Lista de Poemas
Família Lugar
duas margens.
O que se planta nos lados
é que o separa.
Aqui o cemitério
lá lagoa da trindade.
Aqui os entregues
lá os escolhidos
em severa matemática.
Para um devoto
tudo é muitas coisas.
Uma ravina de águas
que envolve
vivos e mortos.
Por isso é direito
passar a um lado do rio
a capela
e o cemitério.
Em ambos se viaja
bem vestido e forro.
Em ambos espera
um domingo
de várias línguas.
Aqui no cemitério
homens multiplicam.
E o que fazem
está na oficina
do entendimento.
Essa é a margem
silenciosa do rio.
E mal permite
a ruga do tamboril.
Lá a capela
nave sem instrumentos.
Nela o que inspira
é a música os santos
no reinado.
Um negro do rosário
faz uma as outras coisas.
Na ravina do rio
lá e aqui são capela
e cemitério.
Estamos nós, os Bianos,
de enigma resolvido.
A lagoa onde somos
tem idéias de rio.
Aqui e lá peças
dos olhos em movimento.
Como são na diferença
os mesmos Deus
e Zambiapungo.
30 [um menino pode com o infinito
mas não pode um policial
crescer tanto que o diminua
afinal como pode um esqueleto
roer a música que o atravessa
um menino é também infinito
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Ô Lapassi & Outros ritmos de ouvido. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 1990. p.42. (Coleção Prêmio de Literatura UFMG
3 [o trompetista engole
a contraluz
no cubículo o som
evola como um
papiro
é Dixie a canção
que sabemos
o trompetista ausente
faz suar nossas axilas
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Ô Lapassi & Outros ritmos de ouvido. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 1990. p.15. (Coleção Prêmio de Literatura UFMG
Em Cabo Verde
Ouço-os com as pérolas
e os nãos de sal.
Amo o regresso
sem haver partido.
Amo a estrela outra
quando a noite
Os barcos
desperdiçam o cais:
à morte é que os peixes
brilham.
Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Alguma Dança com Nicolás Guillén.
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.165
NOTA: Título original do poema: "Em Cabo Verde, com Ovídio Martins
Amor
senhora das origens.
... Reina sobre 'todas as águas do
mundo' doces e salgadas.
... deusa das águas primevas que são
(...) 'fons et origo, matrizes de todas as
possibilidades da existência'."
És a pura indagação de meus seios. Ainda que
o céu se quebre não te condenarei. As águas,
minhas filhas, abrem sete canoas, mas por elas
não te perderás. Meu ventre respira a sabedoria
dos peixes, este amor de algas nos olhos.
Suplico-te não mais que a humildade das flores
entregues à chuva.
Publicado no livro O livro de falas ou Kalunbungu: achados da emoção inicial (1987).
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.21
Induca Maria do Rosário
está?
O menino entrou na parede
e sumiu no escuro
da sala.
Induca, cheguei tarde
seus olhos estavam prontos.
Outro menino entra na parede
com uns biscoitos
muitos brancos.
Eh, Induca, a vida onde
está?
Espero que a noite desça
com paciência, espero.
Você chamará atenção do medo
com um provérbio.
Iinduca, os meninos
vêm saindo da parede.
A noite é outra e se curva.
Eu sei, eu sei
um provérbio.
Orelha Furada
em sua casa um maconde.
Dançar o nome pai dos deuses que pode tudo
neste mundo e suportar o lagarto querendo ser
bispo na sombra.
Dançar o nome miséria, estrepe e tripa que a
folha do livro é. E se entender dono das letras
em sua cozinha.
Dançar o nome em sete sapatos limpos para
domingo.
Dançar o nome com a mulher nhora dele: a
mulher no seu coração tempestade e ciranda.
Dançar o nome com o braço na palavra berço.
Ouro Preto - Roteiro de Interpretação
e a rouquidão do ouro, o visitante olhar
não funde o corpo ao tempo: outeiros
tão escuros e não compreende o silêncio
de um totem antes jamais percebido.
O barroco não é o cansaço do ouro
mas o direito do explorado corpo.
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Ô Lapassi & Outros ritmos de ouvido. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 1990. p.60. (Coleção Prêmio de Literatura UFMG
Ouvido
um amuleto.
Aprende o riso dos mortos,
das pedras ouve a música.
Roubado em seu segredo
o viajante desaparece.
A cobra muda de veste,
o homem perde o corpo.
Publicado no livro Árvore dos arturos & Outros poemas (1988). Poema integrante da série Contos Africanos: Reinvenção de Imagens.
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.193
NOTA: Título original do poema: "O Ouvido. Conto de Angola
Míticos
Os livros, em sua quietude,
nos preservam.
Trazemos risos sem autores
e sabedorias ocultas.
Continuamos, olhos ardentes,
quando até o tempo descuidou-se.
Publicado no livro Corpo imprevisto & Margem dos nomes (1989). Poema integrante da série Margem dos Nomes.
In: PEREIRA, Edimilson de Almeida. Corpo vivido: reunião poética. Juiz de Fora: Ed. D'Lira; Belo Horizonte: Mazza Ed., 1992. p.88
NOTA: Referência aos versos [O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,/ a vida presente.], do poema "Mãos Dadas", do livro SENTIMENTO DO MUNDO (1940), e ao poema "Procura da Poesia", do livro A ROSA DO POVO, de Carlos Drummond de Andrad
Comentários (1)
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