Escritas

Lista de Poemas

Eros

Sou preferido filho de Vênus
sinta minha libido molhada
que procura sua fenda imaculada
e inocula prazer feito veneno

Sou língua, enorme ou lingüeta
sou falus, penetro e me calo
no calor da sua rósea buceta
sou macho, falo com meu talo

Ouça trovões do poeta guerreiro
provoco a ira ou o desejo com ardor
sou um deus fruto da deusa do amor

Beba, sou deleite jorrando e engula
mate a sede, sou corpo na sua gula
quero, profano e arrombo, sou Eros

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Mulher das águas

És mulher das águas,
quando recebes em teu corpo a espuma
como bruma e beijas sábia ventura.

Tão doce tua voz como mel,
quando acalentas o rouxinol cansado
e embriagas de amor o querubim no céu.

No campo desabrocha o suave lírio,
quando tuas mãos tocam o vento
e no etéreo molduras um mosaico delírio.

Teus afagos são gemidos como músicas lascivas,
quando entorpecem as almas dos poetas loucos
e calam a noite de inveja das estrelas em orgia.

Cai a última pétala em tua túnica suave graça,
quando brilham os olhos da esmeralda e da pérola
e silencia quem passa e nunca vira mulher tão bela.

És mulher tão linda e sábia,
quando a manhã faz da sabedoria um sorriso dela
e da poesia um desejo lânguido nesse dia.

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Soneto do passaralho

Moça, venha para o rio.
Tire a saia. Deixe sua
vergonha escondida entre
as folhas de samambaia.

A água límpida, como
minha intenção, vai
apenas lhe refrescar
do forte calor de verão.

Se porventura ou descuido
encostar meu corpo ao seu
não se assuste, ele sou eu.

Feche os olhos e segure
com carinho. Acaricie e
sentirá nágua o passarinho.

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Puta-Maria

Infeliz vai sentida:
mal sabe o papel
que tem na vida.

Dar prazer e guarida;
do amor ser sossego
a quem nunca teve partida.

Do suor fazer tempero,
e da flor nunca ter afago;
doutro corpo o acre-cheiro.

O gozo presente negado,
e na pele o rasgo nu;
por amor algum trocado.

Infeliz vai adormecida;
pela paga não tem fome,
é gruta santa da forte cuspida.

É Maria,
é Puta-Maria,
é santa
da putaria.

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Soneto do ladrão amado

Arrombo a janela do teu quarto
conheço teus segredos de mulher
sei dos teus gemidos ansioso aguardo
bebo da tua voz que me pede e quer

Sussurro palavras onduladas de amor
com salivas suadas levadas pra beber
sinto o perfume e a flagrância da flor
me aninho no teu ninho sou teu bem-querer

Entro volto penetro sou homem maduro
tenho mãos de poeta de dia sou poesia
de noite profano tua alma e te engulo

Amo só na mão com teu corpo não
tua voz ouço não te vejo e alcanço
estou louco não contigo sou santo

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Desejos

Senhora buscai em meu corpo teu desejo louco,
sou homem não sou santo a ti abro meu manto
e se beberes na bruma da manhã desse prazer que não é pouco,
deitarei meu corpo em teu leito te causando espanto.

Em desalento, mesmo distante do legado em jeito,
faça de meu corpo tua moradia como febre em estadia,
lânguida, em minha pele com teus delírios me deito
e de belo agrado te aninho em meu pulsante peito.

Sou teu pecado não sejas mulher ternura,
na cama tuas vontades recebo como tua melhor criatura
e pecai...muito, por prazer não perdes a candura.

Faça da carne a música como escultura bêbada
e do poema um rio solto em direção ao revolto mar,
solte o leme da escuna, naufrague nas ondas desse lindo namorar.

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Minha doce puta

No olhar mais meigo,
nos lábios mais pecadores
pousei minhas venturas
e todas minhas dores.
Aqueles seios puros quisera,
mas já foram bebidos
por todas as bocas da terra.
Pouco me importa.
Sou feliz quando abre a porta
e etérea se escancara
em pernas de formosura e vida torta.
Mesmo o cheiro barato em teu corpo
de perfume de esquina de mil homens,
não tiram o cristalino sorriso da tua infância.
E me lambuzo das tuas fantasia,
deposito meus versos em teu corpo
e te faço musa das minhas poesias.
Minha doce menina puta!

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