudo.
Saltimbancos
que é preciso que alguém envergue o traje
das púrpuras e guizos, no vazio.
Todo silêncio é triste. E a madrugada
que está sendo construída neste instante
não deve ter nos passos, quando venha,
senão um canto exato como um rito.
Se cada madrugada que rebenta
é produto de um reino de trabalho
que além palpita, e nós o não sabemos,
pois nascemos de noite mal nascidos
de cérebro e sentidos amputados.
As palavras nos negam. 0 cristal
dorme na rocha e nasce como rosa
enquanto a flor que nasce da palavra
na própria inconsistência se desata.
Por isso o reino é nada, e os saltimbancos
valem mais do que o rei e os sacerdotes,
se eles são, no que dizem, no que pregam,
mais verdadeiros posto que mais falsos.
Dos ditos que diremos saltimbancos
claros ou não que sejam se conclua
que os países da infância são distantes
mas únicos na altura e na verdade.
Na sua neve dorme a consistência
dos anjos e das pétalas noturnas
que nenhuma mulher nos trouxe nunca
por mais que dela o vento nos falasse.
Não saberão, por certo, os da assistência,
que a verdade só vive nas comédias
as quais palpitam sempre como sangue.
Então nós construiremos um silêncio.
Se outra coisa não foram as palavras
faladas até hoje, na constância
que se permite aos tempos provisórios,
sob as sombras e a luz, senão silêncio.
Seremos saltimbancos, envergando
as púrpuras e os guizos, no vazio.
Canção do que fala
Ás
A Justiça é um jogo.
Um jogo de interesses,
um jogo de paixões.
Raramente a Balança.
No entanto, quase sempre,
os azares do jogo.
A condição humana.
A ciência cultural.
Só nos resta jogá-lo
com o máximo empenho,
e toda a inteligência,
toda a força da Vida,
temperada no fogo
e no sangue e no Amor.
Não importa a Sentença.
Feita do inescrutável,
imune a todo oráculo.
Canção perplexa, diante de Bob assassinado.
é um passaporte (para a morte).
Onde se fala de igualdade
e se pratica a distinção.
Seu filho diz que ê irmão dos povos.
Nem mesmo é irmão do próprio irmão.
Foi Abe há tempo, após foi John,
E King, e Bob, e tantos são.
Há um país onde a bondade
só tem um prêmio • punição.
Por quê? Pergunta a voz do espanto.
Seu povo é bom, os povos são
como as crianças na pureza.
A culpa cabe à direção.
E quem dirige na verdade
essa potência de nação,
não é um homem, não são homens,
que esses estão na escravidão.
Pois são cérebros eletrônicos
hoje os heróis da usurpação,
terríveis máquinas sem alma,
sem o calor do coração,
sem a grandeza da fraqueza,
do erro e de sua redenção,
que encaram sempre a humanidade
medida em termos de equação.
Qual a esperança que nos resta
ante o poder dessa nação,
diante da Máquina insensível?
Que Deus nos guarde. . . Não sei, não.
E há um país de negros pobres
um pouco ao sul, a escuridão
fica na pele, não penetra
de sua gente o coração.
De grandes padres que hoje pregam
a verdadeira religião,
a que se encontra no Evangelho
que foi do Cristo a ensinação.
De um povo inculto e desnutrido
mas professor dessa lição:
de crença viva em liberdade,
de paciência na opressão,
da tolerância que se espalha
de litoral até sertão,
dessa igualdade só possível
depois da miscigenação,
que em voz de samba explica ao mundo
entre o compasso do violão,
que toda noite que prospera
é na verdade a anunciação
da grande aurora que, na sombra,
já vive a plena gestação.
Dístico para as portas do Recife
A quem vem se diga:
percorra a cidade
como quem afaga
o corpo despido
da mulher amada.
Que o faça pois com
carinho e cuidado.
soneto XXIII - Asas quebradas
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
Pela paz de maio e junho
que nos idos, em grupo, tornaríamos
às fáculas antigas, quando estavam
quanto mais velhas tanto mais acesas,
assim fomos e vimos. Era o tempo
doutra luz, essa que se tem mais forte,
presa na carne e no osso e resguardada
pelas fronteiras rígidas da sombra.
Nas citadas planícies nos perdemos
e era mais que do tato um só caminho
para este externo mundo que nos guarda.
Por elas compreendemos do sentido.
E soubemos que apenas tênues rosas
têm fundações mais fortes do que pedra,
que mais que pedras vale, compreendemos,
a força enclausurada nas raízes
Então fomos ficados neste campo
de teto e espaço e fumo que nos cobre,
porquanto que o soubemos mais seguro
e que os mundos alheios valem menos
visto que em muito grandes são fundados
em brancos alicerces de fumaça.
Considerado o mar, nós nos despimos
do marítimo traje com que estavam
corpos ao sol e à chuva resguardados.
Se era o mar fabricado em movimento
que lhe dá toda a essência e qualidade,
para restarmos todos sobre o verde
e o vermelho do chão que nos ampara.
Que a nossa inconsistência será sempre
o mais caro de nós, ficamos crendo.
Repousa um tédio imenso na certeza.
E então faz-se de bem que a não tenhamos
senão essa de pouca com que temos
que o vermelho do piso, mais o verde,
nos serão toda a paz ambicionada
Que as fáculas não faltem, de resina,
e os limites da sombra estejam longe,
para que seja a paz feita possível
longe das rosas flácidas de estanho,
que essas não têm raízes, e repousa
nas raízes a força do que vive,
ou se têm, ai, são brancas, ai, são tênues,
visto serem construídas de fumaça.
- Seremos vegetais em verde e rubro
nas calendas de junho que vem vindo.
soneto V - Os loucos e eu somente
já não são mais ternura e ingenuidade,
e em loucos, neles só, terão reflexos
meus desejos que vêm de infância antiga.
E seremos na sombra as borboletas
de uma sombra maior, de um mundo morto,
mundo em que ardem de febre e enfermidade
os que brincam de roda na calçada.
Comporemos, os loucos e eu somente,
castelos sobre céus abandonados
e um carnaval de lâmpadas mortiças.
E à noite, quando houver faltado o azeite,
cantaremos canções, canções tão lúcidas
que alguns nem saberão que somos loucos.
Comentários (3)
Mas um orgulho para sua bisneta??
Parabéns pela iniciativa. Lindos trabalhos. Grade sensibilidade e de profunda inteligência
Querido primo. Um dos homens mais inteligentes que conheci na vida até hoje. Meu primeiro Mestre, aprendi muito com ele. Gratidão !
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